IndieLisboa aposta forte nas curtas

Todos os anos o IndieLisboa traz ao público a oportunidade de conhecer novos autores que se expressam no formato da curta-metragem, como acontece nas secções Competição Internacional e Cinema Emergente. Ao longo dos 10 anos do IndieLisboa, muitos desses cineastas tornaram-se uma presença habitual no festival e podemos agora encontrar as suas obras nas secções Observatório, a par de outros realizadores consagrados.

Em 2013, a Competição Internacional de Curtas Metragens é um reflexo da actualidade, um tempo agitado. O extraordinário Mass of Men, de Gabriel Gauchet, é umtwist inesperado numa história simples: uma entrevista no centro de emprego acaba de forma violenta. Rodri, de Franco Lolli, toca o mesmo tema com outro subtexto – o que leva um homem de 40 anos a depender financeiramente da família há quase uma década por não se querer sujeitar a um emprego qualquer? Em Feux, de Thibaut Piotrowski e Da Vinci, de Yuri Ancarani, saltamos para dois universos completamente distintos. Enquanto que com o primeiro regressamos ao passado francês de Jean Vigo, numa aventura de três irmãos que decidem fazer experiências intergalácticas, no segundo filme viajamos ao mundo da medicina actual, numa exploração do corpo e do espaço impressionante: o interior do ser humano, desordenado, em oposição à simetria hermética dos robôs que o operam.

Na secção Cinema Emergente destaque para dois filmes que desconstroem a problemática em torno da SIDA de forma subtil, empurrando-a para objecto secundário.Gabriel Mascaro, em A Onda Traz o Vento Leva, remete a questão para o seu lado mais despreocupado, filmando um surdo-mudo que não vê o facto de ser seropositivo como condicionante da sua vida sexual. Matt Wolf, na sua biografia/homenagem do artista e poeta Joe Brainard – que morreu da mesma doença – constrói a história de uma amizade entre dois homens através de imagens de arquivo dos anos 50/60/70.

Na secção Observatório encontramos nomes de cineastas que viajam entre a curta e longa metragem e que têm já uma relação duradoura com o festival, como é o caso de Ben Rivers (The Creation as We Saw It), Lewis Klahr (Kiss The Rain & The Street of Everlasting Rain), John Smith (Dad’s Stick), artista britânico que estará no festival pela primeira vez, ou os irmãos Josh e Benny Safdie (Black Balloon), que venceram o Grande Prémio de Longa Metragem em 2010 com Vão-me Buscar Alecrim, e que nos mostram agora um curioso balão nova iorquino que vai atrás de quem precisa da sua ajuda. Na programação de 2013 enocntramos também nomes como Apichatpong Weerasethakul, cuja impressionante filmografia o torna num dos realizadores contemporâneos mais aclamados, e Jochen Kuhn, artista e realizador interventivo, que imaginou um encontro romântico com Angela Merkel em Sonntag 3.



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