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“Legos”

Trabalho de Jorge Ramos para ver no Armazém 286.

Olhando para as paredes degradadas e os vidros partidos do Armazém 286, não poderíamos adivinhar que seriam o contexto perfeito para uma reflexão sobre a construção e desconstrução humana, sobre o tempo, sobre as percepções.

Jorge Ramos, artista plástico, recebe cada um dos visitantes com um sorriso aberto, convidando-os a avançar para além da parede branca inicial onde se dispõem as palavras de Juan Luis Toboso. Do outro lado, 40 peças agrupadas em conjuntos de quatro, apresentando personagens que nada mais são que reflexos de si mesmos, percepções interiores e exteriores, num compêndio de figuração e abstracção.

Percorrendo as criações do autor, desde a “Alegoria à Cruzeta” (2001) a “Rewind” (2010), passando por trabalhos como “Feet x Ixh” (2010) ou “People of the Loom” (2008), a evidência do imaginário criativo de Jorge é uma constante. No entanto, o trabalho introspectivo de “Legos” torna-o único, sobretudo pelas possibilidades interpretativas, pela comunicação que estabelece entre o artista e o seu público.

A paleta cromática que cria a intensidade, utilizada numa técnica mista sobre tela, entre pespontos e tecido, contém em si o trabalho individual, realizado ao longo de 2011. A disposição da obra permite a interacção e exploração, induzindo um diálogo visual e táctil com quem por ali vai passando. De um lado, figuras preenchidas por cor, máscaras de traços animalescos; do outro, o bordado colorido a delinear essas mesmas figuras, como se de um reflexo no espelho se tratasse. Construídas pelo autor não para si, mas para quem as vê, para quem as interpela e questiona.

“Essa dialética lacaniana do espelho, é a proposta que Jorge Ramos nos faz… e nós próprios temos que saber se a compor ou descompor e fazer de tudo sito um exercício de auto-retrato: isto é, se queremos costurar as diferentes partes do corpo à base de pespontos, com a intenção de ocultar os avessos e ser um corpo de uma peça só. Um corpo, ao mesmo tempo social alimentado em fábulas clássicas, como trágicos e cheios de alegóricos personagens que somos nós e que são no fundo… também os outros.

Os outros.” (Juan Luis Toboso)

Para ver até 17 de Março no Armazém 286, Rua O Primeiro de Janeiro, Porto.



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