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Best Youth

Boomerang feelings.

Tanta coisa em inglês para uma banda portuguesa? Yes! Os Best Youth são do que em bom português se faz e, agora que o Inverno se instala, voltam com “Winterlies”. O álbum de estreia acaba de ser reeditado no Optimus Discos com três novas versões live.

Na estreia de “Winterlies”, em Agosto, os Best Youth deram uma entrevista à Rua de Baixo. Agora reeditam o álbum com versões live. Tudo novamente pronto a descarregar gratuitamente e em destaque na Optimus Discos. A Rua voltou à conversa com esta dupla do Porto que já não nos saía da cabeça com o single «Hang Out» e hoje regressa no boomerang de sentimentos e relações embalados na voz de Catarina Salinas.

É Impossível falar deste álbum sem começar pela voz de Catarina Salinas. Ora rude, rouca, ora suave, quase infantil, quase a embalar… É esta voz singular, doce, sensual, que, a par da guitarra de Ed Gonçalves, dá o corpo à música deste projecto. Dessa combinação nasce um som sólido, adulto, pop rock com presença electronica q.b. que flui pelas cinco faixas deste EP. A guitarra está (quase) sempre presente, mas nunca é senhora.

Torna-se evidente uma produção cuidada e, na nossa modesta opinião, muito bem sucedida, que não tenta disfarçar essa oscilação entre sonoridades mais próximas do rock e outras bem mais dançáveis; antes expô-la e potenciá-la. A atenção ao pormenor é clara, revela maturidade e só eleva a qualidade deste trabalho. Estarão eles próprios à procura do seu “registo”…

A fazer a ponte entre ambas, a voz, que transcendendo a simplicidade do género e dos próprios temas, nos guia por uma visão madura e desapaixonada, por vezes agressiva, outras mais vulnerável, dos encontros e desencontros que fazem as relações. Ora romântica, ora irónica, ora melódica, ora ruidosa, é esta variedade de estados de alma e de ambientes e ritmos que “faz” o disco e permite transcender as limitações de uma formação de apenas duas pessoas.

Recomenda-se, pois, esta estreia auspiciosa dos Best Youth, em formato EP enquanto se espera ansiosamente pelo álbum de estreia. No dia 2 de Março, no Vodafone Mexefest, no Porto, são uma das bandas a ter em conta.

Best Youth – Hang Out from Best Youth on Vimeo.

Resumam o vosso percurso na música até se conhecerem e até este feliz duo.

Catarina – Eu e o Ed já nos conhecemos desde a adolescência. Juntámo-nos uma vez por gozo para tocar umas músicas num bar e chegámos a formar uma banda há uns anos, os Genius Loki, que infelizmente acabaram quase à nascença. Mantivemos sempre o contacto durante estes anos enquanto trabalhámos noutros projectos e há cerca de um ano voltámos a trabalhar juntos.

Ed – Antes dos Genius Loki toquei em algumas bandas Rock e gravei como convidado num disco Rock/West Coast. Quando a banda acabou, passei um longo período de experimentação em que estive aprender mais sobre gravação e mistura e a trabalhar com outro Produtor num projecto electrónico. Nisto, comecei um disco a solo que ainda está na prateleira…

Quando, como e onde nasceram então os Best Youth? E porquê o nome Best Youth?

Ed – Os Best Youth surgiram no Porto, há cerca de um ano, quando convidei a Catarina para cantar em alguns temas. Correu tão bem que decidi pôr o meu projecto em pausa e começar um disco com ela…

Catarina – Quando o Ed me abordou, não havia qualquer intenção de formar uma banda. Ele mostrou-me as músicas e quando começamos a trabalhar nelas, a coisa desenvolveu para o que são hoje os Best Youth. O nome surgiu de uma “lista negra onde combinamos nomes cuja sonoridade nos agradava… curiosamente só depois é que soubemos do filme do Marco Tullio Giordana.

Do vosso percurso na música que sonoridades exploraram para chegar a estas e quais as que mais influenciam e marcam os Best Youth?

Ed – Entre os dois reunimos uma data de influências diferentes desde Rock, Pop, alternativa, electrónica, Folk, Pop francês, Pop anos 80… Não houve uma opção consciente de assumir um estilo, ou de focar mais ou menos num género. Limitamo-nos a fazer a música de que gostamos e a inserir os instrumentos e texturas que nos fazem sentido. Como cada um tende a aproximar mais às suas referências, do meu lado vem mais o rock e a faceta alternativa, a Catarina traz mais o Folk e o Pop.

Definam-se como uma banda Indie, rock ?

