Revoluções Curtas revela as 20 curtas em competição na Filmin
A terceira edição do festival online da Filmin junta ficção, documentário, animação e experimental numa seleção que atravessa identidade, memória e pertença.
O Revoluções Curtas, festival online da Filmin dedicado a novas vozes do cinema português, anunciou as 20 curtas-metragens que competem na sua terceira edição. As obras, entre ficção, documentário, animação e cinema experimental, exploram temas como a identidade, a memória, o corpo, a família, a fé e a relação com os lugares onde vivemos. As curtas estão disponíveis na plataforma Revoluções Curtas da Filmin entre 24 de setembro e 24 de outubro, a concurso para o Prémio do Júri, no valor de 1.000 euros, e o Prémio do Público, no valor de 750 euros. O anúncio foi feito pela Filmin Portugal, plataforma de VoD dedicada à descoberta e promoção de novos realizadores portugueses.
Infância, família e as novas gerações
A infância e as relações entre gerações atravessam algumas das histórias mais íntimas desta seleção. Em O Amor Fez Uma Esfera, de Gabriel Andrade, Eduardo, um rapaz de oito anos obcecado pelo espaço, passa um fim de semana na casa do avô ausente. Também A Emancipação de Mimi, de Marcelo Pereira, parte do universo de uma criança para construir uma comédia sobre desejo, rebeldia e identidade.
Em 24 Lagarteiros por Segundo, de Maria Durão, Diogo Costa e Miguel Candeias, são as crianças e jovens do Bairro do Lagarteiro, no Porto, que assumem o centro da narrativa, olhando para o quotidiano do bairro a partir do seu próprio ponto de vista.
O corpo como palco de conflito e transformação
O corpo surge como território de descoberta, conflito e transformação em várias das obras selecionadas. Em O Tempo das Cerejas, de Clara Parente, Inês procura respostas para uma dor inexplicável e para a ausência de menstruação, deparando-se com um diagnóstico impossível que transforma a endometriose num universo fantástico e surreal. Já Espécies Férteis, de Francisca Neves, se situa entre o drama e o experimentalismo: no silêncio do Alentejo, Maria entrega-se a uma experiência insólita que aproxima o seu próprio batimento cardíaco do dos cães.
Em Peripécias no Espaço, de Caio Amado Soares, uma viagem espacial atribulada transforma-se numa metáfora para a transição e para as dúvidas associadas à identidade de género. E em Inheritance, de Mischa Andreski, Alice viaja de Londres para o Douro em busca da herança deixada pela mãe.
Lugares, memória e pertença
A relação com os lugares e com as memórias que neles permanecem é outro dos fios condutores da seleção. Em Pássaro Azul, de Miguel Munhá, a tentativa de recuperar memórias transforma-se numa reflexão sobre a ansiedade e o trauma. Feitos de Betão, de canivete, constrói um retrato de Algueirão-Mem Martins a partir dos seus espaços, habitantes, histórias e memórias. Em Tempo Corpo Falha, de Rita Costa, a observação do quotidiano de uma família romani no Alentejo transforma-se num exercício sobre tempo, presença e olhar.
Já Two Days and Two Nights, de Katarina Lanier, acompanha duas amigas que acampam junto ao mar durante dois dias e duas noites. Entre conversas, silêncios e cumplicidades, uma confissão sobre o passado traz à superfície segredos e mudanças numa amizade construída ao longo dos anos.
Entre o fantástico, a ficção científica e a experimentação
A terceira edição do Revoluções Curtas inclui também várias obras que cruzam o quotidiano com o fantástico, a ficção científica e o cinema experimental. Em Not Yet, de Marta Bao, uma jovem engenheira desenvolve um serviço de cuidados personalizados que pretende melhorar a qualidade de vida através da tecnologia e da empatia. A Goiva, de Alexandre Amado, é um ensaio visual e sonoro de ficção científica que confronta a dimensão humana com a infinitude do tempo cósmico.
Ultravioleta, de José Magro, cruza documentário e ficção científica numa história sobre abandono, memória e pertença. Em I Can See Jay There, de Miguel Domingues, animação e documentário encontram-se para retratar Jay Monte, antigo segurança de um bar em Amesterdão.
Fé, memória histórica e linguagem cinematográfica
A relação com a fé e com a memória histórica também marca algumas das propostas desta edição. Realizada em 16mm com película que restou de Grand Tour, de Miguel Gomes, Andar com Fé, de Duarte Coimbra, acompanha uma deambulação por Lisboa, pela memória e pelo luto. Em Êxtase, de Pedro Baptista, uma freira repete rituais numa tentativa de encontrar respostas para a dúvida que se instalou sobre o seu chamamento. Carnaval Canibal, de Inês Leal, regressa ao arquivo fotográfico da antiga Diamang, em Angola, para recontextualizar imagens produzidas durante as décadas de 1950 e 1960 no contexto do colonialismo português.
A seleção inclui ainda propostas que exploram as possibilidades da própria linguagem cinematográfica. Em Estou a Sentir Qualquer Coisa, de Nuno Pimentel, parte do conceito de “imagem-tempo” de Gilles Deleuze para cruzar documental, ficção e experimentalismo. Já em Coisas Sérias, de Laura Conceição, a câmara assume o ponto de vista de quatro garrafas de vinho durante uma festa entre amigos, dando às garrafas o papel de testemunhas silenciosas de uma noite em que o álcool, os conflitos e os acontecimentos inesperados se acumulam.
As 20 curtas-metragens do Revoluções Curtas estão disponíveis na Filmin entre 24 de setembro e 24 de outubro, a concurso pelo Prémio do Júri e pelo Prémio do Público. Com uma seleção que atravessa gerações, corpos, lugares e crenças, a terceira edição do festival reafirma-se como uma montra do que de mais pessoal e diverso se faz hoje no cinema português, deixando ao público um mês inteiro para descobrir estas novas vozes.
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