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Dreams | Review

Creatividade sem limites.

A Media Molecule sempre nos habituou a mundos incríveis, que necessitavam da criatividade dos seus jogadores para ultrapassarem o conceito. Destacam-se por oferecerem uma sensação de exploração imensa e um sentimento de orgulho pelas horas dedicadas às criações. É claro que falo dos jogos Little Big Planet, não esquecendo também a pequena e única aventura que foi Tearaway, sendo este o último projeto do estúdio. Após 6 anos, surge um novo e inovador mundo a explorar: Dreams.

Este não é apenas um jogo, é uma plataforma rica e extensa de criação, não se limitando desta vez apenas a jogos mas extendendo-se à arte, cinema, música e quem sabe algo mais. Dreams apresenta-se sem dúvida como um paraíso para os sonhadores que adoram criar.

Ao abrir o jogo pela primeira vez, somos diretamente acompanhados por tutoriais bastante acessíveis que serão fundamentais para tirar o máximo proveito das ferramentas de criação disponíveis. A partir daí, cabe ao jogador começar a criar ou  explorar as criações de outros jogadores.

// Art’s Dream

Para termos uma visão das capacidades de criação do Dreams, o ideal será experimentar o jogo Art’s Dream. Este é uma espécie de “single-player mode” que a Media Molecule preparou para os jogadores, de forma a percebermos o conceito de Dreams e servindo como base de inspiração para futuros projetos que possamos criar.

Um pequeno vislumbre do protagonista, Art

Como o nome indica, este é o sonho de Art, um músico que está ultrapassar momentos difíceis na sua carreira. Este jogo apresenta-se como uma narrativa muito bem conseguida e simpatizante através do protagonista.

Em termos de jogabilidade, conseguimos ter uma noção das capacidades do Dreams ao explorar vários cenários/mundos diferentes que fazem parte do sonho de Art. Estes apresentam uma mistura de várias géneros de videojogos, desde plataforming, point-and-click e até twin-stick shooting, oferecendo assim uma experiência variada e bastante divertida.

Sem dúvida, Art’s Dream é uma jornada interessante e bastante apelativa, que serve como a base do Dreams e é algo que todos devem experimentar antes de tudo.

 

// Visuais e áudio

Dreams é um espetáculo visual devido à sua arte lindíssima e ao seu design gráfico excelente e cuidado. Tudo isto, num aspeto cartoon misturado com realismo criando uma identificação visual única e apelativa. É claro que os jogadores podem brincar com estes visuais nas suas criações, ou seja, também cabe ao jogador decidir como quer expressar visualmente o seu projeto.

Um exemplo de uma apresentação visual artística

A nível de aúdio, o jogo está muito bem conseguido, sendo possível criar os nossos próprios sons, vozes e música de raíz. É possível recriar músicas já existentes e até de outros jogos, como por exemplo, o clássico e nostálgico Green Hill Zone do Sonic The Hedgehog que já tive oportunidade de ouvir algumas vezes.

 

// Jogabilidade

Criar é o coração da jogabilidade de Dreams. Isto não quer dizer que estamos limitados apenas à criação, pois é possível disfrutar apenas das criações de outros jogadores.

Tudo no Dreams são sonhos (que correspondem às criações) e estes são construídos com mecânicas de criação acessíveis mas que podem tornar-se bastante complexas dependendo da escala do projeto.

Homespace, é o mundo de cada jogador (perfil) sendo possível ser visitado por outros jogadores

Desde a criação de mundos, ao som e aos visuais, tudo exige bastante trabalho e dedicação, incluíndo as criações mais simples. A criação de uma personagem seria o suficiente para nos deixar a sorrir. No entanto atribuir-lhe movimentos e expressões já seria mais complexo.

Para além disso, Dreams possui mecânicas que quase podemos enquadrar na programação, como a atribuição de físicas, controlos, entre outras coisas como cutscenes. Diria que as possibilidades podem ser infinitas e será interessante ver onde a comunidade irá levar este jogo, visto que é dela que Dreams depende.

No entanto, apesar das imensas possibilidades disponíveis, estas também apresentam um desafio ao jogador. Como ter de se adaptar e dirigir todas mecânicas que pretende incluir no seu projeto. Tirar o máximo proveito da criação do Dreams é uma tarefa longa e complexa. É neste sentido, porém, que o jogo oferece bastantes tutoriais interativos e acessíveis para compreendermos tudo sobre as suas ferramentas.


“DreamSurfing” é onde podemos procurar e disfrutar de sonhos de outros jogadores

Os controlos de criação, por defeito, funcionam em conjunto com motion controls. Apesar de acessíveis poderá ser necessária uma adaptação. Os motions controls estão implementados para controlarmos o nosso Imp (funciona como um rato de computador). É com ele que podemos arrastar, agarrar, posicionar, selecionar e muito mais.

Será necessária alguma precisão com o comando em conjunto com a movimentação da câmara, sendo esta última controlada de forma tradicional (thumbstick direito). Para os jogadores que preferem os controlos de câmara invertidos, infelizmente vão ter ainda mais dificuldade, pois apenas é possível inverter o eixo Y da câmara.

Em termos de “jogabilidade”, vai sempre depender de como o jogador otimiza os controlos e física no seu projeto. Existem projetos com uma jogabilidade boa e outros que precisam de mais trabalho. No fundo, é mais um desafio que envolve dedicação e gosto pelo sonho que se está a construir.

 

// Longevidade

A longevidade do Dreams é uma incógnita, pois é um jogo que vive principalmente da sua comunidade e, enquanto esta for ativa, o jogo terá um longo rumo pela frente. A Media Molecule continua a realizar um excelente trabalho ao suportar o seu jogo com atualizações e eventos. O “Community Jam” é um modo que desafia os jogadores a criarem sonhos com temas diferentes a cada evento. É uma iniciativa divertida e apelativa para manter a criatividade a trabalhar.

Este jogo não tem limites, pois podemos passar horas a criar e a jogar. Enquanto a comunidade continuar a participar será sempre assim. Se seguir o exemplo de Little Big Planet, acredito que a comunidade se manterá ativa por vários anos.

Recomendo experimentarem este sonhos:

  • Sonic Legends v0.1 ALPHA por iDexTiGer;
  • Ball Hopper por Entropy-Tamed;
  • T (1.04) por lewisc729;
  • Kuro: A Shadow’s Dream por Bawnanable;
  • Rally 2020 por TheLOSToneNL;
  • AVATAR por Elca_Gaming.

 

// Veredito

Dreams é dos jogos mais únicos que existem, com possibilidades inacreditáveis de criação com base em controlos e mecânicas acessíveis para qualquer jogador e complexas para os mais dedicados. Porém, é também um jogo que depende e vive da imaginação de cada jogador e do quanto ele está disposto a sonhar.

Desde o lançamento que tem mostrado um crescimento incrível e estável, com uma comunidade fantástica e talentosa. Este é, sem dúvida, daqueles jogos que nos deixam a sorrir constantemente pela sua criatividade e divertimento.

Nunca um jogador teve tanto poder no comando.

 

Prós:

  • Incríveis possibilidades de criação.
  • Esplendor visual e artístico.
  • Longevidade sem limites.
  • Experimentar as criações de outros jogadores.

Contras:

  • Adaptação nos controlos e mecânicas do jogo.
  • Um jogo que depende imenso da comunidade.

 

N.º de Porta:­

9/10



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