Marvão Rock Fest 2026
Do sonho de miúdo à realidade: o Marvão Rock Fest está de volta
No topo da Serra de São Mamede há uma clareira de pinheiros quase perfeita, um círculo talhado pela natureza como se esperasse, há anos, por um propósito. Foi ali que nasceu o Marvão Rock Fest, muito antes de ter nome, cartaz ou data marcada no calendário.
A história começa na adolescência, entre a curiosidade e o fascínio. Pela televisão, festivais míticos como Paredes de Coura ou Vilar de Mouros alimentavam a imaginação e plantavam uma semente que recusava apagar-se. Foi numa dessas subidas à serra que o plano ganhou forma: o palco ao fundo da clareira, o acampamento instalado à sombra dos pinheiros e, já nessa altura, os autocarros a descer até às águas frescas da Piscina Fluvial da Portagem, para refrescar os festivaleiros.
A ideia foi amadurecendo devagar, ano após ano, nutrida por cada festival visitado, por cada concerto e por cada pormenor recolhido na plateia. Mas esta vontade também tem raízes na própria história da região: em 2006, pela mão do então vereador Pedro Sobreiro, realizou-se a primeira edição do Marvão Rock Fest, que trouxe à vila nomes que despontavam com força na cena musical nacional, como Wraygunn, Punk Sportif e Fonzie. O sucesso foi tal que, ainda hoje, a população local guarda e partilha essas memórias com carinho.
No último ano, as peças do puzzle começaram finalmente a encaixar-se. O cenário ideal encontrou casa na Piscina Fluvial da Portagem, com as suas águas cristalinas a funcionar como anfiteatro natural. Com o apoio decisivo do Município de Marvão, que acreditou no projeto e ajudou a tirá-lo da cabeça para o terreno, nasceu uma associação, fundada em conjunto com dois amigos, para dar corpo ao regresso do festival.
A ambição, desde a primeira hora, foi clara: erguer um festival genuinamente transfronteiriço, capaz de unir públicos e sonoridades dos dois lados da raia. Foi com esse espírito que se construiu o cartaz, reunindo bandas de identidades bem distintas. Os Bolsa de Moscas, com raízes na vizinha Espanha, trouxeram uma energia crua e direta, servindo de ponte natural para essa vocação transfronteiriça. Os Cortada apresentaram um som denso, ríspido e elétrico, de guitarras afiadas capazes de prender o público do primeiro ao último acorde. The Sunflowers, mestres do garage rock psicadélico e frenético, confirmaram a fama de atuações explosivas que transformam qualquer recinto num turbilhão. Já os Lovedust, uma das formações mais recentes do panorama nacional, trouxeram um som envolvente, a meio caminho entre as texturas do shoegaze e melodias indie marcantes.
O caminho até aos dias 11 e 12 de setembro passou ainda por um ensaio geral, em agosto. Em colaboração com a Câmara Municipal, a organização esteve à frente do Festival da Juventude, evolução do tradicional Dia da Juventude, que serviu para afinar a logística e perceber a recetividade do público antes do festival.
O festival fechou com a final do concurso de bandas, que teve os Albatroz como grandes vencedores. Vindos de Leiria, o jovem grupo impressionou com um rock alternativo dinâmico, recheado de ganchos melódicos e uma presença de palco viva e cheia de garra.
O balanço não podia ser melhor, mas o trabalho não para por aqui: a organização já prepara a segunda edição desta nova vaga do festival, com o objetivo de continuar a fazer vibrar a Serra de São Mamede. Quem quiser acompanhar as próximas novidades pode seguir as redes sociais do Marvão Rock Fest.
Dia 11
Dia 12
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