“A última viagem” | Laurent Gaudé

“A última viagem” | Laurent Gaudé

A quem pertences, Alexandre?

Em toda a história, poucos personagens terão suscitado tanta admiração e receio como Alexandre, temidamente baptizado pelo mundo inteiro – aqueles que os conheceram ou que dele apenas ouviram falar – como o Grande. Depois de nos oferecer livros como “A morte do rei Tsongor” (2002) ou “Noite dentro, Moçambique” (2007), Laurent Gaudé volta a mostrar a sua imensa paixão pela história com “A última viagem” (Sextante, 2013), livro que recria os últimos dias de vida e os primeiros da morte de Alexandre, o Grande.

Durante um festim na Babilónia, por entre muitos risos e música tocada para pôr à prova os tímpanos, Alexandre cai por terra com uma febre imensa, que faz temer o pior. Com o espectro da morte a pairar como uma nuvem negra, os seus generais cercam-no e, da admiração profunda, começam a preparar em surdina a sua sucessão, julgando cada um deles estar à altura de ocupar o lugar do grande imperador.

Gaudé recria a última viagem de um homem que se recusa a morrer, e de como a sua ascendência a lenda trouxe, à vida dos que o seguiam de perto, a tragédia mas, também, a sede pelo lado épico.

Entre o misticismo e o fantástico, o escritor francês escreveu um romance que se lê de um fôlego, onde se ouve o tilintar de espadas, os bramidos das carpideiras, os gritos dos quase mortos e o silêncio do deserto. Numa última cavalgada com contornos de embriaguez, a caminho do eterno Olimpo, talvez seja revelada a resposta à eterna questão: a quem pertences, Alexandre?



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