Nagisa Oshima na Cinemateca

Inicia-se em Outubro um Ciclo dedicado a Nagisa Oshima, um dos mais importantes cineastas japoneses, programa realizado em colaboração com a Japan Foundation, que este mês se centra nos seus filmes de juventude. A sessão de abertura é, no entanto, preenchida por “TABU”, a obra mais recente do cineasta, que será apresentada pelo seu filho, Professor Takeshi Oshima.

Tendo começado a trabalhar para os estúdios Shochiku como assistente de realização, Nagisa Oshima assina o seu primeiro filme ainda em 1959, tornando-se um dos nomes mais proeminentes da nova vaga japonesa. Tratava-se de “UMA CIDADE DE AMOR E ESPERANÇA”, e estreava no mesmo ano em que eram exibidos “OS QUATROCENTOS GOLPES” e o “ACOSSADO”, em França, iniciando o movimento designado por “nuberu bagu”, uma tradução literal do termo francês. Desse movimento fariam parte outros realizadores como Masahiro Shinoda e Yoshishige Yoshida. É num cenário político extremamente turbulento, dominado por fortes protestos sociais que Oshima começa a filmar histórias frequentemente assentes em factos reais, cujos protagonistas são muitas vezes jovens problemáticos, forçados pelas circunstâncias a enveredar pela via do crime, dando assim voz às tensões na sociedade japonesa e à juventude sua contemporânea.

E é desde o primeiro filme que se estabelece a sua reputação de realizador contestatário e iconoclasta, concentrado numa crítica dos valores tradicionais do Japão e na defesa dos ideais de esquerda. Mas a inovação de Oshima ultrapassa em muito o plano temático. Como refere Tadao Sato, conhecido historiador e crítico japonês, “CONTO CRUEL DA JUVENTUDE”, a sua segunda longa-metragem, “é um dos melhores filmes de Oshima, porque o seu estilo aproxima-se fortemente do tema da crueldade”. O comentário aponta para a inovação, notada desde cedo, de todo o cinema de Oshima, que faz dele um cineasta marginal num duplo sentido, como poderemos constatar através do programa que prosseguirá em Novembro com os seus trabalhos mais recentes.

Sex. [22] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro
GOHATTO
“Tabu”
com Takeshi Kitano, Ryuhei Matsuda, Shinji Takeda, Tadanobu Asano
Japão, França, Grã-Bretanha, 1999 – 100 min / legendado em português

O mais recente filme de Nagisa Oshima tem por pano de fundo a era Meiji no Japão e por tema a história de um jovem samurai, figura andrógina que vai despertar o desejo de outros guerreiros, provocando uma série de conflitos. TABU marca o regresso de Nagisa Oshima ao cinema de ficção, de que estava ausente desde 1986, e aproxima-se muito particularmente de MERRY CHRISTMAS MR LAWRENCE.

Seg. [25] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro
AI TO KIBO NO MACHI
“Uma Cidade de Amor e Esperança”
com Hirioshi Fuji, Yuki Tominaga, Yûko Moshizuki, Michio Ito, Fumio Watanabe, Kakuko Chino
Japão, 1959 – 62 min / legendado em inglês

AI TO KIBO NO MACHI é a primeira longa-metragem de Nagisa Oshima. E nela está já bem patente a característica principal que iria marcar toda a obra do cineasta: personagens margi­nais (mal) inseridas na sociedade fria e brutal a que não querem e/ou não conseguem adaptar-­-se. A controvérsia gerada pelo filme no Japão, mesmo tendo este estreado longe das grandes salas, garantiu a Oshima a possibilidade de continuar a filmar nos estúdios Shochiku.

Qua. [27] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro
SEISHUN ZANKOKU MONOGATARI
“Conto Cruel da Juventude”
com Yusuke Kawazu, Miyuki Kuwano, Yoshiko Kuga
Japão, 1960 – 95 min / legendado em inglês

Realizada a cores e em scope, a segunda longa-metragem de Oshima é um filme representativo da “nova vaga” japonesa do início dos anos 60, que marcou, como todas as outras “novas vagas”, um rejuvenescimento dos realizadores e das personagens. Esta cruel história sobre a relação entre uma adolescente e um rapaz mostra, segundo o realizador, o desencanto de parte da juventude japonesa do pós-guerra, “que só consegue manifestar a sua cólera de maneira desviada”. Um dos grandes filmes japoneses deste período e uma das obras maiores de Oshima.

Sex. [29] 22:00 | Sala Luís de Pina
NIHON NO YORU TO KIRI
“Noite e Nevoeiro no Japão”
com Fumio Watanabe, Miyuki Kuwano, Masahiko Tsugawa
Japão, 1960 – 105 min / legendado em inglês

NIHON NO YORU TO KIRI é uma espécie de balanço político para a sua geração, que se apro­ximava então dos trinta anos e antecipa CERIMÓNIA SOLENE (1971). Uma festa de casamento é interrompida pela chegada de um amigo dos noivos, que vem de uma manifestação política. A partir daí, desencadeia-se uma discussão e um ajuste de contas entre os presentes, todos militantes ou antigos militantes de movimentos de esquerda, numa mise en scène extremamente precisa e directa.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This