Lindstrom & Prins Thomas

Ao vivo em Lisboa e Porto. Disco Sucks!?

Se existe uma actividade favorita na crítica musical, seja ela institucionalizada ou informal, é o estabelecimento de ligações entre artistas e correntes estilísticas. Procurar referências é tão natural como a necessidade de enquadrar o que ouvimos com uma definição. Se, há poucos anos, houve quem declarasse a “morte dos géneros”, agora ouvimos de tudo um pouco e existem projectos que nem sabemos bem como definir. No entanto, há quem insista; e se à superfície muitas vezes a onda empurra para terra, nas profundidades há sempre quem mantenha correntes em movimentos diversos.

Talvez fosse previsível: já reciclados os anos 80 e com os 90 ainda muito frescos para análise histórica, sobram (por enquanto) os anos 70, que parecem ser o alvo mais próximo – 2006 nasce assim com ascendente sonoro em modo Disco.

Hans-Peter Lindstrom, Prins Thomas, Todd Terje, Blackbelt Anderssen, Kango Stein Massive são alguns dos nomes responsáveis pela facção Nu-Disco escandinava. Sem uma “cena” musical definida, a Noruega assumiu um papel fundamental na reciclagem de sonoridades de há 3 décadas atrás, uma revitalização organizada e agregada em volta de um conjunto de amigos que, segundo Prins Thomas, se “encontram para falar, beber, dançar, ajudar-se mutuamente em estúdio” e no trabalho nas editoras Feedelity e Full Pupp (pertencentes aos dois primeiros respectivamente).

Lindstrom & Prins Thomas chegam a Lisboa no dia 19 de Janeiro (viajando no dia seguinte para o Porto) para um live act que tem percorrido o mundo. A aparente simplicidade dos seus métodos é reconhecida e aplaudida por editoras como a DFA, Eskimo, Rong ou Bear Funk e a oportunidade para ouvir um dos melhores álbuns e 12”s de 2005 não deve ser desperdiçada.

Felizmente, a Disco Demolition Night (Chicago, Comiskey Park, 12 de Julho de 1979), no culminar do movimento Disco Sucks! – onde milhares de vinis, cassetes e formatos afins foram queimados – não apagou da história o vibe e o balanço do Disco-Sound. Apesar das perdas tudo se transformou, talvez para melhor.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This