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ModaLisboa Freedom # 1

SAYMYNAME, White Tent, Lidija Kolovrat e Luís Buchinho inauguraram mais uma edição do mais importante evento de moda da capital.

Um sol que mal parece de Inverno lustra a zona baixa da cidade. As tendências da próxima estação fria, encarnadas nas apresentações de alguns criadores portugueses, sugerem-se até ao próximo domingo na Praça do Município. A ModaLisboa volta a mexer a cidade, promovendo um dos eventos mais marcantes da temporada.

Desfilavam todos os tipos de outfits pelo recinto, uns onde a elegância se pronuncia, outros onde a excentricidade singular nunca oprime. Há, no público, desde chapéus pronunciados a vestidos de cores irreais, onde rastos de tribos urbanas se parecem misturar com um público de uma homogeneidade estética mais fiel às tendências da presente estação. No fundo, todos saem à rua. E é esse mesmo o objectivo desta edição – Freedom – ilimitar a criatividade, abrir, ainda mais, o ângulo da inovação – mudar libertando. Não fosse a liberdade, num olhar concomitante, um dos aspectos basilares da realidade da conceptualização e da criação artística.

SAYMYNAME

A abertura do ModaLisboa ficou a cargo de SAYMYNAME no espaço LAB do evento, que dá primazia a novas/pequenas empresas inovadoras cujo potencial as revelam pertinentes à composição do quadro de criadores apresentados.

A colecção Outono/Inverno 2013 reivindica uma estética inspirada nos samurais japoneses – são peças prontas para a batalha urbana, onde se simulam armaduras pelas nítidas sobreposições, ombros emergentes ou mangas raglan, em composições dos tons mais acobreados à lavanda, onde reinam o preto e a cinza juntamente. Também se marcam notas subtis de kimono, em construções mais leves e esvoaçantes. A silhueta pode ser, assim, versátil e recriada de diferentes formas, mais sólida e compacta, com ocasionais blocos que a tentam exceder, ou numa lógica mais fluída e delicada.

WHITE TENT

White Tent mantém-se dentro da sua linguagem, da estética desenvolvida até então. O minimal, ressaltado em peças de tons integrais e numa simplicidade fugaz, cruza-se com o sporty. A forma afasta-nos do imediato, focando-se num jogo de sobreposições e proporções – a malha jersey mostra-se a matéria chave, combinada com tons metalizados e vibrantes. O contraste sublinha a colecção na sua generalidade, relembrando-nos o encanto do mote less is more.

LIDIJA KOLOVRAT

A apresentação da criadora inspira-se em jogos de visibilidade, de reflexos de imagética. Colocam-se novas interpelações, reinventam-se as imagens do passado, reperspectiva-se. A base parece ser uma espécie de metafísica do vestuário, segundo a qual se exploram os diferentes elementos das peças – mutam-se criando uma verticalidade da silhueta que balança entre o estruturado sólido e as flutuações drapeadas de tecido. É a primeira colecção, e a única deste primeiro dia, que apresenta menswear, que curiosamente se revela a força motriz de toda ela – inclui calças com sugestivas aberturas laterais ou casacos oversized que se assemelham a capas, forradas de belíssimos digital prints. A renovação liberal da estrutura fala por cada peça, num universo em que Kolovrat quis pensar no outro, no reflexo, como construção da individualidade, como uma sombra desse processo.

LUÍS BUCHINHO

Buchinho quis as pedras da calçada a desfilar. A geometria da calçada portuguesa inspirou o designer português na sua colecção Outono/Inverno 2013, marcada pela notável elegância tão bem combinada com as linhas sofisticadas da estética adoptada. Dominam, por isso, os tons pedra, o negro e o azul, do mais sóbrio ao mais intenso. Constam vestidos belíssimos, com padrões conceptuais altamente únicos e conjugações de cores que resultam de uma forma tão simultaneamente natural como inovadora. A combinação de materiais – o casamento entre o natural e o sintético – enriquece todo o trabalho através de disposições cujo resultado é um equilíbrio visual muito apelativo. O corte demarca todo o corpo (com recurso a peças bem cintadas), integrando pequenos detalhes que procuram fugir aos seus contornos, numa geometria bem inteligente e contemplativa. O criador português reafirma a qualidade do seu trabalho, fechando a noite com nuances que dificilmente passarão ao lado dos mais interessados na evolução estética portuguesa com a chegada dos dias de Outono.

 



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