Caminhos do Cinema Português 2015

Caminhos do Cinema Português 2015

Estamos a acompanhar mais uma edição dos Caminhos do Cinema Português que se realiza em Coimbra

[Artigo em atualização]

Dia 1

Começou a XXI edição do festival Caminhos do Cinema Português. Pela primeira vez o auditório do Conservatório de Música de Coimbra recebeu uma sessão do Caminhos e a plateia estava bem preenchida.

A noite teve início com um jantar de apresentação e convívio entre a organização do festival e elementos dos vários júris e convidados que aceitaram o desafio do Caminhos a darem o seu apoio ao cinema português.

A cerimónia de abertura teve início com a projecção da curta-metragem produzida durante a edição anterior do curso de Cinemalogia, Nunca é Tarde, coordenada por Artur Serra Araújo. Foram convidados a subir ao palco alguns dos formandos do curso de Cinemalogia e partilhar o que os motivou a fazer a formação e também o que retiraram da experiência. Logo de seguida teve início a parte formal da cerimónia com o discurso de boas-vindas do director do festival, Vítor Ferreira, a todos os convidados e espectadores da sessão.

Por fim, teve início verdadeiramente a secção competitiva principal do festival. A Selecção Caminhos inaugurou a edição de 2015 com a curta-metragem Lei da Gravidade, de Tiago Rosa-Rosso, onde duas personagens de um filme português que questionam a sua própria existência dentro da sétima arte lusa. A sessão foi complementada com o documentário O Dr. Adrián e os 5 senhores, de Francisco Moura Relvas, onde é abordado o tema da esquizofrenia através de diferentes dimensões factuais presentes nos depoimentos do director clínico do Centro Hospitalar Conde Ferreira e de cinco dos seus pacientes.

O Caminhos Film Festival decorre até ao dia 5 de Dezembro em vários espaços de Coimbra.

Caminhos do Cinema Português

Dia 2

Depois de no dia anterior o festival ter iniciado com abertura da Selecção Caminhos, ontem foi a vez de também a Selecção Caminhos Mundiais inaugurar as suas actividades no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra. O país convidado da edição XXI do Caminhos é a Áustria e o que se tem produzido nesta sétima arte justifica a sua promoção junto do público do Caminhos.

O dia teve então início com os Caminhos Mundiais exibidos no Museu da Ciência às 15h, com as curtas High Tide, Maschin, Musik, Optical Sound, Das Begrassnis des Harald Kramer, Exterior Extended, Requiem for a Robot, Family Portrait, Metube: August Sings Carmen e Rote Flecken.

Em paralelo com a estreia deste ano da secção mundial continuou no Conservatório de Música de Coimbra a Selecção Caminhos. Às 15h foram exibidos a animação Especialidade da Casa, de Margarida Madeira e o Volume III da trilogia Mil e Uma Noites, de Miguel Gomes.

Já com a noite a cair numa tarde em que o sol de inverno ainda brilhou intensamente, às 17h30 foram exibidas as animações O Campo à Beira-Mar, de André Ruivo, Papel de Natal, de José Miguel Ribeiro, e o documentário AsTroianas, de Tiago Afonso.

Já também em exibição está também a exposição Os Anos d’Ouro do Cinema Português. No átrio do Conservatório de Música de Coimbra e na loja sita na Baixa de Coimbra, na rua Visconde da Luz no 25 encontram-se vários exemplos de fotografias de produção, cartazes e outros elementos de memorabilia das décadas 30, 40 e 50. Com curadoria de Paulo Borges, a exposição recupera momentos essenciais da memória trazendo para a fisicalidade o que é cada vez mais digital.

A sessão das 21h30 continuou o festival novamente com a Selecção Caminhos no auditório do Conservatório de Música. Que dia é hoje?, do Colectivo Fotograma 24 de Montemor-o-Novo, e o super-herói do fascismo encerrou a sessão. Capitão Falcão, de João Leitão, trouxe a comédia ao Caminhos Film Festival.

Enquanto no Conservatório se combatiam “comuninjas” e os Capitães de Abril, às 21:45 uma estreia ocorreu no Caminhos.

Pela primeira vez os cinemas NOS do Forum Coimbra exibiram uma sessão do festival, com a inauguração a caber à selecção de reposições, a oportunidade alternativa para todos os públicos conseguirem recuperar o que não conseguiam assistir. A Lei da Gravidade, exibido na sessão de abertura do festival, e o Volume III de Mil e Uma Noites foram as obras escolhidas para a repetição em estreia nos cinemas NOS.

