Lux | 19 de Abril | Green Ray 2013 Lux Curated by Todd Terje

TODD TERJE é um dos príncipes nórdicos que têm liderado a cruzada nu disco, o Remaster of The Universe que domina a arte do reedit, um Dj e produtor capaz de intensificar o prazer e o brilho em qualquer pista de dança com feitiçarias dignas de Merlin. Curiosamente, Todd Terje, Terje Olsen, começou por interessar-se por piano, depois por Física e só mais tarde (segunda metade dos 90) por música de dança. Talvez por isso tenha ido buscar inspiração ao americano Todd Terry, um dos grandes da cena house da altura, para criar o seu alter-ego mais conhecido, isto apesar de, ao longo dos anos, Terje ter usado nomes como Tangoterge, Disco-Terje, TynneTerje, Chuck Norris, Terje Norris, Wade Nichols, Pitbullterje e New Mjondalen Disco Swingers, entre outros. Os seus alter-egos parecem ser proporcionais em número à criatividade e humor que aplica nas produções e traduzem um espirito inquieto e provocador que se manifestou desde o primeiro momento. Eurodans, o primeiro maxi, foi originalmente editado pela Soul Jazz em 2004, depois reeditado pela Full Pupp de Prins Thomas e re-swingado em 2010 sob a identidade New Mjondalen Disco Swingers e constitui o emblema mais óbvio de Terje, mas não esgota os seus créditos, reconhecidos nos originais (“It’s the Arps” confirma que Terje sabe como partir do zero e fazê-lo crescer) mas sobretudo nos edits e remisturas que lhe têm valido a glória nas pistas de dança. Terje já aplicou a sua magia a faixas de quase todos os grandes e não só: Bee Gees, Michael Jackson, Antena, Astrud Gilberto, Rolling Stones, Stevie Wonder, Hot Chip, Lindstrom, Roxy Music, Bryan Ferry… Ferry, aliás, pode vir a ter uma colaboração mais próxima com Terje, a julgar por um video surgido na net em Setembro que mostra os dois em estúdio a brincar com sintetizadores e que está a a incendiar as nossas expectativas com promessas extraordinárias.Terje vem da Noruega, terra das auroras boreais que fazem brilhar o céu da noite como se fosse dia, mas a julgar pelo que consta na sua página de Facebook, a inspiração para o que faz vem do pôr-do-sol e de tudo o que pode ter contornos delineados na contra luz do lusco-fusco: cocos, golfinhos, unicórnios, alces (a lista é do próprio e podia ser mais longa). O Universo de Terje é de fantasia, convida-nos a fugir da realidade e de tudo o que é estático, frio e feio. Resistir-lhe é não querer ver a Luz. (Isilda Sanches)

TEVO HOWARD (live) Há qualquer coisa de muito genuíno na herança que vários produtores de Detroit e Chicago (o caso de Tevo Howard) transportam e adaptam na música de hoje. Tevo chamou mesmo o seu pai a colaborar em alguns discos, com uma voz soul incrível que faz recordar a matriz clássica da cena deep house vocal. Sozinho, porém, Tevo está à vontade com as máquinas originais, produzindo um som acolhedor e universal, vintage mas actual, dirigido à pista de dança com disponibilidade para aceitar uma progressão e suavidade fora do comum numa outra pista em que a pressa e a satisfação imediata deturpam o espaço e o tempo de que esta música necessita. House em estado quase puro significa que o tempo não passa. Ao fim de uma hora se calhar passaram duas, afinal. E duas facilmente seriam quatro.

IDJUT BOYS Tantos anos de prática e, como os Sonic Youth não deixaram de ser Youth, Conrad McDonnell e Dan Tyler não deixaram de ser Idjut nem sequer Boys. Eles são históricos e os seus truques na mesa de mistura são um traço de personalidade. Vocês não precisam de procurar mais para estarem em contacto com a conspiração underground que não deixou o Disco morrer. E não se trata de uma manutenção artificial da vida, antes de uma revitalização e rejuvenescimento energético que ninguém fez como eles. Marcaram decisivamente a house dos 90s com injecções de Disco que ainda hoje são sentidas em clubes um pouco por todo o mundo, mantêm viva a chama da mesma forma que a tocha passa entre Olímpiadas. Eles são grandes, divertidos, trabalham duro para a Festa e antes de terminar temos de dizer que Disco, para eles, não é só Disco. Têm de ouvir, é como ir à escola mas sem as aulas, só os intervalos.

MUNGOLIAN JET SET (live + dj set) Ah, Noruega. Terra de alguma da mais consequente música de dança produzida nas últimas duas décadas. Mungolian Jet Set não são recém-chegados mas são produto de tudo o que nomes como Bjorn Torske, Erot ou Rune Lindbaek fizeram desde os anos 90. Misto de concerto Space Disco com a teatralidade dos 70s, imaginem os melhores momentos de Hot Chocolate mas com tipos nórdicos a suar e a reforçar a ideia de que no Norte divertem-se com força. O título de um álbum seu (“We Gave It All Away, Now We Are Taking It Back”) reclama uma postura activista, uma declaração de personalidade e aquele toque de estranheza escandinava que sempre oferece algo de novo mesmo a formatos instalados. Exótico, Europeu, Mundial.

LINDSTROM (live) Exemplo vivo da transformação nórdica em sinal de orientação para muita da produção electrónica actual. Lindstrom tem sido imprevisível, depois de um período em que escreveu as regras do que, ouvido de fora, se chamou Nu Disco. Na verdade, enquanto músico que toca vários instrumentos, dificilmente ficaria fechado num mesmo local durante muito tempo, a não ser o seu estúdio. Desde manobras cósmicas ambientais ao muito comentado e algo polémico álbum de 2012 “Six Cups Of Rebel”, em que utiliza sem vergonha tiques e excessos próprios do rock progressivo mais épico e extravagante, Hans-Peter Lindstrom continua a explorar em ambos os sentidos: para trás e para a frente. A sua música, apresentada ao vivo, é geralmente orientada para dançar. Estamos lá para isso, mas também sabemos o bem que tem feito à nossa cabeça pelo menos desde o primeiro álbum com Prins Thomas em 2005.”



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