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ModaLisboa Vision #2

«Mar Sonoro, mar sem fundo, mar sem fim. / A tua beleza aumenta quando estamos sós / E tão fundo intimamente a tua voz / segue o mais secreto bailar do meu sonho. / Que momentos há em que eu suponho / Seres um milagre criado só para mim. » - Sophia De Mello Breyner Andresen.

“Mar de Sofia” deu início ao segundo dia da ModaLisboa pelas mãos de Nuno Baltazar. Inspirado por uma das maiores poetisas portuguesas, o criador fez fluir pela passerelle um autêntico mar de inspiração. Entre propostas easy to wear meticulosamente glamorosas e silhuetas femininas de perceção tridimensional, pelo magnifico trabalho de godés e jabots, o estilista dá corpo a um novo mar criado para todos nós. Ilustrado por uma vasta seleção de azuis que se dividem entre o meia-noite, o céu e o ultramarino em harmonia perfeita com os tons de barro e rosa pálido.

Numa versão muito mais irreverente e heroica, a estilista e artista plástica Lidjia Kolovrat dá voz aos super-heróis através de tons escuros e tecidos suaves e simultaneamente vistosos de contornos neo-cubista. O universo tem várias pontas. É preciso falar, comunicar. Na moda, tal como na arte, a roupa é um meio e não um propósito. Uma passagem relâmpago pelos sonhos de infância onde todos somos super-heróis e nada parece impossível. Agarramos o infinito com as mãos e guardamo-lo dentro de nós.

A marca portuguesa SAY MY NAME, criada pela fashion designer Catarina Sequeira foi um dos escassos pop of colour que desfilou nesta edição. As propostas da estilista para o próximo inverno, inicialmente dominada por um preto intenso deram lugar a um picotado laranja-tijolo e a longos salpicos de tinta, que interligados criavam um padrão único que dominava os últimos outfits da coleção.

Uma paisagem de inverno desfocada pelo nevoeiro é a inspiração mais recente de Luís Carvalho. O “ton sur ton” minimalista da sua última coleção cria, a partir de formas orgânicas e rígidas, a ilusão ótica de uma natureza desfocada e perdida que flui por entre as silhuetas femininas. Um autêntico “winter landscape” que restitui à mulher o poder e a confiança de que ela tanto se orgulha.

Łukasz Jemioł foi o designer convidado desta edição da ModaLisboa. O estilista polaco voltou a encantar pela sofisticação das suas peças. Em materiais nobres e num vermelho arrebatador que saltava à vista por entre os belíssimos cinzentos angorá nos quais os plissados e as assimetrias geométricas foram das presenças mais notadas.

Quase a encerrar a noite, Ricardo Preto submergiu o público num verdadeiro mix and match de cores, padrões, tecidos e texturas. Uma mistura genuína que nos levou a viajar no tempo ao longo de todo o desfile. Inicialmente apresentada de modo conservador, clássico e simples a coleção evoluiu ao longo do espetáculo para uma visão mais moderna e geometrizada, embora sem nunca abandonar a base vintage da coleção.

A terminar o segundo dia da 42ª edição da Lisboa Fashion Week, o conceituado estilista Luís Buchinho, apresentou pela primeira vez em Lisboa a sua linha de knitwear. E voltou a surpreender pelas tonalidades e contornos fortes da sua nova coleção. Saias evasé de modelagem orgânica e calças de corte reto, coordenados com partes de cima em crepe de viscose dupla face que variam entre o azulão, o bordeaux, o rosa, o chocolate e os cinzentos. As peças têm como conceito principal o conforto, transmitido através de peças versáteis e práticas, ideais para o dia a dia na cidade.



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