Revista online sobre Cultura e Lifestyle
Edição Nº92, Maio, 2013

Cláudia Guerreiro

Com os pés bem assentes na terra e rejeitando qualquer tipo expectativas futuras, Cláudia falou-nos do convite para tocarem no IndieLisboa, de comparações entre os Linda Martini e outras lendas do indie, da recente colaboração com Filho da Mãe e do novo trabalho que estará pronto lá para o final do Verão

Minutos antes dos Linda Martini subirem ao palco no Ritz Clube, tivemos a oportunidade de falar com Cláudia Guerreiro, a baixista da banda. Com os pés bem assentes na terra e rejeitando qualquer tipo expectativas futuras, Cláudia falou-nos do convite para tocarem no IndieLisboa, de comparações entre os Linda Martini e outras lendas do indie, da recente colaboração com Filho da Mãe e do novo trabalho que estará pronto lá para o final do Verão.

Os Linda Martini fazem 10 anos, uma data redonda. O que mudou nas vossas vidas desde o lançamento da primeira maqueta em 2005?

Temos mais dez anos, perdemos um guitarrista pelo caminho mas a vontade de tocar é a mesma, apesar das expectativas mudarem pois, se de início não existe qualquer tipo de perspectivas, invariavelmente, com a experiência, ficamos condicionados, fazemos as coisas de forma diferente. De resto, penso que continuamos a fazer e a encarar a música da mesma forma e temos uma tendência de fazer essa mesma música de uma forma mais directa, concentrados no presente mas abertos ao que o futuro nos reserva.

Depois do devido, e merecido, reconhecimento pelo vosso trabalho, sentem vontade de dar o salto fora de portas? A vossa experiência, por exemplo, com os God is an Astronaut em 2006, foi muito interessante e gratificante…

Penso que temos tido muita sorte no nosso percurso. Antes dos Linda Martini tínhamos as nossas próprias bandas que se incluíam num circuito bem mais restrito em relação ao que agora nos encontramos. Colocámos a música na internet e as pessoas aderiram ao apelo dos Linda Martini quase de imediato, e penso que tivemos um crescimento rápido. Ainda há pouco tempo encontrei um documento dos primórdios da banda com o nosso primeiro cachet: 150 euros! Lembro-me de que ficámos muito satisfeitos… Quanto ao sair lá para fora, infelizmente estamos condicionados pelos empregos dos elementos da banda fora dos Linda Martini e é muito complicado pois temos de fazer tudo com muita antecedência e neste momento é difícil. Adorávamos fazer uma digressão. Um dia, quem sabe…

Cláudia Guerreiro, Entrevista

Foram convidados para o Indielisboa 2013. A ideia de tocar o “Olhos de Mongol” na íntegra foi vossa ou da organização?

A organização do Indielisboa propôs-nos fazer um concerto diferente e nós optámos pelo “Olhos de Mongol”. Eles comemoram a décima edição, nós fazemos dez anos… Não sei dizer se o que vamos fazer é especial mas sei que só fizemos algo semelhante quando lançámos o álbum. Nestes anos temos tocado algumas faixas do “Olhos de Mongol” mas há coisas que entretanto ganharam nova forma. As introduções sofreram arranjos e, por exemplo, o sampler do «Partir para ficar» é sempre um desafio e por vezes a coisa não resulta muito bem. Também sentimos que algumas músicas estão “datadas”. Por o exemplo a «A Severa…» dificilmente seria feita por nós hoje… Ainda assim, aceitámos a sugestão e vamos tocar o disco na íntegra.

Têm tocado recentemente e na semana passada actuaram aquando do Warm Up Vodafone Paredes de Coura. Como tem sido a experiência de tocar com nomes grandes no panorama indie como os Sonic Youth, banda que de certa forma é associada ao vosso som?

Tem sido uma boa experiência, claro. Na parte que me toca não sou grande fã, por exemplo, dos Sonic Youth, prefiro os Nirvana, mas admito que tenhamos alguns pontos de contacto com os Sonic Youth, embora não ache que sejamos assim tão semelhantes como dizem. Com um baterista como o Hélio é impossível sermos parecidos com eles pois a nossa batida é mais forte, mais intensa, mais hardcore, enquanto os Sonic Youth vagueiam pelo experimental.

