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Festival Terapêutico do Ruído

Day 2 @ Musicbox.

A abrir o segundo dia do Festival Terapêutico do Ruído esteve Bee Gees, um baterista mascarado e de tronco nu que deu a actuação mais brutal – num sentido bem literal – do evento. Instrumentais rápidos e cheios de poder que proporcionam ambientes de terror, tanto sónico como visual. Há paisagens mais calmas – que não duram muito – e partes que parecem improvisadas. O baterista jogou com a iluminação e acabou a actuação com uma poderosíssima investida. Foi um dos grandes momentos do evento.

Mais cedo do que o previsto e quatro meses depois da última actuação, os Loosers sobem ao palco do Musicbox. A banda cria ambientes adversos e misteriosos e usa e abusa dos efeitos. As partes vocais (?) nem sussurros chegam a ser e mesmo essas partes são mais usadas para obter novos tipos de sons do que para adicionar melodias ou harmonias. Actuação competente com percalços aqui e ali – no espaço de dois minutos, palheta e baqueta caíram ao chão. 

Vieram depois os Frango e a hipnose geral. O duo do Barreiro apresentou-se como sempre, com a sua parafernália electrónica. Música experimental que se passeia por paisagens psicadélicas e que tem um efeito suporifero, o que no fundo não é mais que um elogio – havia quem estivesse de olhos fechados. O set dos Frango pede que nos deixemos levar. Na plateia notava-se um certo desinteresse, com muita conversa e pouca atenção. O que se passava em palco servia mais como fundo sonoro para as conversas na plateia.

Os Plasma Expander são três indivíduos italianos muito singulares. Não tanto pelo som que praticam, mas mais pela imagem que os mostra vestidos de enfermeiros. Faz sentido. A actuação é viral, contagiosa. Há um manifesto entusiasmo de quem está em palco e de quem assiste à última actuação do evento. Faz sentido também, porque o que emana do palco é uma espécie de terrorismo sónico – descargas eléctricas brutais, riffs viris e um bom investimento no jogo de luz. Nas escassas palavras dirigidas à plateia – essas escassez foi uma constante ao longo do evento, o que não é necessariamente mau num invento deste tipo – um dos guitarristas confessa: “we love bagaceira”. Foi ouvir a palavra “bagaceira” até ao fim de uma actuação que foi bem conseguida e exclusivamente instrumental. O encore estava planeado, mas não foi tão pedido como seria de esperar.

Fotografia por João Paulo Pires.



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