rdb_artigo_lichtfaktor

Lichtfaktor

Luzes são tinta para estes novos writers.

As possibilidades do lightwriting permitiram-lhes explorar o melhor da fotografia, da pintura, do graffiti e da filmagem stop-motion. A partir daí, abriram-se novos caminhos e agora as ideias que pretendem transmitir movimentam-se, literalmente. Eles são os LichtFaktor.

Que levante o dedo aquele que, enquanto criança, não se maravilhou com os percursos incandescentes que um fósforo, uma lanterna de campismo, ou palhinhas luminosas, vendidas em concertos e feiras, faziam, quando os movimentavamos rapidamente, em constraste com o escuro. Se fôssemos suficientemente rápidos, quase que podíamos fazer deslizar cometas, ou rabiscar desenhos. E se pudéssemos fixar essas imagens no tempo? E se as pudéssemos fotografar? E se, além disso, fôssemos entusiastas do graffiti original, e quiséssemos fundir as duas paixões?

Foi isso que os LichtFaktor conseguiram fazer. O colectivo, natural de Colónia, juntou o VJ $ehvermogen, fotógrafo e VJ desde 1997, a JIAR, designer de comunicação e writer. Desde que descobriram que a fotografia time-lapse pode não servir apenas para flores a desabrochar e relâmpagos, o light graffiti desenvolveu-se e as latas foram trocadas por tripés, projectores, reflectores e até por tochas. O perigo de “serem apanhados” desapareceu e a cor foi levada até um nível muito mais ambicioso.

“Como começaram?” perguntou a RDB. “Precisavamos de conteúdos para uma projecção de 360 graus para 18 projectores em IDS, encomendada pela Deutsche Artze Verlag (uma editora alemã especializada em medicina)”, explicaram, “e foi a primeira vez que usámos esta técnica, porque se enquadrava muito bem com o tema do evento (energia em movimento). Como VJs, estávamos habituados a filmar, inseridos no meio graffiti, e foi só mais um passo. Essa é, também, a razão pela qual os nossos lightwritings estão sempre em movimento”.

A partir daí, os objectos urbanos do quotidiano, como caixotes de lixo, cabines telefónicas e sinais de trânsito ganharam vida, e passaram a transformar-se, now and then, em criaturas do outro mundo, que gesticulam freneticamente pela cidade, como acontece no trabalho preferido do grupo, “Starwars vs. Startrek”. “Foi a segunda vez que trabalhámos com esta técnica, e a primeira em que pudemos actuar noutro país, e sermos pagos por isso. O cliente deu-nos a liberdade total para fazermos o que quiséssemos e, no final, tivemos quatro noites em Londres e praticamente todo o vídeo foi feito espontaneamente…” confidenciaram. Desde então, têm combinado design gráfico, mistura de vídeos e fotografia para criarem séries de imagens e vídeos para empresas como a Absolut Vodka, a Audi ou a Playstation.

Trabalhos criativos e boas ideias inspiram-nos, assim como “Picasso, Marco93, Pikapika, graffiti, street art, comics, visual music, Wolf Vostell, Kubrick, David Lynch, George Lucas, Oskar Fischinger, Laurie Anderson, a vida diária e a Internet, claro”. Nas palavras dos LichtFaktor, Picasso foi o primeiro a inventar a técnica de lightwriting, “mas na fotografia encontra-se muito mais gente que o fez” afirmam, “Picasso introduziu as pinturas com luz, a combinação das duas técnicas. Nós começámos este projecto em 2006, e foi quando ouvimos pela primeira vez o termo light graffiti (no trabalho de marco93, pikapika e pipslab)”.

Para os mais experimentalistas, e para todos os outros, uma boa notícia: com alguns conhecimentos de luzes e fotografia, esta técnica é muito fácil de concretizar. Os Lichtfaktor explicam tudo na sua página do myspace. E revelam, em exclusivo para a RDB, que o segredo para conseguir a luz perfeita é experimentar bastante. O grupo já explorou muitas fontes de luz diferentes e concluiu que o mais difícil é integrar a dimensão do lightwriting com a do espaço, sendo o mais importante a ideia gráfica final. “A maior parte das vezes sabemos o que queremos desenhar antes de sair, mas acabamos por nos deixar inspirar pelos lugares e pelas situações. E como é um processo vivo”, sublinham, “é sempre improvisado, porque é impossível planear tudo antes de se tirarem as fotografias. Praticámos tanto que agora até estamos muito precisos”, concluem. Os Lichtfaktor conhecem os seus skills, como resultam os diferentes tipos de luz e têm os conhecimentos de captação de imagem para conseguirem os resultados. “Pensamos que é a mistura de tudo (filmagem, pintura, recursos luminosos e sair à noite) que faz com que o lightwriting seja tão interessante para nós”, definem.

E para os mais desconfiados, que pensam que as imagens podem ser alteradas em pós-produção, os LichtFaktor esclarecem: “as imagens são todas feitas com a câmara, sem efeitos em computador nem manipulações”.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This