MONSTRA 2013: SEGUNDO DE CHÓMON – RETROSPECTIVA

Segundo de Chómon | Retrospectiva na MONSTRA 2013

O realizador espanhol mais importante da era do Cinema mudo

Uma das retrospectivas mais aliciantes a decorrer no festival MONSTRA foi a de Segundo de Chómon. Considerado o realizador espanhol mais importante da era do Cinema mudo, e cujos famosos truques de câmara lhe valeram comparações com Georges Méliès, tendo sido até alcunhado de “O Méliès Espanhol”. É perfeitamente lógico, se não mesmo inevitável, comparar os trabalhos de ambos os realizadores, contudo, é de salientar que, se Méliès foi um pioneiro no campo da edição, Chomón foi-o no da animação.

Foram seleccionadas para serem visualizadas nesta retrospectiva oito curtas-metragens do realizador que abrangem o período entre 1907 e 1912. Muitos dos seus filmes foram produzidos em França pela produtora Pathé Frères, a mesma na qual a sua mulher, Julienne Mathieu, trabalhava e graças a quem Chomón enveredou pelos caminhos da sétima arte.

Quem esteve presente na sessão de abertura dedicada a Espanha já tinha tido a oportunidade de visualizar “Electric Hôtel”, ficando assim com uma boa ideia do que esperar de Segundo de Chómon; muito humor e ilusão à mistura. Em “Electric Hôtel”, também exibido na retrospectiva, Chomón criou um Hótel em que todos os objectos são controlados electricamente, o que permitiu ao realizador recriar as tarefas mais mundanas, mas eliminando a pessoa que normalmente as efectua.

Em “L’insaisissable pickpocket” seguimos um divertido carteirista, de fato aos quadrados, a escapar de dois polícias. Os defensores da lei bem tentam, em vão, capturá-lo, mas o jovem de fato aos quadrados é um mestre da transformação, ora tornando-se num tapete, ora conseguindo sair de um barril através de um estreito buraco. Um dos filmes que melhor demonstrou as potencialidades do realizador focando muito bem as técnicas de ilusão por si exploradas, aliadas ao seu melhor sentido de humor.

A terminar a sessão ficámos com “Superstition Andalouse”, de 1912, que já foi indicado como uma clara influência do famoso “Un Chien Andalou” (1929) de Luis Buñuel e Salvador Dalí.

É de notar que Segundo de Chomón não ficou limitado em termos de géneros, tendo explorado o documentário e o drama. Porém, é por filmes como os exibidos nesta retrospectiva que o realizador é mais recordado e, provavelmente, sempre o será.

Uma vez que muitos filmes na MONSTRA são apresentados antes da sua visualização, teria sido interessante ter também nesta retrospectiva algum tipo de introdução. Uma lição de Vinema que podia ter sido mais discutida e contextualizada para a audiência. Claro que o mais importante são sempre os filmes, e nesse sentido esta foi uma das sessões imperdíveis do festival.



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