Barrio Triste: vencedor do IndieLisboa estreia em exclusivo na Filmin
A primeira longa de Stillz, produzida por Harmony Korine, chega à plataforma a 8 de outubro.
Barrio Triste, a primeira longa-metragem do realizador Stillz, chega à Filmin a 8 de outubro, em exclusivo. Produzido por Harmony Korine e vencedor do Grande Prémio do IndieLisboa, o filme acompanha um grupo de jovens dos subúrbios de Medellín, nos anos 80, que rouba uma câmara a uma televisão local para filmar as próprias vidas. O resultado é um retrato cru e inquietante de uma juventude marginalizada, a meio caminho entre o documentário e o fantástico.
Uma câmara roubada, uma cidade inteira
O ponto de partida de Barrio Triste é simples: um grupo de jovens de um bairro periférico de Medellín apodera-se de uma câmara de uma estação de televisão local e decide usá-la para documentar o seu quotidiano. O que começa como uma deambulação pela cidade transforma-se, pouco a pouco, numa experiência cada vez mais estranha, atravessada pelo isolamento, pela violência e por um inesperado encontro paranormal.
Entre caminhadas intermináveis pelas ruas da cidade colombiana, o assalto a um banco e acontecimentos que desafiam a lógica, Stillz constrói um retrato fragmentado e visceral de um grupo de jovens à procura de um lugar no mundo. É um filme sobre uma geração sem grandes perspetivas, que encontra na câmara uma forma de olhar para aquilo que a rodeia — e de se ver a si própria.
A câmara funciona como uma extensão do olhar das personagens, dando-lhes controlo sobre a forma como são representadas. Esta linguagem, próxima do documentário e do found footage, cria uma experiência imersiva em que realidade e ficção se vão confundindo à medida que a narrativa avança.
O olhar de Stillz
Stillz tornou-se conhecido pelo trabalho na realização de videoclipes, um território onde nos últimos anos se afirmou como um verdadeiro fenómeno e ajudou a reinventar o género. Ao longo desse percurso, construiu uma identidade visual marcada por uma abordagem experimental e pela capacidade de transformar o universo dos artistas com quem colabora.
Com Barrio Triste, leva essa linguagem para a longa-metragem. O resultado é um filme visualmente ousado, que se afasta das convenções narrativas para mergulhar no quotidiano de personagens à margem. Em vez de explicar a realidade em que vivem, o realizador prefere acompanhá-las, deixando que sejam os seus gestos, os seus silêncios e as imagens que elas próprias captam a revelar a angústia e o isolamento que lhes atravessam a vida.
A assinatura de Harmony Korine
A produção tem a chancela de Harmony Korine, uma das figuras mais reconhecidas do cinema independente norte-americano e realizador de Spring Breakers: Viagem de Finalistas. A colaboração entre Korine e Stillz resulta num cinema que privilegia personagens marginais, narrativas pouco convencionais e uma estética que ignora as fronteiras tradicionais entre cinema, cultura urbana e música.
Essa soma de influências é visível num filme que combina o realismo de um retrato social com uma dimensão progressivamente surreal e perturbadora — uma deriva que acompanha a própria descida das personagens a um território cada vez mais difícil de decifrar.
Do IndieLisboa para o streaming
Depois de conquistar o Grande Prémio do IndieLisboa, Barrio Triste encontra agora casa na Filmin, onde fica disponível em exclusivo a partir de 8 de outubro. Para quem não o apanhou no festival, é a oportunidade de descobrir uma das estreias mais singulares do cinema independente deste ano.
A Filmin Portugal é uma plataforma de vídeo a pedido dedicada ao cinema independente, com canais dedicados ao Cinema Português, às Curtas-Metragens, ao Cinema Clássico, ao Documentário e à Animação, além de várias coleções temáticas. A subscrição custa 6,95€ por mês ou 55€ por ano.
Mais informações no site da Filmin e nas redes sociais da plataforma, no Facebook, no Instagram e no Twitter.
Um filme para ver de olhos bem abertos
Barrio Triste não é um filme de respostas fáceis. É um objeto que pede ao espectador que se deixe levar pela câmara nervosa dos seus protagonistas e que aceite que, a certa altura, a lógica deixa de ser o fio condutor. Com a estreia na Filmin, a primeira longa de Stillz fica ao alcance de um público muito mais vasto do que o das salas do festival — e confirma que o realizador vindo dos videoclipes tem muito para mostrar no grande ecrã.
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