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“Rush – Duelo de Rivais”

O mais recente de Ron Howard.

Tal como numa corrida de Fórmula 1, também aqui a partida é dada de forma estonteantemente rápida, numa aceleração vertiginosa que se afigura como uma tentativa de imergir o espectador no momento, familiarizando-o simultaneamente com as personagens e as suas respectivas histórias. Os minutos iniciais procuram estabelecer um ponto de partida para a narrativa através de voice-overs introdutórios feitos pelos respectivos rivais do título; porém na realidade, as suas motivações e backgrounds acabam por ser reduzidos a um par de frases curtas e simples, entregues de forma rápida e seca e a um ritmo frenético (talvez uma referência ao Rush do título original?).

Tal como em tantas outras produções de Hollywood, também ‘Rush – Duelo de Rivais’ vem acompanhado do selo “Baseado em Factos Reais”, uma tática presente nos materiais promocionais dos mais variados filmes, e por vezes aplicada de forma muito livre relativamente ao material que lhe deu origem. Porém, neste caso tal estratégia serve para alertar o espectador que por mais espectacular e surreal que determinados acontecimentos possam parecer, a verdade é que eles ocorreram mesmo a estas duas personagens de carne e osso. Talvez quem não seja fã de Fórmula 1, ou não se encontre familiarizado com o seu universo e mitologia desconheça o impressionante antagonismo entre James Hunt (Chris Hemsworth) e Niki Lauda (Daniel Bruhl), lendas do Automobilismo F1 e estrelas da década de 70 e 80. O histórico da rivalidade entre ambos está bem documentada (tanto dentro como fora das pistas), e não deixa de ser curioso que tenha levado tanto tempo para Hollywood adaptar uma história (verídica) possuidora de todos os ingredientes de qualquer grande superprodução.

Como se de um combate de boxe se tratasse; de um lado temos Hunt, o magnético e incorrigível playboy britânico, uma perfeita personificação de uma superstar da F1; do outro lado do ringue o cerebral, metódico e esforçado Lauda, que poderia ser perfeitamente descrito como um nerd da pista. São estas duas figuras de personalidades diametralmente opostas, e a dinâmica do relacionamento entre ambos que constitui o eixo narrativo do filme. A grande maioria da ação desenrola-se durante a Temporada de 1976 da Fórmula 1 numa (minuciosa) recriação dos eventos originais. A história é narrada intercaladamente por Hunt e Lauda, que nos vão “atirando” as reviravoltas mais emocionantes desta história verídica.

O realizador Ron Howard é dificilmente um novato no que diz respeito à realização de biopics (Uma Mente Brilhante; Cinderella Man; Frost/Nixon) , mas este é facilmente o filme mais sexy da sua filmografia. Numa época em que os pilotos de F1 eram o equivalente a rockstars, o seu estilo de vida era reflexo disso mesmo com quantidades de sexo, drogas e álcool que não ficam a atrás de um qualquer Rolling Stone. Talvez por isso as personagens femininas, Suzy Miller (Olivia Wilde) e Marlene Knaus (Alexandra Maria Lara) sejam apenas papéis superficiais a quem não é dado muito que fazer e que servem apenas de troféus nas mãos dos respectivos cônjugues. Enquanto a primeira não tem mais do que um glorificado cameo, a segunda apesar de uma óptima cena introdutória nunca chega a ser vista como uma personagem totalmente desenvolvida.

O final, tal como o início do filme, acaba por ser mediano ao terminar numa nota moralizante, quase sempre presente neste tipo de produções. É interessante constatar a necessidade que Hollywood tem em “limar as arestas” dos verdadeiros heróis, que apesar dos seus defeitos, falhas e fragilidades culminam quase sempre num final com um tom politicamente correcto. Mas até chegarmos lá, é sem dúvida um rush!



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