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Esperanças para 2012

Tal como “cada criança que nasce é mais uma prova que Deus continua acreditando nos homens” (Saúl Ricardo), cada ano novo é uma oportunidade para que tudo fique melhor - na economia, no tempo e, acima de tudo, na cultura pop. Daniel Reifferscheid lança algumas preces para o bem-aventurado 2012.

Um sucesso de bilheteira para o Edgar Wright

O homem criou “Spaced”, uma das melhores sitcoms britânicas das últimas décadas. E entre “Shaun Of The Dead”, “Hot Fuzz” e “Scott Pilgrim Vs The Universe”, ainda não pôs o seu nome num mau filme. Mas o público em geral não achou o mesmo, e “Scott Pilgrim” – apesar de ter ganho uma audiência de culto – foi largamente visto como um fracasso. Está bem que havia lá muita coisa que pode alienar – o sabor indie, o geek chic, alguns dos actores escolhidos – mas qualquer realizador que consegue meter coreografia de combate digna de Hong Kong num filme com o Michael Cera merece a nossa adulação eterna. Edgar Wright no mainstream de 2012 – tem que acontecer.

Um nome menos idiota para o Pós-Dubstep

Já é consensual em muitos círculos que os novos sons que têm emanado do Reino Unido nesta fase em que já se assistiu ao Dubstep, ao UK Bass e ao UK Funky House podem ser contados entre as coisas mais entusiasmantes do panorama electrónico actual. Falta é um nome: “Pós-Dubstep” é demasiado limitador, uma vez que muitos dos produtores envolvidos nem sequer contam o estilo entre as suas influências; “UK Sounds” peca pelo oposto, é excessivamente genérico (alguns dos meus artistas favoritos de UK Sounds: Lonnie Donnegan, Cabaret Voltaire, The Kinks e Ned’s Atomic Dustbin), para além de ser o nome menos provável de causar excitamento de sempre. A influência dos críticos de música, todos sabemos, tem diminuído consideravelmente ao longo da última década – arranjar nomes para as cenas é um dos poucos nichos que nos restam. Mãos à obra, colegas!

Menos – ou melhores –  canadianos na música negra

Há muita coisa em que os candianos são imbatíveis: neve, comédia, bandas desenhadas tristes sobre coleccionadores, cantautores depressivos. Mas os seus esforços durante os últimos anos no R&B parecem querer fazer jus à grande definição do país como sendo The Great WHITE North. Primeiro veio uma ex-estrela de telenovela chamada Drake, que vende milhões e recebe críticas positivas ao monte enquanto encarna os piores aspectos dos últimos trabalhos do Kanye West (o ego gigantesco, a postura chorinhas) sem adicionar as qualidades que deram sucesso ao ‘ye dos anos anteriores (o instinto para boas batidas, o conhecimento digger, as narrativas de homem comum); depois, por pedido do mesmo, apareceu uma aberração em mixtapes chamada The Weeknd, presumivelmente prezada por pessoas que ignoraram a evolução do R&B durante as últimas duas décadas por ser “comercial”, e que agora se deixam maravilhar por truques antigos feitos sem grande brio. Altura de ser mais severo nas leis da emigração musical, digo eu (Kardinal Offishal, não ligues, isto não é contigo).

Edições especiais para DVD de filmes pornográficos

A indústria pornográfica deverá estar ainda mais afectada pelo espectro do file sharing do que os restantes sectores de entretenimento; se ainda há muita gente que não se importa de gastar uns tostões para apoiar a Adele ou o Terrence Malick, a Tori Black e a Isis Taylor não despertam a mesma fidelidade. Como competir com as legiões de páginas web que oferecem visionamentos de coito à borla, mesmo que emoldurado por publicidade para aumentar o tamanho do pénis e janelas de chat do Facebook falsificadas? Tratando a pornografia como arte: já é mais que altura para uma Criterion Collection do porn. Notas elucidativas, guiões originais e, acima de tudo, comentários, nos quais será explicada a motivação da personagem que vem entregar a pizza, o valor semiótico de um cameo do Ron Jeremy e as, sem dúvida hilariantes, peripécias dos out-takes.

Um jogo altamente que não faça parte de uma franchise, não tenha toques retro e que não seja um FPS

Será pedir muito? A febre das sequelas sempre foi grave no mundo dos videojogos, é certo, e longe de mim franzir o nariz perante um novo “Elder Scrolls” ou “Grand Theft Auto”; a cena do shooter nunca foi a minha onda (pais hippies, o que é que se há-de fazer?), mas também tem o seu lugar. O problema é que, juntas, estas duas categorias são quase todo o mercado de jogos mainstream relevante. E o indie gaming? Continua, em grande parte, preso a uma nostalgia eterna, insistindo sempre em fornecer sidescrollers, estética de 8 ou 16 bits, tributos a títulos passados ou actualizações de personagens clássicas. E tudo isto, devo frisar, também pode ser bom, divertido e válido – mas não haverá outra forma de escapar ao status quo que não seja mergulhar no passado, mesmo num meio tão jovem como são os videojogos?

Um filme para todas as séries fixes canceladas no passado e possivelmente prestes a ser canceladas

Mas só um! Após os eventos de “Arrested Development” (ou “Arrested Development – De Mal A Pior”, para quem se quer manter fiel ao título português), a família Bluth encontra um novo emprego a trabalhar no serviço de catering do “Party Down”. Aí, conhecem a protagonista de “Dollhouse”, que se encontra numa missão secreta para descobrir a localização de uma máquina do tempo que irá levar toda a companhia ao Faroeste de “Deadwood” e ao futuro de “Firefly”. A última coisa que li sobre o “Community” diz que a série vai continuar, mas se não for o caso, não te preocupes Hollywood que também consigo meter o pessoal de Greendale lá dentro.

O regresso de “Eu Tenho Dois Amores” à RTP Memória

Sejamos honestos: a televisão portuguesa serve para uma coisa e uma coisa só. Serve para mostrar, vez após vez, aquela era dourada durante a qual o Marco Paulo se transformou num Alan Partridge português e lançou o melhor programa de variedades desde o “Muppet Show”. Seja a intimidar criancinhas;

a transpôr temas dos ABBA para a língua de Camões;

ou a inquirir sobre o futuro longínquo de 2001,

Marco Paulo é o verdadeiro Rei da radiotelevisão portuguesa. Por mim metia-se o “Eu Tenho Dois Amores” a dar em todos os canais de sinal aberto, mas à falta disso aceito uma simples reposição na RTP Memória.



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