Ao final de cada sessão o público é incentivado a atribuir uma classificação às obras que acabou de ver. O filme, ou filmes,com melhor cotação da audiência será galardoado com o Prémio do Público atribuído na cerimónia de encerramento adecorrer no dia 4 de Dezembro no Teatro Académico de Gil Vicente.

Caminhos do Cinema Português

Dia 3

O Caminhos Film Festival de 2015 é pleno de estreias. Depois de se ter inaugurado o Conservatório de Música e os Cinemas NOS do Fórum como espaços de exibição da mostra de cinema de Coimbra, domingo 29 de Novembro apresentou outra novidade, agora na programação do certame.

Mas comecemos pelo início. O terceiro dia de festival abriu às três da tarde com o regresso à casa habitual do Caminhos, o Teatro Académico de Gil Vicente. A animação Vigil, de Rita Cruchinho Neves foi o primeiro filme exibido, complementado com dois documentários. O primeiro, de Filipa Reis e João Miller Guerra, Fora da Vida, sobre a ociosidade não voluntária no Portugal de 2015 e por fim, a primeira de três obras exibidas este ano do cineasta Manuel Mozos. João Bénard da Costa: Outros Amarão as Coisas que Amei, não só uma homenagem ao próprio Cinema mas também ao homem que foi director da Cinemateca Portuguesa durante dezoito anos e também crítico, autor e leitor voraz e criativo.

Enquanto no TAGV se iniciava mais uma sessão da Selecção Caminhos, no auditório do Conservatório de Música de Coimbra (ACMC) ocorria mais uma estreia nesta edição do festival. Pela primeira vez um filme de produção exclusivamente internacional foi exibido numa sessão competitiva do festival Caminhos do Cinema Português. A abertura da Selecção Ensaios, proporcionou que ao filme Fast Food, do polaco Eryk Lenartowicz, coubesse a honra de encetar a abertura da porção internacional do festival. Fast Food retrata a vida monótona e repetitiva de Roberto, trabalhador num restaurante de comida rápida e a alterção que sofre o seu quotidiano quando um novo vizinho se apresenta no seu prédio. Também neste primeira sessão da Selecção Ensaios Internacionais foram exibidos os filmes How I was making a movie about my granny, de Anna Sinitskaya, Elevator, de Asan Djantaliev, Chhaya, de Debanjan Nandy, Echo, de Madhuri Ravishankar, No one at that place, de Seung Hyeob Kim e Come the Light, de Chao Koi-Wang.

A abertura da Selecção Ensaios a obras internacionais teve como principal motivação a necessidade de recontextualizar o que é produzido nas escolas de cinema portuguesas e oferecer a oportunidade de descobrir novas e diferentes identidades ao público do festival.

O dia do Caminhos Film Festival continuou às 17h30 com mais uma sessão da Selecção Caminhos no TAGV e simultaneamente novo conjunto de Ensaios Internacionais no Conservatório. Às 21h30 apenas um filme foi exibido no Teatro Académico de Gil Vicente. Portugal, Um Dia de Cada Vez, de João Canijo e Anabela Moreira retrata o dia a dia da população cada vez mais idosa de Trás-osMontes e Alto Douro, uma jornada por um quotidiano desertificado. Um pouco mais tarde, às 21h45, nos cinemas NOS do Fórum Coimbra houve a oportunidade de rever alguns dos filmes mais marcantes do dia numa sessão condensada de várias das secções do festival.

Caminhos do Cinema Português

Dia 4

O festival Caminhos do Cinema Português de 2015 é um evento com uma vasta oferta aos espectadores. Só no dia de ontem, 30 de Novembro, foram perto de uma dezena de sessões de cinema onde foram exibidas mais de trinta obras cinematográficas.

O dia iniciou logo pelas dez da manhã, no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), com os Caminhos Juniores, onde os mais pequenos assistem a várias animações com conteúdo moral e estimulante por forma a potenciar o seu desenvolvimento intelectual e criar novos públicos para o cinema português. As crianças dos infantários e escolas primárias de Coimbra conheceram também a mascote do festival. O Doutor Pipoca trouxe animação e boa disposição a todos os presentes.

Pelas 15h duas sessões em simultâneo. No TAGV a Selecção Caminhos exibia Galope, de Raquel Felgueiras, A Torre, de Salomé Lamas e o Volume II da trilogia Mil e Uma Noites, de Miguel Gomes. No Conservatório de Música de Coimbra a Selecção Ensaios iniciava a sua porção nacional, com os melhores filmes a saírem das escolas de cinema nacionais durante o último ano.

