“O Palácio da Meia-Noite” | Carlos Ruiz Zafón

“O Palácio da Meia-Noite” | Carlos Ruiz Zafón

Os oito em Calcutá

Depois do enorme sucesso que o espanhol Carlos Ruiz Zafón conseguiu com “A Sombra do Vento” – especialmente – e “O Jogo do Anjo”, o autor natural de Barcelona entrou numa negação produtiva que apenas foi quebrada com “O Prisioneiro do Céu”.

De forma a colmatar essa ausência editorial, Zafón reeditou alguns dos livros que escreveu antes das aventuras de Daniel Sempere no Cemitério dos Livros Esquecidos e que tinham, como público-alvo, uma faixa etária mais juvenil.

Para além de “O Prisioneiro do Céu” – que revisita os inesquecíveis personagens de “A Sombra do Vento” – e “Marina”, a editorial Planeta lança agora “O Palácio da Meia-Noite”, segundo volume da Trilogia da Neblina composta por o também já editado “O Príncipe da Neblina” e que terá, como tomo final, “As Luzes de Setembro”.

Escrito em 1994, “O Palácio da Meia-Noite”, agora revisto e melhorado, volta a revelar a mestria de Zafón que consegue, com uma magia inata, criar uma estória sinónimo de montanha-russa emocional que prende o leitor da primeira à última página e que tem, como ingredientes principais, um misto de fantasia, terror, suspense e um cenário escuro que apenas ganha brilho com a conduta dos vários personagens.

A grande novidade deste romance é o cenário da ação. Ao contrário dos outros livros de Zafón, não é em Barcelona que se vivem todas as peripécias mas sim na mística Calcutá, no coração da misteriosa Índia.

Ao longo das páginas deste livro ficamos a conhecer a maravilhosa e fatídica estória de Ben e Sheere, dois irmãos gémeos separados à nascença que, na companhia dos outros membros da Chowbar Society – irmandade que se reúne semanalmente no Palácio da Meia-Noite -, se vêem envolvidos na derradeira e maior aventura das suas vidas, que vai mudar o destino destes destemidos jovens que tomavam como sua a cidade de Calcutá, prolífera em edifícios e com uma atmosfera única.

A ação divide-se entre 1916 e 1932, e a aventura inicia-se quando numa inimaginável noite de terror o tenente inglês Peake tenta proteger com a sua vida dois bebés que fogem ao pior dos destinos: o desejo de vingança de Jawahal. Lutando contra a morte a cada passo, Peake consegue entregar as pequenas criaturas a Aryami Bosé, sua avó, que se afigura com a única salvação.

De forma a salvar os únicos rebentos que resultaram da feliz união da sua filha com o peculiar engenheiro e escritor Chandra Chantterghee, Aryami Bosé decide levar Ben para o orfanato St. Patrick, dirigido por Thomas Carter, para manter Sheere sob a sua proteção.

Dezasseis anos depois, o terrível Jawahal decide voltar a ameaçar tudo e todos de forma a dar o golpe final e completar os seus maquiavélicos planos. No centro deste turbilhão de acontecimentos vividos em plena cidade dos palácios, os oito membros da Chowbar Society vão sentir, literalmente, o fogo do ameaçador e sinistro Jawahal – uma das mais interessantes personagens criadas por Zafón – e lutar contra os próprios medos.

A forma como Zafón leva o leitor por entre as ruas escuras de Calcutá e os embrenha no mistério de Ben e companhia torna “O Palácio da Meia-Noite” num livro obrigatório, não só para os fãs do autor de “A Sombra do Vento” mas para todos, independentemente da idade, que gostam de um estória maravilhosa, repleta de ação, fantasia e enigmas.

Para a memória ficarão, sem dúvida, as maravilhosas descrições de uma cidade repleta de edifícios e locais mágicos, assim como o conhecimento do “Pássaro de Fogo”, a arma mortífera de Jawahal ou o assustador comboio de chamas.



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