Lindstrom & Prins Thomas @ Lux

We Feel Space

A dupla norueguesa responsável pelo retorno revitalizador a sonoridades da década de 70 trouxe a Portugal uma actuação a quatro mãos que furou as tradicionais barreiras entre o conceito de Live act e Dj Set.

Durante uma hora a calma espacial nórdica dominou a discoteca do Lux deixando a espaços lugar para um groove mais acentuado e menos cósmico. Enquanto Lindstrom manobrava as equalizações e efeitos no computador e teclado (sequenciando pelo Live! que parece ter-se tornado numa das ferramentas de software mais fiáveis para espectáculos ao vivo), Prins Thomas rodava o vinil num jogo captado por duas câmaras e projectado em simultâneo na parede lateral do piso inferior.

Sem nada a esconder, abriram as hostilidades ainda com pouca assistência. No entanto, a pouco e pouco, tudo se compôs. Foi curioso observar os pontos de foco da assistência: quando se assiste a um Dj set, normalmente não existe a tendência para focalizar atenção em nenhum local específico, dança-se (ou não) virado para a direcção mais conveniente; num live act, dadas as semelhanças com um tradicional concerto de palco, existe o ímpeto para focalizar o(s) artista(s) em questão. Esta dualidade foi rompida pelo vídeo que acabou por descentralizar as barreiras entre os dois modelos.

Não se pode afirmar que houve lugar para quebras, a separação entre as músicas existia, mas com a criação de pontes pelo arrastar de pedaços finais de cada faixa que permitiam a Prins Thomas escolher faixas do catálogo da dupla. Este processo tem as suas desvantagens num ambiente de club, pois nem todos gostam de perder a batida quando a dão por dado adquirido.

De qualquer modo, apesar de toda a espacialidade dos escandinavos, acabou por ser uma actuação dentro do esperado, com lugar para a alienação e para o groove mais dançável.

A noite continuou com o prolongamento do Set de Prins Thomas que percorreu os caminhos derivados do Disco mas com lugar para o Acid-House, Detroit Techno, Punk-Funk, Rock e bastantes re-edits. No piso superior Nuno Rosa e Kaspar conseguiram fazer um bom enquadramento entre os dois espaços.

Será um pouco difícil de prever o comportamento direccional das correntes estilísticas para o ano de 2006, depois do Ácido que passou em 2005 e deixou marcas, talvez o Disco escandinavo marque um retorno a uma acalmia atípica em relação aos últimos anos.



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