“Lisboa no Ano 2000” | Organização de João Barreiros

“Lisboa no Ano 2000” | Organização de João Barreiros

Glória a Tesla que repousa na electrosfera

No Prólogo à edição de “Lisboa no Ano 2000”, João Barreiros pergunta por que razões os nossos bisavós, aqueles que terão nascido na alvorada do século XX, terão ignorado o futuro que os esperava, enquanto em Países como a Inglaterra, a Espanha ou a Rússia Czarista, dezenas de obras literárias sonhavam «com essa utopia perfeita que haveria inevitavelmente de chegar.»

Com isso em mente, colocou aos participantes de um atelier de escrita radical com contornos de sonho um desafio: o de lembrar um outro passado e, quando lá chegados, imaginar um futuro diferente deste que habitamos. O resultado foram 17 histórias – três delas escritas pelo próprio João Barreiros -, povoadas por dirigíveis, torres de alta tensão, a opressão do império germânico, autómatos com e sem alma e muita, mesmo muita, electricidade.

Neste «sonho de um futuro passado» encontramos todo o tipo de delírios com o selo da ficção científica: mortos que viajam em carruagens de segunda classe – “O Turno da Noite”; um reverendo que tem na sua cama a rainha de rabo erguido – “O Turno da Noite”; o prenúncio do skype dado com a invenção do telefonoscópio – “Os Filhos do Fogo” – uma metáfora ao mundo do trabalho através de autómatos suicidas – “Dedos”; um traficante de Elec, a droga da moda – “Electro-Dependência”; a medição do peso da alma – “Energia de Almas”; um agente duplo mais apegado a umas das pátrias – “O Obus de Newton”.

Depois do virar da última página e regressados à realidade à boleia do comboio do tempo, será curioso verificar que não estamos assim tão distantes da ficção imaginada: o império germânico tomou conta da Europa, a batalha pela electricidade está em alta e, um pouco por toda a parte, vêem-se autómatos com alma e humanos com processadores no lugar de corações.

Além de apresentar uma bela mostra de ficção científica sonhada em Português, “Lisboa no Ano 2000” é uma bela homenagem a gente como Nikolas Tesla, Emílio Salgari, Jules Verne ou H.G. Wells, que dedicaram grande parte das suas vidas a sonhar de olhos bem abertos.

Uma edição Saída de Emergência



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This