“Filosofia para a vida e outras situações perigosas” | Jules Evans

“Filosofia para a vida e outras situações perigosas” | Jules Evans

Da filosofia como auto-ajuda

No prefácio de “Filosofia para a vida e outras situações perigosas”, Jules Evans trata de elevar a fasquia e mostrar ao que veio: «Este livro é a minha escola de sonho, o meu currículo ideal, a minha tentativa de mostrar como seria conseguir ingressar na Escola de Atenas. Para isso, reuni 12 dos mais proeminentes professores da Antiguidade para nos ensinarem coisas que são amiúde esquecidas pela educação moderna.»

A ideia geral é a de que a filosofia deve deixar as salas bafientas e o debate privado, voltando a ser discutida nas ruas e ajudando a vida dos homens a mudar para melhor. Aliás, o próprio autor confessa como a filosofia foi a luz ao fundo do túnel quando, a uma licenciatura concluída com alguma distinção, se seguiu um esgotamento nervoso diagnosticado como stress pós-traumático, fobia social e depressão.

Foi ao descobrir que toda a trapalhada emocional em que estava envolvido podia ser curada – ou pelo menos amansada – através da Terapia Comportamental Cognitiva – TCC –, que embarcou numa viagem até à Antiguidade e à filosofia grega. Este livro será, assim, qualquer coisa como a filosofia antiga transposta para a psicologia moderna, um guia de auto-ajuda com muita filosofia pelo meio.

Jules Evans entrevistou soldados, eremitas, gangsters, astronautas a anarquistas, e ouviu como a filosofia antiga lhes tinha mudado a vida, para além de ter inspirado comunidades modernas – cafés socráticos, encontros estóicos, comunas epicuristas, cultos platónicos – e até mesmo nações, na busca pela vida ideal. Depois, para cada corrente filosófica retratada no livro, preparou três questões: que técnicas de auto-ajuda dela se poderão retirar? É possível elegê-la como modo de vida? Pode constituir a base de uma comunidade ou sociedade?

O resultado é um livro inspirador, com uma boa e saudável dose de provocação e que, ao estilo de uma aula intensiva em vésperas de um teste importante, mostra muitas das correntes e vultos filosóficos que atravessaram a Antiguidade: o pioneiro Sócrates, que além de eleger a Filosofia como grande motor da existência insistiu na relação desta com a saúde física e mental de cada um; Epicteto e o estoicismo, que usa a razão para ultrapassar a aversão ou o apego a factores externos; o regime espartano dos pitagóricos; Cícero e a auto-medicação filosófica; Séneca e a arte de gerir expectativas; Epicuro e a filosofia do prazer; Heraclito e a visão dinâmica do Universo; Pitágoras e a compactação da filosofia em máximas curtas e fáceis de decorar; os cépticos e a busca pela tranquilidade imperturbável; os cínicos e o abandono da civilização; a arte da anarquia; Platão visto como o último dos xamãs; Plutarco e a sociedade ideal composta por heróis políticos e militares; Aristóteles e a realização humana. É tempo de arrumar a mochila e ingressar na Escola de Atenas.

Uma edição Bertrand Editora



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