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Juventude Transgressora do séc XXI

Os hábitos, os costumes e o estilo são breves referências da mutação que a sociedade está a sofrer. Dentro da cultura Vintage e de recuperação do passado, há algo de extravagante na maneira de vestir

Todas as viragens de século têm como norma uma mutação de valores e de premissas.

Esta não foi diferente. Se analisarmos cautelosamente e a fundo o que foi 1913 com o que é 2013 conseguimos entender que, de uma maneira geral, existiu uma gradual mudança de valores imposta nos séculos anteriores, na arte, na economia e até mesmo na organização da sociedade. Os regimes obsoletos e opressores, as revoluções sociais e o conflito abismal de gerações levam a uma evolução civilizacional.

É claro que a dimensão e a rapidez onde nós, enquanto geração, estamos inseridos, é certamente diferente da do século XX; mesmo assim, há hoje em dia o abismo que é preciso para mudar a direção da sociedade. Uma das razões mais gritantes é o facto de as estruturas sociais vitais, políticas e económicas serem controladas por pessoas formadas noutro século e por outras realidades que são hoje, para o bem e para o mal, inadequadas e obsoletas. Esse sempre foi o factor catalisador de grandes mudanças e conflitos, o facto de as pessoas geridas não terem nenhuma identificação com a classe gerente. Isso acontece hoje a olhos vistos.

Toda esta comoção contemporânea desproporcionada que rodeia os valores e desvalores da nova geração mostra o tipo de conflito geracional, que a cada década cresce consideravelmente. Há críticas fundamentadas e saudáveis mas num nicho de comentários hipócritas feitos hoje por pessoas que viveram a década de oitenta na mesma ostentação de liberdade sexual e de drogas.

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Esta sede de auto-destruição que a nova geração está a mostrar aos pais corujas dos anos 90 é, nada mais, nada menos do que resultado do tédio e da abundância de promessas, que têm como única grande função o crescimento emocional mais turvo e lento. A vontade de levar tudo ao limite traz várias coisas, positivas, negativas, e algumas pesadas e revolucionárias. A onda excêntrica, desapegada a valores abstractos, a intimidade com a tensão sexual, são factores que prosperam e uma bandeira da nova geração. O que não é novo, nem tão escandaloso quanto isso, sendo que o mundo já viveu a década de oitenta e até mesmo a década de 20 que foi talvez o primeiro momento de rebeldia da sociedade ocidental à linha cristã que seguia até aí. Hoje em dia, a Igreja vive dias de actividade reduzida e de pouco poder, o que dá aso a uma liberdade para instaurar valores mais frescos, arrojados e justos.

Os hábitos, os costumes e o estilo são breves referências da mutação que a sociedade está a sofrer. Dentro da cultura Vintage e de recuperação do passado, há algo de extravagante na maneira de vestir. O Hip-Hop dita actualmente a moda mais hip e vanguardista; o que foi em tempos algo demasiado pomposo e exclusivo, como por exemplo usar correntes grossas e peças muito coloridas, é hoje norma de trend não só nas passerelles, mas como no pronto-a-vestir das camadas mais jovens. A simplicidade e look desportivo que a década de 90 e o início do milénio adoptaram está a ser substituída por uma linha de estilo exuberante, excêntrica e kitsch, na medida a que antes da elegância se olha à extravagância.

Há hoje também uma presença muito mais activa dos jovens nas ruas. O panorama tecnológico e a revolução das redes sociais vieram trazer, ao contrário do que possa parecer, uma maior comunicação – claro que uma comunicação de uma maneira rápida. O que há dez anos demoraria dois meses, hoje demora duas semanas e isso está directamente ligado com o excesso de informação com que a sociedade é bombardeada através da internet – o que faz com que a luta pelas atenções e pelos olhares seja cada vez mais renhida e a “luta” cada vez mais sem limites.



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