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Nadia Reid @ Casa Independente (21.09.2017)

Se há estilo musical que rima com o Outono é o folk. Nada como um bom concerto deste género ou mesmo um bom disco escutado no conforto do lar, acompanhado por uma caneca de café ou chá. Visto por este prisma, a data que calhou a Lisboa para abraçar a neo-zelandesa Nadia Reid não podia ter sido mais oportuna.

Tendo entrado sozinha em palco, Nadia Reid rapidamente se fez acompanhar do colega de tour, o guitarrista Sam Taylor, que vai sublinhando os tons pastel com que a cançonetista pinta maioritariamente as suas criações. A guitarra de Sam Taylor é uma rica adição às composições da neo-zelandesa, muitas vezes parecendo marcar a pontuação das músicas com algodão, tal a suavidade com que é tocada, noutras intervindo mais notoriamente, relembrando aqui e ali pedaços as difusões tímidas de Mazzy Star. Pena que tenha faltado o contrabaixo que algumas vezes acompanha Nadia Reid, de forma a acicatar o travo mais melancólico das canções.

Apesar de ter disco novo editado em Março, “Preservation” de seu nome, a neo-zelandesa dividiu quase irmãmente o alinhamento entre este e o seu álbum debutante, “Listen to Formation, Look for the Signs”, muito provavelmente por o concerto nesta sala do Largo Intendente marcar a sua estreia absoluta em território nacional. E ainda houve tempo para um tem que não consta destes dois registos de estúdio, intitulado «All of My Love», criada durante uma passagem de ano sóbria.

A sonoridade, e inclusivamente a voz em muitas ocasiões, remetem para o universo de Laura Marling. Nada que no entanto belisque o registo, até porque é praticamente sempre bastante pessoal, com Nadia a cantarolar as suas experiências pessoais. Como quando regressou a casa da mãe após terminar um namoro, por exemplo, em «Reach My Destination».

O tema que naturalmente mais saiu do registo foi a versão para um original de Gillian Welch, «Elvis Presley Blues», que como o nome indica tem efectivamente um tom bluesy, e durante o qual Nadia troca dos dedilhados pelos acordes tradicionais.

Nadia Reid chegou a Lisboa na recta final de uma digressão com 34 datas (epílogo no Porto) e portanto era merecido o dia livre que tinha para gozar no dia seguinte a este concerto. Pediu encarecidamente que lhe dessem dicas sobre gastronomia e café, para ocupar da forma mais prazenteira possível essa folga. Certamente não terão faltado indicações no pós-concerto junto ao balcão onde estava exposto o merchandising, oferecidas pela plateia apelidada de miraculosa pela neo-zelandesa, por ter atingido algumas dezenas de ouvidos à escuta (sem ter amigos e/ou conhecidos em Lisboa).

Alinhamento

– Seasons Change
– Runway
– I Come Home to You
– Reach My Destination
– Reaching Through
– Holy Low
– Elvis Presley Blues (Gillian Welch cover)
– Richard
– Hanson St. Pt. 2 (A River)
– All Of My Love
– The Arrow & the Aim
– Some are Lucky



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