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O Lugar do Coração

Às vezes, os acidentes da vida transformam-se em inesperadas relações felizes

Para quem é fã de uma boa história sobre relações familiares, O Lugar do Coração (Porto Editora, 2014), de Emily Giffin, é o romance ideal.

Marion tem 36 anos, é bem sucedida no trabalho, tem um namorado de invejar e mora num excelente apartamento em Nova Iorque. Mas tem um passado de que ninguém desconfia. Aos 18 anos, engravidou e, sentindo não estar preparada para o futuro, escondeu esse facto de quase toda a gente, incluindo o pai da criança.

Marion não estava longe de imaginar que, um dia, Kirby, a filha que tinha dado em adoção, lhe batesse à porta, pelo que não foi com grande surpresa que vi esse dia chegar. Marion tem, então, que enfrentar as suas decisões de quase duas décadas. E, de forma relutante, mãe biológica e filha iniciam uma relação de mãe/amiga/filha. Marion começa então a aperceber-se da vida que podia ter tido se tivesse contado a verdade. Seria tarde demais para contar tudo ao pai biológico? É também neste ponto que o livro se foca. Dúvidas, revoltas, emoções fortes, nascimento de ligações entre pessoas do mesmo sangue, tudo isto se encontra nas páginas deste livro, que vai, a cada capítulo, emocionando o leitor.

Com capítulos curtos, a narrativa vai sendo alternada entre os pontos de vista de Marion e Kirby, sempre na primeira pessoa, o que permite sentir a mesma realidade através de emoções completamente diferentes. Para cada personagem, Emily Giffin vai desfiando, com mestria, sentimentos, sonhos, esperanças, medos e expetativas, envolvendo o leitor na busca de Kirby pelo lugar a que pertence: família adotiva ou pais biológicos.

A história não é completamente previsível, o que mantém o leitor interessado em saber qual o desfecho. E também não tem a carga dramática ou o julgamento pelas más ações que seria de esperar com um assunto desta natureza. A autora soube muito bem, através de uns toques de humor, aligeirar um pouco a narrativa, tornando-a mais leve. Mas não deixa de ser uma história bastante realista sobre as repercussões do aborto, da gravidez na adolescência e da culpa de dar uma criança em adoção, que podia acontecer a qualquer pessoa conhecida dos leitores. O lugar do coração é uma história complexa sobre segredos, relações familiares e escolhas.

As personagens, muito bem caraterizadas, são muito diferentes em termos de personalidade, mas, ao interagirem, acabam por ensinar lições de vida umas às outras sobre família, amor, união e vida. Trata-se simplesmente de pessoas comuns que tentam dar o seu melhor em relação àquilo que têm como correto. Tal como na vida real, ninguém é perfeito e as pessoas cometem erros, tentam repará-los e mostram capacidade de perdoar.

No final do livro, o leitor poderá tirar as suas próprias conclusões acerca do futuro da Marion, da Kirby e do Conrad. A história é, de certa forma, deixada em aberto a uma continuação num outro volume.

A mensagem com que se fica ao fim destas páginas é a de que há que encarar o passado, mesmo aquele que não se aceita. Porque o passado nem sempre traz apenas dor. Inesperadamente, esse mesmo passado pode também trazer alegria. E, para isso, basta aceitar e amar o que não pode ser mudado.”



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