MONSTRA 2013 – Brasil e Espanha

MONSTRA 2013 | Brasil e Espanha

As hostilidades da abertura calharam ao Brasil e a Espanha

No primeiro dia, 7 de Março, do Festival MONSTRA, as hostilidades da abertura calharam ao Brasil, um dos Países convidados, a par com Espanha.

Fernando Galrito, o director do festival, voltou a apresentar a MONSTRA nesta sua 12ª edição, sempre salientando o trabalho de toda a sua equipa, sem a qual, e nas suas palavras, nada disto seria possível. Palavras que poderão justificar a atitude em mencionar todos os parceiros, mas que não deixou de ter resultado nos agradecimentos mais longos feitos no festival.

Após a exibição dos spots publicitários desta edição do festival, bem como da apresentação da Mascote da autoria de Raimund Krumme, seguiram-se as exibições dos filmes brasileiros com uma pequena surpresa. A curta “Vóvó está na Cozinha” de Paulo Santiago não estava programada, tendo sido enviada pela produtora Animatório de propósito para ser exibida no festival, quase em tom de antestreia mundial. Uma curta mais dirigida a crianças onde uma ternurenta avó cozinha ao som de uma canção.

De seguida tivemos “Rai Sossaith” (2011) de Thomas Larson, também conhecido como Thomate. Após a visualização do filme não nos surpreendemos ao saber que Thomate é também cartunista, uma vez que o estilo e humor ácidos estão todos lá. Durante o funeral do colunista Atail Menezes, uma cassete com o seu último programa é mostrada a todos os convidados. Assim, pela última vez, acompanhamos Atail em mais uma das suas viagens pelo mundo do Jet-7, onde o humor politicamente incorrecto está sempre presente. A curta de Thomate tem tido uma participação muito positiva em vários festivais de animação brasileiros, ouvindo-se já rumores de que Atail Menezes poderá “ressuscitar” para uma qualquer sequela.

Para terminar, passou a última curta de animação, “Um Outro” (2008), de Chico Liberato, um dos realizadores pioneiros do Cinema de animação na Bahia e que é um dos homenageados nesta edição do festival. O filme foi apresentado pelo próprio Chico Liberato e também pela argumentista e sua mulher Alba Liberato. “Um Outro” é inspirado na História do Brasil, mais especificamente do Nordeste, focando-se no comportamento de duas personagens cujas atitudes perante a vida são opostas. A História do Nordeste, bem como alguns dos seus mitos, são temas recorrentes no Cinema da família Liberato.

monstra 2013

Sessão de Abertura dedicada a Espanha

Na passada segunda-feira decorreu a segunda sessão de abertura do festival MONSTRA, aquela que pretendia abrir as portas para o Cinema espanhol, o segundo País convidado desta edição.

No programa estava planeada a exibição de “O Apóstolo” de Fernando Cortizo. Porém, Fernando Galrito presenteou-nos primeiro com a exibição de duas curtas de animação espanholas cuja diferença de idades é de mais de cem anos. A primeira, “Electric Hôtel” (1908), mostra-nos o trabalho de um dos pioneiros da animação mundial, o espanhol Segundo de Chomón, muitas vezes equiparado a Georges Méliès. Segue-se “Sinsis” (2012) de Carmen Lloret, tratando-se de um projecto totalmente distinto do anterior.

No filme de Chomón trabalhou-se com imagem real enquanto no de Lloret se usaram apenas algumas linhas, que parecem querer ocupar o lugar umas das outras, num registo de animação mais experimentalista.

Após este momento, que pretendia mostrar como a animação se altera, mas a paixão se mantém, seguimos para a tão aguardada visualização de “O Apóstolo” – com a presença do realizador.

Estamos perante um excelente trabalho de animação stop-motion em 3D que só pela parte técnica já merece ser visualizado. Este filme foi, sem dúvida, um grande desafio para Fernando Cortizo e a sua equipa que contou com mais de 200 profissionais, entre os quais nomes que já trabalharam em filmes como “Matrix”, “O Senhor dos Anéis”, “Coraline” e “A Noiva Cadáver”. Todas estas pessoas para darem vida a 80 minutos de Cinema stop-motion, criando assim a primeira longa-metragem europeia neste estilo de animação.

A história tem início com a fuga de Ramón (Carlos Blanco) da prisão, partindo em busca de uma aldeia perdida num bosque a caminho de Santiago de Compostela e onde um colega seu lhe confessou ter guardado um tesouro de jóias. Ramón encontra de facto a aldeia, mas há algo de muito estranho e suspeito com os seus habitantes, ora demasiado amáveis, ora terrivelmente antipáticos.

“O Apóstolo” move-se entre um ambiente gótico e humorístico que vai beber inspiração à cultura e lendas galegas – terra católica, mas rica em lendas pagãs. Além do trabalho excepcional de animação, a composição da banda sonora a cargo de Philip Glass, Arturo Vaquero e Xavier Font constitui também um dos pontos mais fortes do filme.

Ainda neste filme, destaca-se a breve, mas hilariante, participação de Luis Tosar como Xavier, o colega de prisão de Ramón.

Se estiverem interessados em conhecer mais sobre o processo de criação de “O Apóstolo” passem pelo museu da Marioneta onde se encontra uma exposição a decorrer com os cenários do filme.



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