Este ano vamos ter mais um disco dos Linda Martini. Em entrevistas que deram afirmam que este novo trabalho será uma mistura entre os sons e filosofias de vossos dois primeiros álbuns. Que podemos esperar?

A ideia é ter o disco pronto depois do Verão. No que toca à filosofia do álbum as coisas ainda estão muito em aberto, ainda estão a acontecer. Posso dizer que algumas músicas que já temos em fase adiantada têm um pouco de algumas características de faixas do “Olhos de Mongol”, em que o som é mais circular sem o objectivo de “explodir”. Por outro lado, temos outras músicas que têm um efeito mais directo, mais “Casa Ocupada”. Digamos que estamos entre os universos dos dois discos, apesar de uma estrutura global mais espacial, sem grandes pormenores, mas até ao fim tudo pode acontecer.

Como está a ser o processo criativo deste álbum? Os Linda Martini assumem-se lentos nesse campo, sempre a limar arestas e a procurar a corrigir “aquele” pormenor menos bem conseguido…

Nós somos de facto “picuinhas” mas não com os sons que entram aqui e ali, e confesso que devíamos, talvez, ser mais cuidadosos nesse aspecto. O que queremos é ir de encontro ao gosto individual de cada elemento da banda. Quando alguém não gosta de algum pormenor tentamos ludibriar isso e chegar a um consenso mas sem grandes cedências. Fazer com que as coisas estejam bem para todos. Perdemos muito tempo com os ajustes mas no fim penso que ficamos todos satisfeitos com o resultado final.

Cláudia Guerreiro, Entrevista

Uma das vossas imagens de marca é a composição em Português. Este novo trabalho vai manter a bitola?

Sim, claro, nem outra coisa faria sentido! Continuamos em registo instrumental ou em Português. Nas nossas antigas bandas compúnhamos em Inglês e quando criámos os Linda Martini decidimos que íamos tentar o Português. Alterar isso seria uma regressão.

A par da concepção deste novo disco, fizeram uma colaboração com Filho da Mãe, um sete polegadas. Como surgiu essa colaboração? Esperam ter mais experiências do género?

Sinceramente não pensamos muito nisso. As coisas surgem naturalmente e lidamos com isso de forma espontânea. À partida gostamos da ideia da “colaboração” mas as coisas podem acontecer de forma diferente ao que esperamos. Com o Rui Carvalho (“Filho da Mãe”) o processo foi complicado pois ele tem uma forma de tocar radicalmente diferente da nossa, contratempos atrás de contratempos e confesso que tivemos dificuldade em acompanhá-lo. Ainda assim, para o Hélio foi fácil pois tocam juntos nos If Lucy Fell e sentiam-se como “peixes na água”. A facilidade da própria colaboração tem muito a ver com quem estamos a tocar mas à partida é uma ideia que nos agrada.

Para além deste novo álbum que podemos esperar dos Linda Martini para o futuro próximo?

Ainda está tudo muito no início e não temos nada definido mas como o disco só vai sair perto do outono pensamos que só em 2014 é que vamos pôr mãos à obra. Só a partir de Outubro é que vamos condicionar a nossa agenda a pensar no novo trabalho. Mas a ideia de tour em Portugal é estranha. Tocamos aos fins de semana e pouco mais. Nos Estados Unidos e no resto da Europa sim, fazem-se digressões, por cá não me parece. É óbvio que seria bom termos muitos concertos em Portugal. Aliás, este ano, temos tido mais datas do que esperávamos pois estamos no terceiro ano do “Casa Ocupada”. Para dar uma ideia, ainda há pouco tempo tocámos no Warm Up do Vodafone Paredes de Coura e na Queima das Fitas em Vila Real mas não tocávamos desde outubro. Aqui no IndieLisboa vamos fazer uma coisa diferente … Ainda assim vamos esperar, como disse, pela saída do álbum e depois logo vemos. Por vezes surgem alguns contratempos e depois tens de repensar tudo.



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