Avant Rock Sessions

Loosers + Mouthus @ Galeria Zé dos Bois.

Na véspera de feriado do primeiro dia de Dezembro e da consequente ponte que tira sempre várias centenas de pessoas à capital, notava-se que, para muita gente, provavelmente isso não interessava para nada. O pessoal quer é festejar, quer é concertos, e Lisboa (com outros pontos do país na peugada) é, como há muito tempo não era, um lugar cada vez melhor para se estar. Sente-se no ar um cheiro a criatividade, uma vontade de quebrar a rotina, não de pregar – que isto não é nenhuma religião castradora – mas de incitar à festa e à descoberta de ambientes, movimentos, hábitos, sonoridades mais marginais.

O underground português agita-se, contorce-se e arranha as margens do seu pequeno mercado. Bandas como Loosers, The Vicious Five, Linda Martini, One Might Add, Frango, CAVEIRA, Fish & Sheep, Lemur, If Lucy Fell, We Shall Only The Leaves são a impressão digital de uma geração que se quer fazer ouvir. Prova de que as coisas começam por aqui mas têm qualidade e condições para singrar no estrangeiro, é a tour europeia de 20 datas que os Loosers iniciaram com os norte-americanos Mouthus, na Galeria Zé dos Bois. Outras evidências podem ser constatadas pela edição estrangeira pela Lockjaw Records, prevista para Março, do disco de estreia dos If Lucy Fell e pelos concertos e contactos dos The Vicious Five no estrangeiro.

Mesmo com a (forte e há uns anos improvável) concorrência dum concerto no mesmo dia com outras duas boas bandas deste nosso cantinho – os Wray Gunn tocavam com os Dead Combo no Santiago Alquimista – a Galeria Zé dos Bois apresentava uma boa plateia para testemunhar a primeira apresentação em solo europeu dos Mouthus. O duo de Brooklyn composto por Brian Sullivan e Nate Nelson encheu a sala com o seu som hipnótico, angular, como que uma espiral sonora que nos encosta contra a parede. Contudo, o seu som peca por ser um pouco monocórdico e previsível, tendo cada composição poucas variações dentro de si.

Os Loosers continuam a sua mutação sonora em direcção ao desconhecido, nem eles devem saber bem onde esta banda vai parar. Cada concerto difere do anterior e por vezes as composições alteram-se face às gravações conhecidas. Embora não tendo sido anunciado como tal, este acabou por ser o concerto de apresentação do último “For-all-the-round-suns”, editado pelo selo da banda, a Ruby Red Records.

Em constante mudança desde que o EP “6 Songs” foi editado, a sonoridade da banda lisboeta provocou opiniões díspares entre os presentes, provando que é difícil a uma banda que ainda procura a sua identidade (contudo ao contrário do que é normal esta busca de sonoridades tem dado resultados bastante agradáveis) agradar, durante o seu percurso, a toda a gente. Liars, Gang Gang Dance, No-Neck Blues Band ou mesmo uns Sonic Youth dos primórdios (mais tribais e menos sónicos) são nomes que vêm à cabeça.

Em palco os Loosers estão cada vez mais coesos (continuando tímidos) oferecendo aos presentes uma viagem turbolenta por entre o caos sonoro da bateria tribal de Zé Miguel, o baixo possante e marcante de Rui Dâmaso e as deambulações da guitarra e distúrbios vocais de Tiago Miranda. Recomendáveis como nunca os Loosers vão, nesta tour, certamente dar que falar para quem estiver atento por essa Europa fora.



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