Dogchild Prémios PlayStation em Espanha

Dogchild | Análise

Dogchild deixou-nos em pulgas para saber os próximos passos do Animatoon Studio na indústria!

No dia 13 de Janeiro chegou à PSN o jogo vencedor da primeira edição dos Prémios PlayStation em Espanha. Chama-se Dogchild e, a cargo do Animatoon Studio, foi com ele que este modesto estúdio composto por apenas 10 membros deixou a sua primeira marca na industria de videojogos. Nós já o jogámos e é seguro dizer que, ao longo de toda a nossa experiência, foi transparente o empenho e dedicação, bem como a paixão por esta vertente, cada vez mais competitiva e onde cada vez é mais difícil vingar. Mas afinal de contas, de que é que trata Dogchild? Bom, neste jogo vamos acompanhar a aventura, repleta de acção, de Tarpak e do seu cão Tarao. Fã de Parkour, Tarpak sente também um grande carinho e respeito por todos os os animais e, como tal, após o misterioso desaparecimento dos seus pais, jurou protegê-los de quaisquer ameaças. Acontece que Tarpak não ficou sozinho, pois com ele ficou o seu fiel companheiro Tarao. A dada altura, no parque onde Tarpak treina, esta simpática dupla de protagonistas repara que algo não está bem. A cada dia que passa, mais o desaparecimento em série de animais domésticos se faz notar. Sem animais para passear, os donos perderam a razão para lá ir e o parque ficou, por fim, ao abandono. Intrigado, o nosso carismático vigilante resolve investigar. Ao descobrir que a empresa Cornish está por detrás de tudo isto, juntamente com Tarao, Tarpak está assim prestes a embarcar numa aventura emocionante que, quem sabe, pode até oferecer pistas sobre o misterioso desaparecimento dos seus pais.

A premissa acaba por ser mais complexa do que a história de Dogchild realmente é mas não deixa de ser bem original. Pelo seu teor didáctico depressa fica claro que este é um jogo concebido com a malta mais jovem em mente só que, mesmo assim, é com relativa facilidade que consegue captar o interesse dos jogadores mais velhos, numa espécie de “deixa lá ver onde é que isto vai dar!” Não obstante, de início ao fim, os vários capítulos em que se divide a história do jogo levaram-me a cenários todos eles diferentes e todos eles muito bem conseguidos. Isto sobretudo no que diz respeito ao grafismo. Acreditem que fiquei agradavelmente surpreendido por Dogchild trazer consigo toda uma série de cenários completamente tridimensionais – fugindo ao refúgio do 2D habitualmente escolhido por outros estúdios ainda a dar os seus primeiros passos – e agradáveis o suficiente para que tenha ficado com vontade de os explorar na totalidade em busca de coleccionáveis que os produtores engenhosamente deixaram por lá espalhados.

Muitas vezes vamos dar por nós em cenários repletos de inimigos, armadilhas ou até uma mistura dos dois. Para superarmos estes desafios há que saber explorar bem as habilidades dos dois protagonistas. Podemos alternar entre um e outro e saber quando o devemos fazer vai ser crucial. Como fã de Parkour que é, Tarpak pode saltar e alcançar plataformas mais altas ou até trepar por algumas estruturas ao estilo de Assassin’s Creed mas, curiosamente, a arma com a qual se vai defender contra lobos, seguranças, drones e por aí fora, é a sua bola de borracha. Com ela podemos atordoar qualquer inimigo que se cruze no nosso caminho e para isso basta apenas apontar e alinhar a trajectória da bola até ao alvo. Sendo de borracha, faria todo o sentido que pudéssemos fazer ricochete com a bola em várias superfícies e é exactamente isso que acontece. Mais, se a isso juntarmos um sistema de lock-on em bullet time, podemos até atordoar mais do que um inimigo em simultâneo e esta simples bola de borracha fica bem mais ameaçadora. Só que infelizmente há problemas técnicos que afectam a nossa precisão e que acabam por comprometer um pouco esta experiência. Apontar com a bola e alinhá-la com a trajectória desejada leva algum tempo e, como tal, situações onde precisemos de maior rapidez de reacção por parte do nosso simpático Tarpak podem levar a algumas frustrações.

Já com Tarao o mesmo não acontece e de tudo o que fiz no jogo, controlar este simpático herói de quatro patas foi o que mais me divertiu no jogo. Este nosso amigo, pode infiltrar-se em qualquer local sem atrair atenções indesejadas mas caso nos seja conveniente, pode ladrar para distrair um guarda, por exemplo. Se recorrermos ao seu olfato podemos encontrar pistas e objectos enterrados  em vários locais e com urina, pode marcar território para que não nos percamos e até fazer alguns inimigos escorregar nela, o que pode levar a algumas situações bem caricatas.

Como disse, saber quando alternar entre os dois protagonistas vai mostrar-se crucial, sobretudo em lutas contra bosses. A minha experiência com Dogchild foi bastante agradável mas mentia se dissesse que não me levou algumas vezes ao desespero. Aos problemas técnicos que mencionei, juntam-se momentos em que o jogo me deixou à deriva sem saber bem para onde ir para continuar a a história do jogo e a câmara que por vezes parecia estar do lado do inimigo. Situações pontuais mas que acabaram por comprometer a fluidez e a descontração que este jogo tenta transmitir.

Felizmente que os checkpoints são mais do que muitos e que estamos sempre bem acompanhados por uma óptima banda sonora que rapidamente nos envolve e acalma. A arte conceptual é do melhor que já tenho visto e dá-me vontade de ver uma banda desenhada inspirada neste jogo. Fica a ideia, malta da Animatoon Studio! Por €12,99 podem viver a aventura de Tarpak e Tarao mas pensem antes de comprar este jogo. Não vão comprar um AAA, mas vão encontrar uma aventura irreverente, onde é notória a dedicação e empenho dos seus criadores. Além disso, vão dar uma maior firmeza aos seus passos e acreditem que estou curioso em saber o que mais terão para nos mostrar no futuro!

 



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