Dirty Beaches no terraço da ZDB a 21 de Julho

O rock n’ roll não foi certamente inventado por condutores exemplares. Não será sequer necessário pesquisar sobre o assunto para entender que o rock, enquanto cultura de estrada, esteve sempre nas mãos dos freaks, dos arruaceiros e dos junkies de velocidade. Mesmo sem ter vivido a época (e provavelmente espicaçado por isso), Alex Zhang Hungtai deixa-se possuir por todos esses personagens que fizeram com que o rock acontecesse em trânsito e não fechado em casa. É nesse estado de delírio que encontramos este canadiano de origem tailandesa, enquanto gere uma densa rede de memórias tóxicas, que desaguam depois no seu próprio universo – Dirty Beaches.

Existe, como é óbvio, um factor de novidade na ideia de um descendente de asiáticos a cantar como um Elvis Presley no seu estado mais psicótico. Mas a surpresa é muito mais que passageira, quando se percebe que Dirty Beaches dispõe de canções e não apenas de vácuo. Canções que, no mais recente álbum Badlands, parecem escolher o caminho a partir de uma garrafa de Coca-cola, que acabou de girar na estrada. Badlands é, de resto, um disco de febre e encruzilhadas, que começa em velocidade transgressora e termina como um carro de pneus virados para o ar, depois do inevitável desastre. A velocidade é o veneno e, ao mesmo tempo, o alimento.

Durante esse trajecto alucinado, o veículo Dirty Beaches não se acanha sequer de parar para roubar clássicos do doo wop, o legado do crooning e a restante música pop ingénua das décadas de 50 e 60. Não é de estranhar que isso aconteça numa série de discos imbuídos por um espírito de fora-da-lei. E toda esta ausência de limites faz de Alex Zhang Hungtai uma espécie de terceiro passageiro no carro que foi para a guerra em Delírio em Las Vegas. A corrida passa pela ZDB para um concerto especial a decorrer no terraço no dia 21 de Julho.



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