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Festival Terapêutico do Ruído – Report

Primeiro dia de terapias sonoras @ Musicbox. 5 de Fevereiro de 2010.

As premissas já eram prometedoras: divulgar os efeitos terapêuticos do ruído. O primeiro festival de 2010 reuniu alguns dos projectos mais desafiantes do panorama nacional no Musicbox, no passado dia 5 de Fevereiro.

R-, personagem de farta cabeleira, fez questão de justificar a sua presença no evento. Quer isto dizer que houve muito ruído durante o curto set do artista. Apenas munido de uma bateria e equipamento electrónico, R- conseguiu a actuação mais barulhenta do festival. O ruído era tal que foi preciso chamar um público que se manteve afastado do palco desde o início da performance. Efeitos na voz, gritos abafados, sons que mais pareciam sirenes, ambientes claustrofóbicos, muito improviso e um percalço – um dos pratos da bateria chegou a desapertar-se.

Seguiu-se a actuação do festival. Curiosamente, o concerto dos próprios organizadores do evento. Referimo-nos aos dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS. Ao que parece, o projecto andou ocupado a dar concertos em padarias do povo – 27 ao todo. Façanhas à parte, este foi um concertão. Desde logo, um entra e sai caótico entre os membros da banda. Logo à segunda canção, uma personagem salta do meio do público para se juntar à banda em palco, onde se despe e volta a vestir para encarnar o papel de malabarista – desses do circo. Junta-se ao saxofone, guitarra, baixo, bateria, baixo e voz. No resto do espectáculo vemos um entra e sai constante. Principalmente do teclista X, o malabarista soRRisoeMeio e o homem dos sopros – cuja informação não aparece disponível no myspace da banda. A guitarra procura efeitos e distorção, o baixo está também distorcido, as letras são debitadas – de vez em quando – num inglês (?) quase imperceptível. Há momentos bizarros como “o maior truque da existência do circo”, segundo o baixista, que mais não é que girar uma escova de dentes com a mão. Há referências psicadélicas e alguns pontos de contacto com o disco de estreia dos Health, principalmente no que a agressividade diz respeito. Perto do fim, com o regresso da voz, chegam a soar punk e distinguimos algumas palavras: “you’ve 25% of discount on every product”. Nós temos apenas duas: grande concerto.

Na última actuação da primeira noite, os Rosvita ofereceram também eles uma excelente actuação. O trio espanhol, que tem como foco um baterista de estilo muito particular, ofereceu descargas eléctricas furiosas e rápidas. As canções compostas por guitarra, baixo, bateria e teclas são barulhentas e entusiasmaram o público do Musicbox. Perto do fim, o baterista salta do palco e estamos todos à espera que venha para o meio da plateia destruir um instrumento. Antes pelo contrário, monta um trompete e passeia-o no meio do público. Antes de um encore não planeado, mas pedido pela assistência, o baterista vem ocupar o micro para um momento de rara acalmia que é também o que menos resulta em todo o espectáculo.

Fotografia por João Paulo Pires.



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