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Móveis antigos no porto

Um roteiro a ter em conta.

Cidade com uma grande tradição em termos de antiquários, o Porto tem assistido nos últimos anos ao surgimento de inúmeras lojas vintage de móveis, roupas e outros acessórios. Neste artigo, a RDB desafia-vos a uma incursão por exemplos de lojas de móveis que povoam algumas das mais antigas artérias da cidade Invicta. Não vos prometemos um roteiro exaustivo (uma tarefa inglória!). Vejam este exercício essencialmente como um pouco de partida para futuras deambulações.

Primeiro aviso: estas lojas do Porto não são todas iguais, ora porque se especializam em determinados estilos/períodos, ora porque oferecem peças com níveis de raridade e/ou restauro completamente diversas. Assim, optámos por uma abordagem mista: colocando lado a lado lojas de beneficiência e ateliers de autor. Deixamos ao vosso critério qual o caminho a seguir, dependendo, quer da vontade de abrirem os cordões à bolsa, como da persistência em vasculharem em armazém repletos de peças de mobiliário e decoração – nem todas interessantes, nem todas em bom estado – mas onde há sempre a chance de acharem relíquias a preços módicos!

Começando pela abordagem mais “underground”, é sempre recomendável uma passagem pelo número 40 da rua Gonçalo Cristóvão, onde se localiza o Farrapeiro S. Vicente de Paulo (aberto de 2ª a 6ª, entre as 9.00 e as 12.00; as 14.00 e as 18.30; também aos sábados de manhã). Descendo uma rampa íngreme, encontramos todos um mundo: não só móveis, de várias épocas e estilos, mas também electrodomésticos, livros e discos, bibelots diversos… Aqui estão por vossa conta e risco, não há que ter medo do pó e é preciso sobretudo muita paciência para verem todas as peças disponíveis a baixo custo.

Bem próximo, na rua do Bonjardim, encontramos a Hiperloja Remar, que se distingue de outras semelhantes pela sua especialização em mobiliário exótico. A oferta vai variando, mas é considerável, geralmente em estado razoável. Contudo, e como é habitual neste tipo de lojas, a qualidade é muito diversa, coexistindo mobiliário vintage, com peças mais recentes e qualidade menor.

Continuando na zona Oriental da cidade, que ainda não sentiu os efeitos da “regeneração urbana” em curso em áreas como Cedofeita ou Ribeira, encontramos nas imediações do Jardim de S. Lázaro alguns espaços que vale a pena explorar. Na Avenida Rodrigues de Freitas, a RDB recomenda uma passagem pela Merca Tudo (nº 160) onde, para além de uma grande abundância de roupa, livros, molduras e loiças, podemos encontrar algumas peças de mobiliário interessantes, bem como um número assinalável de candelabros e candeeiros. Um pouco mais adiante, espreitam no nº 146 (Agostinho Moreira e Marques, Lda.). A qualidade é irregular mas volta e meia podemos sempre encontrar belas surpresas. Quase em frente à Faculdade de Belas Artes, a delícia de diggers mais aplicados: ao longo dos três pisos do número 194 (Henrique Cândido Cruz, Herdeiro, Lda.), há muito mobiliário antigo valioso (ainda que nem todo em muito bom estado) para descobrir. Se passarem pelas imediações das Fontaínhas ao sábado de manhã, vale sempre a pena passar pela Feira da Vandoma, que fica debaixo da Ponte do Infante, com uma vista magnífica sobre Gaia e o rio Douro. Aqui não vão encontrar provavelmente peças de maior dimensão, mas existe muita oferta de peças mais pequenas, de decoração e mobiliário (e os habituais discos, livros, roupa e bric-a-brac).

Descendo em direcção em direcção à Baixa, vale a pena percorrer a Rua do Almada (paralela à Praça da Liberdade). Aqui podemos encontrar no número 136 a loja dos Emaús (aberta todos os dias entre as 18 e as 20 horas). O mobiliário disponível não é muito abundante (porque disputa espaço com livros, discos e outras peças de decoração), mas vai sendo frequentemente reposto, acabando por ser recompensador repetir com alguma frequência a visita. Um pouco mais acima, encontra uma oferta abundante, mas em geral não especialmente interessante (porque são móveis relativamente recentes: décadas 70-80-90) na loja Cash&Go. Um pouco mais acima, no 544, um dos espaços mais interessantes: a Casa Almada. Ocupa um pequeno prédio de dois andares, totalmente restaurado, e oferece peças de mobiliário, design e iluminação de grande qualidade (das décadas de 1950, 60 e 70). O risco aqui é quase nulo, porque a selecção é rigorosa e todas as peças estão impecavelmente restauradas. Contudo, como é evidente, esta qualidade tem reflexos nos preços praticados. Mesmo ao lado, e em frente à Retroparadise (famosa loja especializada em vinil e roupas vintage), o Pedras e Pêssegos oferece uma ampla e cuidada oferta de móveis escandinavos dos anos 60 e 70. Este é um espaço já bastante conhecido dos apreciadores mais abastados de móveis vintage que vale a pena conhecer (visita por marcação).

Nas proximidades da Rua do Almada, mais alguns espaços a visitar, que apresentam peças de mobiliário muito diverso, com diferentes níveis de qualidade (em termos de raridade e conservação): a Associação Despertar tem uma loja na Praça Da República (número 156) e também na rua dos Mártires da Liberdade. A caminho de Cedofeita, nas Galerias Lumiére (em frente ao Teatro Carlos Alberto), podemos encontrar peça vintage de qualidade na minúscula “Berta Costa – Antiguidades” (aberta de 2ª a 6ª feira, apenas entre as 15 e as 19 horas). No segundo sábado de cada mês, realiza-se aqui uma Feira de Antiguidade.

Para a recta final deste Roteiro, a RDB recomenda-vos a passagem por algumas loja top. Na Rua da Meditação, número 47 (junto à Rotunda da Boavista) encontramos a loja de João Moura Martins, um dos mais antigos marchants da Invicta. Se bem que os preços não sejam para as bolsas de qualquer um, vale sempre a pena visitar, pela beleza, raridade e qualidade das peças (essencialmente art déco, sempre impecavelmente restauradas).

Concluimos este roteiro com algumas sugestões de espaços localizados na célebre Rua Miguel Bombarda. Recentemente inaugurada (depois de anos no Largo da Maternidade), a L de Luz de Ana Losa Ramalho está agora localizada junto ao espaço Artes em Partes (num prédio de três pisos, aberto das 11:30 às 19:30, de terça-feira a sábado). Apesar de alguma oferta de qualidade em matéria de mobiliário vintage, o forte desta loja são as centenas de candeeiros, de todas as épocas e feitios. Um pouco mais adiante no número 406, a Máquina do Tempo Reciclagem Decorativa oferece peças de mobiliário e decoração vintage em impecável estado. Para uma releitura contemporânea desta peça, passem pelo CCBombarda. Na Galeria Antena podem encontrar móveis vintage adaptados, denotando bastante originalidade e rigor no restauro e acabamento das peças.



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