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“O Aldrabão”

Sem preconceitos.

Qual é a probabilidade de ouvirmos uma história onde é um escravo quem triunfa? De ver esse mesmo escravo com a capacidade de negociar (e gozar!) com homens poderosos e, sobretudo, de assistirmos a um enredo onde são as personagens principais que têm medo da sua esperteza e destreza para conseguir atingir os seus objetivos? Pois é, não vemos grande probabilidade, não é? Pelo menos na nossa concepção social, que nos diz que um escravo é sempre o elo mais fraco numa sociedade que assumia os seus direitos de propriedade através da força.

Mas o talento de Plauto trouxe-nos um enredo que se construiu de maneira diferente, há mais de 2000 anos. O autor romano brinda-nos com uma daquelas que é considerada uma das suas melhores comédias (para alguns é mesmo a sua obra-prima) e que se assume como um dos textos centrais da dramaturgia ocidental. Brinda-nos com uma nova perspectiva dos escravos, ladinos e atrevidos, inimigos perigosos dos chefes e sempre vitoriosos na condução de tramas de amor.

Uma comédia que se centra na personagem do escravo Pseudolo, em Atenas, que de tudo vai fazer para conseguir com que o seu amo consiga ficar com a sua amada, Fenicia, destinada a ser vendida a um soldado, por um tirano de putas a quem esta pertence. Mas os métodos de Pseudolo são mais criativos (ou trapacentos) do que poderiamos esperar: a peça revela-se num enrendo cheio de enganos e trocadilhos que, com muita esperteza, manha e alguma sorte, o escravo leva a cabo. Porque afinal ele “conta uma mentira como se fosse completamente verdade”.

A encenação da peça do D.Maria II ficou a cargo de João Mota, que caracteriza o teatro de Plauto como “exibicionista, brutal, impudico e totalmente incorrecto” e que vê a acção como um “verdadeiro ritual contra uma sociedade movida pelo poder e as aparências”. O elenco principal conta com a experiência de actores como Virgilio Castelo, Rui Mendes, João Ricardo ou Fernando Gomes, que com a sua exterioridade carnavalesca põem toda a verdade a nu.

“O Aldrabão” está em cena até 17 de Novembro, na Sala Garrett. Quartas às 19h, de Quinta a Sábado às 21h e Domingos às 16h. Para ver sem preconceitos.

 

Fotografia de Rita Sousa Vieira



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