josh martin

“Ariadnis” de Josh Martin

Duas raparigas, um só destino

Somos aqueles que vieram depois do cometa.

Somos os que sobreviveram depois da Grande Onda. (…)

Estamos algures no meio, na casa d’A Sapiente: Ariadnis (…)

Este livro, que serve de debut para o jovem autor Josh Martin e cuja acção é sublinhada pelas incessantes lutas pelo poder e pela sobrevivência do mais forte, Ariadnis (Topseller #Bliss, 2017), é uma história de contornos fantásticos num mundo distópico, onde um povo dividido, se tenta elevar, seguindo fielmente uma antiga profecia, onde as Escolhidas de duas cidades se irão defrontar, e só uma poderá triunfar.

Para o seu lançamento como escritor, Josh Martin apostou num público-alvo mais jovem, mais concretamente no género jovem-adulto. Utiliza uma linguagem directa, porém, por vezes um pouco confusa, com conteúdo explícito, recorrendo a palavrões, mas sem exagero.

Demonstra possuir uma imaginação fértil, criando um mundo fracturado, onde após a tragédia, o seu povo adquiriu habilidades mágicas que lhes permitiu evoluir e sobreviver.

O que mais surpreende é o modo como o faz, guiando o leitor através dos olhos das duas adolescentes rivais, e também d’Os Escolhidos.

Conseguir transmitir os sentimentos desencontrados de duas raparigas, numa idade, já de si, complicada, onde estas estão rodeadas de pressões externas aliadas às suas próprias dúvidas existenciais, não é tarefa fácil.

Transmitir os sentimentos das protagonistas, bem como as agitações emocionais e políticas das duas comunidades rivais, e de um grupo específico de personagens secundárias, terá sido, sem dúvida, um desafio, mas um que este autor ultrapassou de forma positiva e aprazível.

Todos são importantes, todos têm relevância na história e para a história. É isso que emociona, a cada página. Entender como tudo está ligado, por uma rede de fios invisíveis, ainda que os habitantes de Athenas e Metis desejem o oposto.

Martin, estabelece duas cidades interligadas por nove árvores, mas as suas semelhanças terminam aí.

No topo está Athenas, a cidade em que as árvores estão ocas, preenchidas por maquinaria, que mantém tudo a funcionar, detentora de uma ideologia moderna, envolvida pela tecnologia e indústria; no solo encontra-se Metis, onde as suas árvores estão vivas, detentora de ideais naturalistas, onde a ligação com a natureza e tudo o que dela provém, é valorizado.

Naquela altura achava que, se não fosse o penhasco, as nossas cidades seriam uma só e não haveria necessidade de nos encararmos uns aos outros com tanta ferocidade. Mas depois aprendi que é o orgulho, a tradição e a profecia, e estas coisas são ainda mais duras do que a pedra.

Em Athenas, desaprovam a permissividade sexual existente em Metis, sem regras, sem limites, onde é possível ter mais do que um parceiro, independentemente do sexo de cada um dos intervenientes.

Em Metis, criticam a credibilidade dada a visões e profecias de Athenas.

Athenas e Metis têm noções muito diferentes d’A Sapiente, sendo que a principal é que eles acreditam que é um Deus. E nós acreditamos que é uma Deusa.

Só existe um ponto em comum entre ambas cidades, a profecia que indica que aquando dos 18 anos, duas jovens, uma de cada cidade irá entrar em Ariadnis e passar pela prova final que permitirá adquirir o Livro da Omnisciência.

Ela sou eu. Mas não é.

É como se alguém tivesse uma fotografia minha e a pintasse com cores diferentes, e o que mais me irrita nisto é que ela teve obviamente sorte nas cores que lhe calharam.

Aula, de aspecto forte, intempestivo, a roçar o impulsivo, tem cabelo ruivo aguado e tom de pele amarelado .

Joomia, de carácter, aparentemente frágil, tem cabelo cor de ébano, tom de pele cor de amêndoa, sardas, e só alguns ouvem quando fala, necessitando sempre de um tradutor a seu lado.

Todos os anos têm que se apresentar em Ariadnis, um local escondido, situado entre as duas cidades, para demonstrar o que aprenderam nesse ano, porém aos 18 anos a prova será diferente.

Será que vão dar ouvidos ao aviso d’Os Escolhidos, antes de que tudo esteja perdido?

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Taurus tem um carácter efusivo, arriscado, é sempre dado a aventuras e instiga Joomia, a sua melhor amiga, a perder os seus medos, de forma a que esta desperte o poder encerrado no seu interior.

Mas este ser aventureiro, tem um segredo, e irá desempenhar um papel relevante na vida de ambas as Escolhidas.

Etain, é a filha da Profeta-Principal de Athenas, Ashir, e é a melhor amiga de Aula. As duas são como irmãs, já que Ashir foi a única figura materna que Aula alguma vez conheceu.

Com cabelo, por vezes, chamuscado e cheiro a metal, apesar dos seus dotes na oficina, é a escriba de Nadrik, o Anax, o líder supremo de Athenas.

É ele, quem guia Aula até Ariadnis, e ele que a prepara, fisica e psicologicamente, para a prova final.

O seu equivalente em Metis, é a Anciã Mathilde, mentora de Joomia.

Mathilde é velha, exigente, mas nem por isso mais lenta de raciocínio ou acção do que a Escolhida.

Os seus treinos consistem em estimular o poder que Joomia possui, e que lhe permite comunicar com as plantas e com as árvores ao seu redor.

É mãe da frágil Ade, a Escolhida da geração anterior, que depois de prestar a sua prova, ficou debilitada, e que muitos consideram louca.

Estas personagens, entre si tão diversas, estão unidas de uma forma surpreendente, e irá depender delas o futuro de todos os que os rodeiam.

… Sou a Aula, e eu sou a Joomia.

Por um segundo é assim que sou.

Trata-se de um livro interessante, misterioso, que apesar de ser, por vezes, um pouco previsível, consegue surpreender o leitor de forma agradável em vários aspectos; que encerra a narrativa principal, deixando, ao mesmo tempo, bem estabelecidos todos os alicerces para o seguimento de Ariadnis, o segundo livro de Josh Martin, Anassa.



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