Pelas 17h30 novamente duas sessões em simultâneo, oferecendo um leque de escolhas alargado aos espectadores do festival. No Conservatório de Música a Selecção Ensaios retomou a vertente internacional, enquanto que no TAGV a selecção Caminhos exibiu os filmes Arcana, de Jerónimo Rocha, Renaissance, de Nuno Noivo e João Fanfas, Viagem, de José Magro e Irmãos, de Pedro Magano.

Até ao final do dia mais três sessões: nos cinemas NOS do Fórum Coimbra a estreia da Selecção Diásporas às 19h, às 21h30 no TAGV a Selecção Caminhos exibiu um conjunto de sete curtas, contando com a presença dos realizadores Jorge Cramez, O Rebocador e João Tempera, Gasolina, que no final da sessão responderam a questões do público presente na sala. Às 21h45 o dia terminou com os cinemas NOS do Fórum Coimbra a receberem mais uma sessão de reposições com os filmes Gasolina e Capitão Falcão. Amanhã continua o Caminhos Film Festival, com destaque à presença do candidato à Presidência da República Portuguesa Paulo Morais na sessão das 21h30 no TAGV.


Dia 5

O festival Caminhos do Cinema Português entrou em Dezembro com mais um dia preenchido de actividades. O dia da Restauração da Independência de Portugal  de 2015 pode não ser feriado nacional, mas para o Caminhos Film Festival é dia de celebração com mais uma jornada preenchida de cinema nacional.

Tal como no dia anterior, estiveram mais de seiscentas crianças presentes na sessão dos Caminhos Juniores. Provenientes de uma dúzia de escolas primárias e jardins de infância da zona de Coimbra, os mais novos viram um conjunto de curtas de animação de Portugal e vários países, seleccionadas de forma a estimular a capacidade crítica de cada um.

Às 15h a sessão dos Caminhos Mundiais apresentou apenas uma longa-metragem. Na Cave, de Ulrich Seidl, é uma exploração documental pela parafernália proibida escondida nos recantos e espaços pessoais de pessoas reais. A Selecção Caminhos Mundiais traz este ano como país convidado a Áustria e tem sessões diárias no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.

Também às 15h, mas no Conservatório de Música da cidade a porção internacional da Selecção Ensaios apresentou curtas de nacionalidades tão díspares como Alemanha, França, Irão, Líbano, República Checa e Polónia.

Depois de uma pequena pausa para café as 17h30 continuaram as actividades do festival em mais duas sessões paralelas, tanto no Conservatório como no TAGV onde foi retomada a Selecção Caminhos com a animação Da minha Janela, de Tânia Duarte, e o documentário de Phillipe Constantini, Casa das Mães, como no Conservatório, que retomou a melhor selecção das escolas de cinema nacionais.

Às 19h os cinemas NOS do Fórum Coimbra reservaram uma sessão especial para a Selecção Diásporas. Depois da curta Clandestino, de Bruno Cabral foi exibido o filme português de 1967 O Salto. Um drama de Christian de Chalonge que retrata as peripécias e perigos da imigração portuguesa para França na década de 1960 através da perspectiva António, um marceneiro português que, para fugir à guerra colonial e à pobreza, decide emigrar. À dureza da travessia da fronteira, somam-se as dificuldades em Paris. Sem documentos, sem trabalho e sem falar francês, António deambula pela cidade em busca de Carlos, o amigo que lhe prometera ajuda. Neste seu percurso solitário, a esperança e o optimismo vão dando lugar à desilusão, sentimento partilhado por muitos portugueses com quem se vai cruzando.

Pelas 21h30 o Caminhos contou com a presença de Paulo Morais no TAGV, candidato à Presidência da República Portuguesa, no primeiro acto de campanha após a entrega da formalização de candidatura no Tribunal Constitucional. O antigo vice-presidente da câmara municipal do Porto teve a oportunidade de tomar contacto directo com o cinema português na penúltima sessão do dia da Selecção Caminhos. Nesta sessão, após Cinzas e Brasas, de Manuel Mozos, ocorreu a estreia da primeira longa-metragem de João Salaviza, Montanha. Neste filme acompanhamos a vida do adolescente Paulo durante os dias da iminência da morte do avô e como o jovem se recusa a enfrentar a perda do familiar.

O dia número cinco do Caminhos do Cinema Português terminou com uma última sessão às 24h da Selecção Caminhos no TAGV, onde foram exibidas as obras Bicho Vai, de Mário Melo Costa, Yulya, de André Marques, Bunker, de Sandro Aguilar e Vila do Conde Espraiada, de Miguel Clara Vasconcelos.



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