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As Regras do Verão

As Regras do Verão

“E é tudo.” – Assim terminam as regras ditadas por Shaun Tan para o verão de dois jovens e corajosos rapazes. Para nós, fecham-se as páginas e multiplicam-se as perguntas, desdobram-se curiosidades e dilemas, folheiam-se as páginas do seu princípio para o seu fim, de trás para a frente, da contracapa para a capa, de um pormenor para outro, de uma palavra para o todo.

“As Regras do Verão” (Kalandraka, 2014) não é simplesmente um álbum ilustrado, é uma verdadeira obra de arte, cujas páginas poderiam ser emolduradas e revestir paredes de casa, enquanto lembretes ou dicas para a vida.

A relação de cumplicidade entre dois rapazes é testada num conjunto de desafios. A história não segue uma narrativa, lança sim uma misteriosa lista de regras, tais como “Nunca comas a última azeitona numa festa”, “Nunca pises um caracol” ou “Anda sempre com uma torquês”, numa linguagem que tem tanto de misteriosa como de poética.

Os vinte quadros surrealistas que Shaun Tan reúne neste grandioso livro – em formato e em conteúdo – começam por ser estranhos para, aos poucos, se tornarem familiares, como se à medida que folheamos o livro fossemos avançando para dentro daquele mundo particular, nos tornássemos parte dele e brincássemos com os dois rapazes naquele verão. Cada regra quebrada revela uma consequência e o leitor é impelido a imaginar o que realmente aconteceu, por que razão aconteceu e que regra se seguirá, com verdade ou consequência.

Num universo pleno de imaginação e fantasia, onde frascos de vidro que caem despoletam raios de fogo no céu, “As Regras do Verão” interroga-nos sobre a arbitrariedade das regras dentro das relações que estabelecemos com os outros e com o mundo.

Como dita uma das frases do livro, “Nunca esperes por uma desculpa” para entrares num estranho mundo de brincadeiras perigosas, onde as regras existem precisamente para serem quebradas.

Shaun Tan é um génio da ilustração, com um enfoque particular no fantástico. Livros como “A Árvore Vermelha” e “A Coisa Perdida”, também editados em Portugal pela Kalandraka, são bons exemplos da sua mestria e particularidade. O seu trabalho está editado por toda a Europa, Ásia e América do Sul e tem sido galardoado com importantes prémios, tais como o “World Fantasy Best Artist Award”, em 2001, e o Prémio Alma, em 2011.



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