“Angola – o nascimento de uma nação” | Maria do Carmo Piçarra e Jorge António

“Angola – o nascimento de uma nação” | Maria do Carmo Piçarra e Jorge António

O cinema é uma arma (e também uma introspecção)

Porque nem só de política e diamantes se alimenta a nação angolana, Maria do Carmo Piçarra e Jorge António decidiram dar o seu contributo e promover um olhar sobre o cinema e a forma como este, ao longo do tempo, fixou o nascimento de um país. O resultado, composto por uma trilogia editada na cada vez mais rara capa dura – acompanhada por dezenas de imagens -, recebeu o nome de “Angola – o nascimento de uma nação” (Guerra & Paz, 2013/2014).

O primeiro volume, intitulado “O cinema do império”, oferece uma visão a preto e branco sobre o colonialismo português, bem como uma panorâmica global sobre diversos pontos de vista: a propaganda do Estado Novo; a ficção portuguesa feita em Angola; os filmes sobre o progresso económico; a Diamang, um verdadeiro caso de estudo; os filmes científicos e etnográficos.

Este volume inicial integra igualmente o olhar de três homens que viveram, de formas bem diferentes, a aventura do cinema em Angola: João Silva, um pioneiro, visto como um «homem-câmara»; Francisco Castro Rodrigues, um sonhador que projectava edifícios enquanto integrava o movimento cineclubista emergente; e Manuel S. Fonseca, para quem o cinema surgia projectado no céu estrelado de Angola.

“Angola – o nascimento de uma nação” | Maria do Carmo Piçarra e Jorge António

O cinema da libertação”, o segundo tomo, desvenda – segundo os seus autores – o «olhar corte-de-navalha» que despontou após a luta pela independência de Angola, numa altura em que o cinema se revelou uma arma de grande porte. O livro oferece uma visão sobre a colecção de filmes da Cinemateca Portuguesa feitos em Angola – ainda antes do nascimento oficial da nação -, uma perspectiva sobre o cineclubismo, um olhar aos filmes amadores e de família e uma análise aos modos de produção dos filmes no país. A trilogia fechará com um olhar sobre o cinema angolano pós-independência, num livro ainda em fase de produção.

«Há muitos testemunhos por ouvir, muitos documentos por estudar, muitos arquivos por abrir e muitos filmes por projectar. É preciso mostrá-los para que não se tornem arquivo morto. O cinema é também um modo de nos conhecermos.» Tempo agora para a Cinemateca Portuguesa abrir as portas à introspecção.

 



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