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Diamanda Galás e a Santíssima Trindade (ao avesso)

A artista regressa a Portugal, mais de uma dezena de anos depois, para três concertos em Lisboa, Porto e Braga, já no mês de Fevereiro.

A sua voz imaculada, cheia de significado(s) e precisão, torna possível (e necessária) qualquer ideia de sagrado, no seu sentido mais dilatado, agregador e coincidente. Seja o que for uma ‘canção-oração’, Diamanda Galás veicula o rito, rompe com o ‘dito por não dito’, transforma cada palavra em grito, é uma fonte de infinito. 

São mais de quarenta anos de presença soberba, sem ‘pompa e circunstância’, antes um ‘abalo sísmico’ que nos revira, inquieta e desconcerta. Pessoa real e sem ornamentos que surge, por sua vez, agitada mas sem hesitações – uma metamorfose simbólica que transforma o que perturba em cura. Não é penso rápido, não é prescrição nula e temporária – a sua arte é resistência, é urgência. 

O ano transacto correspondeu a uma ‘reedição remasterizada’ de algumas das suas composições, nomeadamente o álbum “You Must Be Certain Of The Devil” (de 1988); e “De-formation: Second Piano Variations” (uma recomposição musical para piano a solo do poema ‘Das Fieberspital (The Fever Hospital)’), gravado ao vivo na Primavera passada. 

Galás é intemporal, uma força-motriz das ‘cambalhotas’ esteticamente políticas e sociais que se vão sucedendo. Ser-nos-á concedida uma performance visual e sonora que causará reverberação contínua e aumentada. O final da década de 70 e o início da década de 80 do Século XX podem ter marcado a ‘introdução’ de Diamanda ao mundo; contudo, a perspicácia e a mordacidade que a caracterizam foram profundamente essenciais na sua emancipação perante esse mesmo mundo (atroz e desleal). A artista que vai, ironicamente, além da música avant-garde – um cruzamento de influências múltiplas, dona de um corpo-viagem sem intervalos. 

O concerto dia 11 de Fevereiro, pelas 21H, na Culturgest, em Lisboa, encontra-se esgotado. Paralelamente, o concerto de dia 14 de Fevereiro, pelas 21H30, no Theatro Circo, em Braga, ainda tem alguns bilhetes disponíveis. Finalmente, o concerto de dia 18 de Fevereiro, pelas 21H, na Casa da Música, no Porto, também conta com lugares desocupados. Os preços vão dos 35€ aos 45€. 

 



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