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Terry Richardson

É um dos mais conceituados fotógrafos da actualidade. Há quem o defina como o criador da estética underage retro porn. Trabalha para revistas como a Vogue e a GQ, produziu o calendário Pirelli deste ano e já fotografou Barack Obama. Conheçam Terry Richardson, que em míudo "curtiu" com a filha de Jimmy Hendrix.

Terry nasceu em Nova Iorque em 1965, filho do famoso fotógrafo de moda dos anos 60, Bob Richardson, e da produtora de moda Norma Kessler (aka Annie Lomax). Os primeiros anos da sua vida passou-os em Paris, quando o pai deixou a Harper’s Bazaar americana e passou a trabalhar para a Vogue francesa. Ao quinto aniversário de Terry, a família regressa a Nova Iorque. O pai inicia, pouco tempo depois, uma relação com a então modelo Angelica Houston (23 anos mais nova), e a mãe envolve-se com Jimmy Hendrix e mais tarde com Kris Kristoferson, até se mudarem para Woodstock. “Lembro-me de estar com todas estas pessoas nos estúdios – Rick Danko e a sua banda e o Bob Dylan. Era fixe porque nas festas andava toda a gente completamente fora com drogas e álcool, e nós as crianças andávamos por ali até às tantas. Lembro-me de curtir com a Maria Muldaur, filha do Jimmy Hendrix.” E assim cresceu Terry Richardson.

Começou por tirar fotografias na altura do liceu, em Hollywood, mas o pai desencorajava-o a fazer da fotografia modo de vida. Terry foi guitarrista de uma banda durante cinco anos, até o grupo se desmembrar e a mãe o apresentar ao fotógrafo Tony Kent, que o admitiu como assistente. No início dos anos 90, Richardson fotografa uma fotonovela de moda para a Vibe Magazine, cujo enredo se focava no quotidiano de um gang de teenagers. Phil Bicker gostou do resultado e contratou-o para fotografar uma campanha para Katharine Hamnett.

Hoje é frequente vermos o trabalho de Richardson em revistas como a Vogue, i-D, GQ, Harper’s Bazaar e Purple. A 37ª edição do calendário Pirelli foi dirigida e fotografada por Richardson. Nas 30 imagens alusivas aos meses de 2010, Terry Richardson retrata um regresso a um Eros puro e jocoso, um regresso às atmosferas naturais e autênticas dos anos 60 e 70 do século passado. É uma clara homenagem às origens do calendário, um regresso às primeiras edições de Robert Freeman (1964), Brian Duffy (1965) e Harry Peccinotti (1968 e 1969).

O seu trabalho e os corpos que fotografa são identificados com facilidade. Há quem o defina como o criador da estética underage retro porn, tão bem plagiada e utilizada por Dov Charney, o chefe da American Apparel. Outra das marcas de Terry é a sua própria figura, inspirada nas estrelas porno dos anos 70: óculos escuros de massa à geek, camisa de xadrez em versão vermelho/preto ou azul/preto, braços tatuados e bigode. Foi assim que a Uncle York, fabricante de bonecos, em parceria com as lojas Tokyo Element e Collete, lançou no ano passado o boneco/caricatura do fotógrafo.

A revolução das campanhas da Sisley, a censurada campanha de Tom Ford, Batman & Robin, e o projecto Mom fazem parte da lista interminável de imagens que têm marcado a história da arte dos nossos dias. É, por isso redutor chamar fotógrafo de moda a Terry Richardson. Ele é um dos mais conceituados fotógrafos dentro da estética snapshot – movimento cujas fotografias captam imagens banais do dia-a-dia, não encenadas, e que teve origem nos EUA durante os anos 60 – e inspiram-no alguns dos melhores representantes dessa mesma estética, como a fotógrafa Nan Goldin e o realizador Larry Clark (Kids, Ken Park). “A minha técnica é a ausência de técnica: a lente é o meu olho, o meu carisma, a minha capacidade de capturar momentos de verdade, sejam eles quais forem, ângulos de imagem, uso da cor, luz, cenário – esses sempre foram os aspectos essenciais da minha arte fotográfica.”

As suas fotografias são normalmente sobre assuntos pessoais e frequentemente de cariz sexual. Ao longo dos anos, passou a dedicar mais tempo ao trabalho fora do contexto da moda. Tornou-se mais hardcore e mais descritivo da sua própria vida sexual. “Eu gosto de pôr imagens de sexo em revistas mainstream, que não sejam revistas porno. Nas revistas porno, vais ver penetração e pessoas a foder e a foder, mas parece tudo o mesmo ao fim de algum tempo”. Segundo Terry, uma das vantagens da profissão que tem é que consegue manter mais relações sexuais e fazer disso trabalho. Talvez por isso ele seja o fotógrafo que mais se fotografa, quer sozinho quer com os modelos que contrata.

Se a magia das imagens de moda está na relação criada entre fotógrafo e fotografado, nas imagens de Terry dá para entender que ele é perito em escolher quem fotografar. Para Terry, o segredo está no casting dos figurantes. “Se o casting corre mal está tudo fodido. Se consigo pessoas que sabem o que é que se vai passar, e que estão nessa, basta deixá-los entrar nas suas personagens”. Entre os ilustres que fotografou estão Chloë Sevigny, Mena Suvari, Frankie Rayder, Kate Moss, Jake Gyllenhaal e Barack Obama.

Desde o natal de 2009 que Terry actualiza diariamente o seu fotoblog, relatando os bastidores das sessões de fotos e curiosidades da sua vida, ainda que menos exposta do que o que nos tinha vindo a habituar.



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