Nós não nos definimos com nenhum género específico… normalmente enquadram-nos algures entre o Pop-Rock, o Indie e a electrónica, mas do nosso ponto de vista são apenas canções que vão buscar influências a vários estilos. Se nos fossem procurar a uma loja de discos? Provavelmente encontravam-nos na secção Pop-Rock…

Contem-nos um pouco da história, composição, trabalho, do EP “Winterlies”.

Catarina – Bem, a composição surgiu muito naturalmente, o Ed já tinha umas ideias que queria experimentar. A partir daí, surgiram as melodias para as cinco músicas que aparecem no EP, onde a composição cabe, maioritariamente, ao Ed e as melodias vocais e letras cabem aos dois. Foi um processo construtivo que resultou num EP onde mostramos diferentes abordagens musicais.

Ed – As músicas deste EP tiveram origens bastante diferentes: umas já estavam completas e foram adaptadas à Catarina, outras foram compostas já com ela em mente e outras foram uma mistura das duas coisas. Dessas escolhemos cinco, convidámos o Nuno Sarafa para vir tocar bateria e gravámos tudo entre a nossa sala de Ensaios e o Estúdio do Bandido com o Nuno Mendes.

Porquê a decisão de partilhar o EP de forma gratuita?

Ed – Quando acabámos os cinco temas seleccionados para o EP quisemos disponibilizá-los o mais rapidamente possível para começar a trabalhar no disco. As propostas que tivemos para editar não coincidiram com o timing que nos interessava e, por outro lado, quisemos que este EP chegasse às pessoas da forma mais simples e directa possível.

Quais as reacções ao EP que já sentiram e sentem estando em destaque no Optimus Discos?

As reacções têm sido muito positivas. O facto de termos sido reeditados pela Optimus Discos foi bom pois permitiu que o EP tivesse um novo fôlego e chegasse a mais pessoas. Aproveitámos e juntámos três versões ao vivo que são bastante diferentes dos originais, pois neste momento tocamos como um duo.

Mensagens, letras, composições. O que é que quiseram incluir neste EP?

Não existe nenhuma mensagem específica… os cinco temas que juntámos acabaram por ter uma tónica comum nas letras e decidimos, uma vez que também foi feito durante o Inverno, chamar-lhe “Winterlies”. São cinco músicas que falam sobre amor e relações.

Em concerto, vários showcases que deram também, já se começa a formar o público dos Best Youth? E como é o ambiente dos vossos concertos?

Catarina – Acho que sim, que já se começa a notar. O ambiente tanto é mais intimista como acelerado, dependendo da música e disposição. Tentamos não manter demasiado a mesma tónica…

Ed – A mim aborrecem-me concertos em que a dinâmica é sempre a mesma, gosto quando têm diversos momentos e tentamos captar um bocado isso nos espectáculos ao vivo.

Revelem-nos um pouco o vosso trabalho e um pouco de intimidade/ personalidade enquanto dupla.

Catarina – Como nos conhecemos há muito tempo e, antes de sermos uma dupla musical, somos amigos, o entendimento é praticamente perfeito. Discussões acesas não temos, mas divergimos em gostos musicais, o que como duo, acaba por funcionar muito bem.

Ed – Somos completamente opostos nesse sentido, e é um bocado daí que resulta o som de Best Youth. Eu estou sempre a puxar para um lado e a Catarina para outro; como assumimos à partida que é um projecto dos dois, a solução é sempre cada um ceder um bocadinho para que em todas as músicas estejamos os dois muito satisfeitos com o resultado. É sempre um processo muito pacífico e animado.

Como é tocar e estar em palco com a Catarina?

É muito engraçado porque a Catarina em palco transforma-se. Sente-se que ela entra por completo nas músicas e isso acaba por me alimentar a mim também. Acho que em palco a nossa presença deriva muito da energia que transmitimos um ao outro, e isso acaba sempre por influenciar a música.

Como é trabalhar com o Ed?

Catarina –
Trabalhar com ele é muito gratificante, gosto da postura musical e da confiança que me transmite. Ao vivo, uma das razões pelas quais, como o Ed diz em cima, me transformo, é essa confiança.

Apesar do disco ter sido disponibilizado logo e há alguns meses vocês continuam em trabalho, têm feito novos vídeos, contem-nos no que estão a trabalhar agora.

Basicamente estamos a trabalhar no primeiro longa duração, a ouvir todas as ideias que temos reunidas, a compor e a fazer já a pré-produção de alguns dos temas. Estamos também a lançar desde a edição do EP pela Optimus Discos, vídeos dos 3 temas gravados live pelo Nuno Mendes realizados pelo Le-Joy.

Brevemente o que podemos ver de novo vosso em álbum ou em concerto?

Vamos continuar a tocar o “Winterlies” neste formato enquanto preparamos o disco para o próximo ano… é possível que façamos um ou outro concerto com uma formação especial.



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