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Portugal Fashion Timeline – Dia 4

Último dia de desfiles

O último dia do Portugal Fashion começou com Concreto by Hélder Baptista e Mad Dragon Seeker by Alexandrine Cadilhe & Daniel Simões. “Bright days” é o nome da colecção de Hélder Baptista onde, tal como o nome indica, a chegada do Verão pressupõe a intensidade da luz e a oportunidade de lazer nos dias quentes. O estilista apresenta silhuetas justas em contraste com vestidos amplos e soltos. Está presente o tricô, como é habitual nas colecções da Concreto, e transparências em cores fluorescentes, tal como o amarelo, laranja flúor, limão e alguns apontamentos de azul.

Já os estilistas Alexandre Cadilhe & Daniel Simões apresentam uma colecção com um espírito aventureiro e cheio de mistério, acompanhada por texturas e cores fortes, sempre fiel aos valores que definem a marca: “qualidade, conforto e individualidade”.

No espaço Bloom foram apresentadas as propostas da ESAD (Escola Superior de Arte e Design) com Mariana Baptista em “Metamorphoses”. A jovem estilista inspirou-se nas medusas, por remeterem para a leveza e fluidez e na Beekman Tower do arquitecto canadiano Frank Gehry, que impõe alguma rigidez.

Puderam ver-se peças marcadas por “transformações e inversões nos cortes e construção, onde malhetes, colarinhos e lapelas aparecem nas costas e, as ultimas invertidas”. Com cortes diagonais nas mangas das camisas e a conjunção entre uma camisa e umas calças clássicas de onde resulta um macacão com cós e gancho descidos, puderam ver-se ainda muitas outras peças em cores como o preto, azul-marinho e em materiais clássicos como o algodão.

Joana Cunha, outra jovem estilista estudante da ESAD traz-nos um desfile intitulado de “Back To Dandy”.

Dandy é um estilo do séc XIX com um apurado sentido estético e cavalheirismo apresentando-se num estilo mais retro criando o dandy contemporâneo.

Uma colecção elegante que dá uns toques no sportchic, no golfe e nas peças clássicas de vestuário masculino. Utiliza padrões clássicos de camisaria masculinas, mas com uma construção inovadora a nível de corte.

Ana Oliveira, na sequência do desfile, “com cortes austeros e silhuetas limpas e depuradas”, a colecçao “Peau Blanche” mostra a mulher com uma atitude descontraída e imponente com alguns toques de anos 90. Com um ar muito minimalista, a imagem cosmopolita e urbana está presente em todas as peças dando a ideia de “uma mulher de êxito que corre todos os dias numa cidade cheia de cultura e inspiração”. A paleta de cores usada foram cores neutras e pálidas, de modo a enfatizar o corte das peças e a chamar a atenção aos pormenores.

Maria Petracchi em “A morte do Artista” mostra-nos “a obsessão clara num futuro que desconhecemos, a morte, e que transparece num bailado de cores e formas constantes que cantam uma sinistra e agradável harmonia”. Trouxe-nos peças com estampados inspirados em folhas, troncos e ossos, em tons como o bordeaux, verde, preto e branco, onde nos mostra um look agressivo combinado com um colorido harmonioso.

Para terminar o desfile da ESAD, Overlay by Catarina Ferreira sugere “formas exageradas, volumes escandalosos, casacos cheios de camadas com comprimento intermédio, cortes largos e capuchos gigantes”. Utiliza a tecnologia do corte a laser em algumas peças e estampados all-over a fim de produzir uma imagem complexa e inesperada entre a bi/tridimensionalidade. As cores que a estilista propõe são os azuis, preto nude e luz metálica para dar um toque de sofisticação.

No espaço Poente, num único desfile entre vários nomes, com propostas cosmopolitas e originais, a marca de sapatos portuguesa Cohibas dispensa apresentações. Esta colecção alegre, cheia de cor, traz-nos agora modelos mais leves e confortáveis a pesarem cerca de 350 gramas! Em tons alegres que combinam com o Verão, como o verde-água, laranja e azul-céu em modelos clássicos, urbanos e casuais. Seguidos da marca Dkode, que traz-nos “New Reality”, convida-nos a apreciar os detalhes tradicionais e abstractos que coexistem nos sapatos da nova colecção, com peles naturais, camurça enrugada, oleada ou envernizada com uma paleta de tons pasteis naturais suaves, entre tons fortes como se tem visto nas novas tendências para a próxima colecção. A Fly London também presente nesse desfile, repleta de propostas alegres, com muita criatividade, inovação e humor. Para senhora, as linhas DIVA e KIOTO, e, para homem, FINLAY e WATSON, um misto de propostas elegantes e confortáveis. Nobrand, outra marca que propõe uma colecção revival numa visão muito modernista e arrojada, inspirada no movimento Harlem, para evidenciar a originalidade de qualquer estilo!

