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Grouper + Norberto Lobo + Tiny Vipers + Inca Ore

Atmosferas, Acordes e Prazeres.

As noites de casa cheia já são algo de muito habitual na ZdB, para os lados da Rua da Barroca, no Bairro Alto. Para a sessão Prazeres, no passado dia 12 de Novembro, não foi excepção. O ambiente era o habitual. Descontraído. O pessoal ia chegando, fazia o pit stop no bar e seguia para o aquário ou para o pátio imediatamente antes da sala de concertos, para dois dedos de conversa e um cigarrito.

No meio de um cartaz dominado por projectos no feminino, todos eles oriundos dos Estados Unidos da América, encontrava-se um elemento estranho: Norberto Lobo. Deixem que vos diga desde já: a taça ficou em Portugal. É impossível ficar indiferente a um concerto de Norberto Lobo. Mas tudo a seu tempo.

Quando cheguei à ZdB, já o primeiro concerto levava alguns minutos de duração. O raio do metro à noite leva sempre mais tempo a chegar e se nos atrasamos um bocadinho que seja, esqueçam…

Inca Ore, Eva Saelens, de seu verdadeiro nome, colaboradora/membro de várias bandas/projectos, já estava em palco a apresentar o seu mais recente “Silver Sea Surfer School”. Foi de longe a prestação mais enérgica da noite, muito por culpa do seu som, que se passeia confortavelmente por territórios em nada alheios a algum psicadelismo, combinados de forma bastante eficaz com sons caracterizados por texturas densas. Não pude deixar de achar piada ao comentário que o pessoal que me acompanhava fez, quando disseram que a actuação de Inca Ore estava a fazer lembrar a de John Maus (numa versão feminina obviamente), naquela mesma sala, há uns meses atrás, no dia que deveria ter marcado a estreia dos Wavves em Portugal (ocorrerá em Dezembro e será, também, na ZdB).

Tiny Vipers era, para muitos, o nome mais aguardado da sessão Prazeres. Eu posso dizer que estava nesse grupo. Jesy Fortino subiu ao palco subiu ao palco para apresentar o excelente “Hands Across The Void” como seria de esperar: só e com a sua viola. Da viola iam saltando as notas que embalavam tudo e todos. A voz de Tiny Vipers encaixa-se de forma perfeita nas suas composições, quase sempre invariavelmente longas. Foi uma prestação muito minimalista mas longe de simplista, em virtude da forma como compõe, combinando técnica e melodia de uma forma muito sua. Que volte em breve.

Ver e, acima de tudo, ouvir Norberto Lobo ou, melhor ainda, a sua viola, é um prazer. Um privilégio. Uma honra. É tudo menos pretensioso dizer que está a nascer o sucessor de Paredes, com uma forma de ser e uma abordagem distinta, é certo. O público vê Norberto Lobo em palco mas o contrário nem sempre é verdade. Um primeiro dedilhar pelas cordas da viola e os olhos de Norberto Lobo fecham-se. É como se criasse o seu próprio plano de existência. Entre um ou outro tema («Mudar de Bina» é óptimo mas «Pata Lenta» consegue ser ainda melhor!) regressa ao nosso plano, para aquele já característico tímido e acanhado agradecimento. Um breve inclinar de cabeça, repetido várias vezes, ou a mão no ar. E logo de seguida volta ao seu plano de existência enquanto os dedos e a viola vão falando por si. Que continue assim.

Para fechar a noite restava ouvir Grouper, o projecto a solo de Elizabeth Harris. Como que para trazer equilíbrio à equação, o concerto de Grouper quase que podia ser descrito como estando entre os de Inca Ore e Tiny Vipers, juntando ainda uma pitada de electrónica, muito minimalista, daquela que para muitos até poderá passar despercebida, assim como quem não quer a coisa.

Uma noite bem passada, com diversidade musical, boas estreias, algumas certezas e uma imensa vontade que Prazeres destes se voltem a repetir o mais brevemente possível.



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