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Led Bib @ Jazz em Agosto (4.08.2012)

Space Rock.

A abertura da 29ª edição do Jazz em Agosto, na noite anterior, tinha ficado marcada por uma actuação algo sui generis do Sunny Murray Trio, que incluiu uma saída de palco, muita conversa e pouca música. Apesar de terem valido a pena as (curtas) actuações apresentadas, como escreveu Chema García Martínez, correspondente do El País, “un concierto de Sunny Murray puede resultar una experiência desconcertante en grado sumo.”

A actuação dos Led Bib na Fundação Calouste Gulbenkian era, portanto, aguardada com bastante expectativa. E, de uma forma geral, as coisas correram como esperado. Pode-se dizer que chegaram, tocaram e convenceram!

Com uma estrutura muito (demasiado?) clara e métrica, a formação de Londres liderada pelo baterista Mark Holub apresentou um reportório multidireccional, com raízes no funk, no heavy metal e no rock, recordando-nos e remetendo-nos frequentemente para tempos e sons que outrora marcaram a cena musical (durante o concerto ocorreram-me nomes tão distantes como Pink Floyd ou Ramones). Liran Donin foi um elemento fundamental na impressão deste estilo, tocando com muito groove no baixo eléctrico. Quando alternou para o contrabaixo, Donin foi também energético e fez sobressair o seu lado mais “puro jazz”.

A secção rítmica, composta por Mark Holub na bateria e Toby McLaren em Fender Rhodes, esteve a um grande nível, com o segundo a produzir sons que nos transportaram para um cenário space rock.

Concebidos inicialmente com um sax alto e um trompete, os Led Bib apresentam-se hoje em dia com dois saxofones altos. Uma opção que, segundo Mark Holub, resulta bem pela beleza crua deste instrumento. No entanto, os dois saxos soaram por vezes demasiado estridentes. Além disso, e embora os papéis dos saxofonistas fossem diferentes, Pete Grogan teve uma actuação discreta e sem grande espaço para solar, quando comparado com Chris Williams que se destacou com muita elegância.

Detalhes à parte, a banda de Londres impôs muito ritmo e proporcionou uma noite muito agradável, propícia a atrair novos públicos.

Eu gostei muito, outros talvez não concordem e certamente existirá quem não tenha gostado. Mas a música é isto mesmo, uma indústria de sensações, livre, onde cada um sente de maneira distinta.

Fotografia por Rui de Freitas. Galeria fotográfica aqui.



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