“Windhaven” | George R. R. Martin e Lisa Tuttle

“Windhaven” | George R. R. Martin e Lisa Tuttle

Uma biografia com um par de asas

Graças à “Guerra dos Tronos”, saga em progresso que até ao momento vai em 10 livros (edição nacional) e três séries televisivas (abençoadas pela HBO), George R. R. Martin tornou-se um escritor de culto para quem aprecia o lado fantástico da literatura. Um estrelato que permitiu que grande parte da sua obra, que estava há muito em “modo hibernação”, fosse sendo aos poucos editada em Portugal. É o caso de “Windhaven” (Saída de Emergência, 2013), livro escrito em 1981 em parceria com Lisa Tuttle, que vê agora a luz da edição.

“Windhaven” conta a história de Maris de Amberly, uma apanhadora de ameijoas que sonha com tornar-se voadora, deixando para trás uma vida de “presa à terra”. Os voadores são quem interliga as ilhas que fazem parte de Windhaven, um planeta que se tornou o refúgio dos humanos após um desastre espacial, e é através deles que os habitantes das ilhas, conhecidos como “presos à terra” por não terem asas, se alimentam de mexericos, novidades, canções, histórias e romance.

O direito às asas é garantido por sucessão familiar, cabendo ao filho primogénito herdar as asas do seu progenitor quando atinge a maioridade. Quis o destino que Maris fosse adoptada por Russ, um voador que, na iminência de não deixar descendência, a escolheu para envergar as suas asas, treinando-a e transformando-a numa das mais respeitadas voadoras. Porém, quando menos se esperava, Russ acaba por ter um filho, o que fará com que Maris tenha de deixar as asas dentro de algum tempo. Um facto que lhe dará coragem para enfrentar uma sociedade assente numa sólida hierarquia, onde os destinos individuais são muitas vezes traçados desde o útero materno.

Quem quiser procurar pontos em comum com a Guerra dos Tronos, encontrá-los-á sobretudo na gastronomia – há, por exemplo, o kivas, um vinho quente temperado com passas e nozes – e na capacidade de desenhar amplos cenários naturais, mas a coisa fica por aí. “Windhaven” demarca-se claramente da temática da saga ao apresentar a história de Maris como uma comovente biografia: os primeiros sonhos, o nascimento do sentimento de injustiça, o desejo de revolta, o lidar com a perda, o aceitar da maturidade, o prenúncio do fim, a vontade de deixar ao mundo um legado. Com ou sem asas, Maris é apenas um mortal como todos nós.



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