«Paraíso», o documentário sobre as raves em Portugal, chega à Filmin
O filme de Daniel Mota recupera a história esquecida da cultura rave portuguesa dos anos 90, com 38 testemunhos e uma década de investigação.
O documentário “Paraíso”, de Daniel Mota, chega à Filmin a partir de 17 de setembro, depois de ter conquistado o público e o circuito de cinema português. O filme recupera a história esquecida da cultura rave portuguesa dos anos 90, através de imagens de arquivo, fotografias e 38 testemunhos de DJs, produtores, bailarinos e promotores que viveram a emergência da música de dança em Portugal. A obra estreou-se na secção IndieMusic do IndieLisboa.
Uma década de investigação para recuperar uma memória coletiva
O projeto de “Paraíso” nasceu em 2015, a partir de entrevistas realizadas no contexto da Rádio Quântica. Essas conversas abriram a porta a um vasto património audiovisual privado, com gravações de raves e clubes dos anos 90 que permaneciam guardadas em arquivos pessoais, cassetes VHS e fotografias. A investigação e recolha de material prolongaram-se durante cerca de uma década, até ganhar forma cinematográfica nas mãos de Daniel Mota.
O resultado é simultaneamente um retrato de uma geração e a recuperação de uma memória que, durante décadas, existiu quase exclusivamente em arquivos pessoais e na lembrança de quem esteve lá. “É bom ouvir de várias pessoas dizerem que é inacreditável, que não faziam ideia que isto tinha acontecido”, diz o realizador sobre a reação do público ao filme.
Quando Portugal se tornou um “paraíso” da música eletrónica
O documentário revisita o início dos anos 90, quando clubes, raves e festas de grandes dimensões transformaram a forma como se ouvia música, se dançava e se ocupava o espaço público em Portugal. Foi uma época em que o país se tornou, de forma inesperada, um destino de referência para a música eletrónica internacional, chegando a ser descrito como “Underground house music from a paradise called Portugal”.
Clubes como o Kremlin e o Alcântara-Mar, associados a grandes festas em espaços improváveis, ajudaram a criar uma cena que rapidamente ultrapassou as fronteiras nacionais. Nomes como DJ Vibe, Yen Sung, Rui da Silva, Carlos Manaça e Miss Sheila fazem parte dessa história, ao lado de protagonistas internacionais como Danny Tenaglia.
Mais do que um filme sobre música
Para além do retrato da cena eletrónica, “Paraíso” recupera um momento de transformação social e cultural em Portugal, numa altura em que o país ainda se adaptava às mudanças das décadas anteriores. A cultura rave representou, para muitos, uma nova forma de comunidade, liberdade e expressão coletiva.
A estreia na Filmin junta-se a canais dedicados ao cinema português, às curtas-metragens, ao cinema clássico, ao documentário e à animação na plataforma, que tem uma subscrição mensal de 6,95€ ou 55€ por ano.
Uma história por (re)descobrir
Ao chegar à Filmin, “Paraíso” alarga o seu alcance a um público que talvez nunca tenha vivido — ou nem soubesse que existiu — essa primeira explosão rave portuguesa. Num momento em que a memória cultural do país continua a ser (re)escrita através do documentário, o filme de Daniel Mota junta-se a um conjunto de obras que resgatam capítulos pouco contados da história recente de Portugal, garantindo que a experiência coletiva dos anos 90 não se perde nos arquivos privados de quem a viveu.
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