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DOP

DOP - Degustar, Ousar, viver o Porto... A verdadeira arte da gastronomia e do fine dining está plantada a meio caminho entre a Rua das Flores e a Ribeira.

Há um espaço no Porto que resume a cidade num paladar: por um lado, é moderno e explosivo nos sabores, mas nunca esquece as raízes tradicionais que dão cor e corpo ao que torna esta cidade tão peculiar.

A viagem pelos sentidos começa em pleno Centro Histórico do Porto, onde as Artes tomam a forma de um Palácio que, entre muitas outras coisas, já foi alpendre de Convento e sede do Banco de Portugal.

É neste cenário, amplo, modernizado e de beleza simples mas calculada ao detalhe que somos convidados a saborear a mestria do Chef Rui Paula, maestro dos sabores e que manobra como ninguém uma orquestra de paladares tão díspares quanto harmonizados.

A primeira paragem é prova disso mesmo, com as boas-vindas do chef a serem dadas ao sabor de um magret de pato a ser degustado literalmente à colherada. Antes do amuse bouche, porém, quem quis pode aproveitar uma seleção de pães de sementes, quentes e preparados na hora, que deram o mote aos sabores tradicionais que nos esperavam a seguir.

Como entrada, linguini nero de vieiras em molho carbonara, servido com ovas e bacon crocante, numa deliciosa combinação de texturas a provar que “salgado” é palavra que vale vários sabores.

Estava oficialmente aberto o apetite para o prato de peixe, que se fez acompanhar de um D’Alva Branco, Reserva de 2013, a fazer valer as castas da região.

Arrepiamos caminho com uma truta salmonada, acompanhada de legumes da época e coberta com uma folha de Pata Negra, a provar novamente que a terra e o mar se conjugam à mesa e a tradição pode ser o que era, mesmo ao cobrir-se de novos contextos e apresentações.

O molho de peixe assado feito em redução (e que demora mais de três dias a confecionar) é colocado na hora e dá um tom mais grave a uma palete de sabores já de si bem recheada… Ficamos com o gosto do quente e torrado na boca, enquanto desfazíamos a truta e a envolvíamos nesta amálgama perfeita em que o único dissabor ficava pela inevitável última garfada.

Felizmente, ainda íamos a meio das combinações a testar e, logo a seguir, fomos presenteados com um lombo de vitela branca envolvida em (crocantes) sementes de abóbora. Abóbora essa que, de resto, dominou o prato mais celebrado deste repasto, onde se conjugou na perfeição o apurado e o ligeiro travo doce dos elementos em animada comunhão.

Com uma multitude de sabores a explorar nesta seleção, fica difícil de saber o que destacar, mas entre a trilogia de cenoura e o puré de abóbora, apareceu-nos o intenso rabo de boi que, embora “acompanhante” desta dança do palato, acabou por ser o ponto alto deste jantar. De outro mundo e para saborear devagar, regado a Tinto Mapa Reserva de 2012 (não se preocupe se lhe apetecer outra coisa: a carta de vinhos, recheada de propostas nacionais e internacionais, impressiona).

Lá fora, vê-se o Porto a escorregar pelas amplas portadas e janelas, que vão deixando entrar a magia da noite enquanto provamos um Porto à temperatura ideal. Os empregados dançam à nossa volta, colocando na mesa de decoração simples as verdadeiras obras de arte a ter em conta neste espaço: os pratos.

Não é à toa que estamos no restaurante portuense de um dos mais celebrados chefs portugueses…

Depois de limparmos o palato com uma mousse de cevada com creme de manteiga de amendoím, eis umas das opções mais criativas do menu: uma falsa laranja de abade de priscos, genialmente servida com pão de amêndoa e sementes, triângulos do famoso pudim, crocantes de amêndoa e gomos de laranja cobertos de açúcar crocante. Doce a mais? Não há problema: o centro do prato corta o (delicioso) enjoo com o amargo natural da laranja.

O jantar termina com um café e um miminho à escolha de um generoso tabuleiro de mignardises, a deixar um doce travo que nos acompanha no caminho para casa.

O DOP fica situado no Largo de São Domingos, nas traseiras do Hard Club e a meio caminho entre a Rua das Flores e a Ribeira. É recebido desde 2010 no Palácio das Artes – Fábrica de Talentos e a imponência do edifício não deixa enganar quem por lá passa.

Tem capacidade para acomodar confortavelmente 90 pessoas entre os dois pisos que possui, sendo o segundo ideal para um jantar mais intimista e recatado, pois as mesas estão encaixilhadas em pequenas paredes que garantem mais privacidade.

Fotografia de Catarina Costa

Segunda a Domingo, das 19h às 02h00



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