Terminou então com Sílvia Rebatto, numa linguagem muito simples e versátil ideal para todas as ocasiões.

A revolucionar o mundo da moda no espaço Bloom, a escola Artística e Profissional Árvore traz-nos o conceito “Moda não é lixo”, relembrando-nos que a moda serve como uma segunda pele e que vivemos num mundo onde a roupa é facilmente descartada. Utilizando a estrutura fast-fashion, os alunos apresentam as peças em “congelamento”, para representar o momento em que as mesmas são descartadas, estimulando a reflexão. Sendo assim, as peças são colecções antigas que caem em desuso, reciclando-as e enfatizando o valor das mesmas pelas suas histórias para se comunicarem e expressarem através de um tempo vivido.

Já do outro lado da Alfândega, Carlos Gil seguido de Vicri apresentam as suas colecções.

O primeiro inspirado em Paris/Bangkok com contrastes e elegância parisiense e ostentação tailandesa, através das rendas, pailletes, sedas e brocados, surgem shorts, calças, jaquetas, vestidos e tops, evidenciando o trabalho à mão, em tons pálidos de rosa, verde azul e lilás.

O segundo, inspirado na nostalgia das férias grandes de Verão quando dividíamos os três meses entre a praia e o convívio com os amigos, nos gelados que nos refrescavam e no calor que nos acompanhava. A colecção surge através da sensação de doce/ácido baseadas nas embalagens dos gelados com títulos em cores pop. As suas peças leves, feitas em algodão e linho como materiais predominantes, trazem-nos um estilo descontraído adaptável a qualquer situação.

Entre outros desfiles como Autopsy by Jordann Santos, Meam by Ricardo Preto e Sound of Silence de Cláudia Garrido no espaço Bloom, aguardava-se pelo desfile Lion Of Porches no Espaço Poente da Alfândega.

Nesta estação a marca apresenta a linha Lion Kids para menino e menina, mantendo o seu registo britânico aliado a elementos de inspiração colegial e heráldica para os mais pequenos. As cores mantiveram-se aliadas à marca, com os vermelhos, azuis e tons pastel.

Luís Onofre trouxe de volta os modelos compensados e plataformas duplas, conjugados com os saltos stiletto e saltos plexi de formas rectilíneas numa paleta de cores irresistíveis, com fúcsia, azul eléctrico, violeta e amarelo torrado, dando ênfase aos bronzeados e pele queimada pelo sol. Com variadíssimas propostas de sapatos de mulher, Luís Onofre lança mais uma vez uma tendência luxuosa vs “usual plastic” onde a mulher tem imensa escolha.

Seguiu-se então Dielmar, com o tradicional look clássico através de uma proposta com um toque jovem e fresco que foge ao classicismo das peças comuns. A alfaiataria tradicional é modernizada com peças de carácter mais sportwear usando tecidos 100% naturais como o algodão, seda e até mesmo lã.

No campo das cores, a proposta é feita numa paleta de azuis indigo misturados com vermelho vivo, branco e azul céu, com um toque náutico que ao longo do desfile nos remete para uma paleta de verdes menta, amarelo açafrão e castanhos pastel com pequenos toques de laranja e rosa.

Quem não dispensa mesmo apresentações é a conhecida Fátima Lopes para fechar esta edição do Timeline – Portugal Fashion.

Com a sua linha “Luxuriant Paradise”, a estilista revela-se através de uma colecção pessoal e íntima remetida para as memórias que tem da sua infância na ilha da Madeira. Com formas estruturadas e um pouco futuristas, Fátima Lopes traz-nos uma colecção revigorante com padrões que fazem lembrar um caleidoscópio, numa paleta de cores contrastada com os negros, azuis do fundo do mar, rosas flamejantes e verdes onde subtilmente nos apercebemos que no padrão estão por desvendar flores tropicais e pássaros do paraíso.

Maioritariamente composta por vestidos, jumpsuits e calças, esta colecção está fantástica e denota-se a proximidade com a linha habitual da estilista.

Fotografia por Pedro Castro.



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