Portugal Fashion Vibe 2013

Portugal Fashion VIBE | (23.03.2013)

Um dia repleto de desfiles com o fecho a cargo de Luis Onofre.

INDUSTRY abriu o terceiro e último dia de Portugal Fashion com as propostas trazidas por Concreto, Cheyenne, Mad Dragon Seeker e Dom Colletto, actuais e dinâmicas, fazendo uso de diversos cortes e materiais com inspiração urbana, clássica e cool para um look actual e citadino.

Seguiram-se as propostas de calçado, com a abertura a cargo da Cohibas, e a inspiração nos Hipsters, lembrando o retro, com o cunho muito próprio da marca que nunca deixa de lado o modelo Rockabilly, desta vez disponível com uma sola mais larga e leve em busca do conforto.

Dkode apresenta uma colecção emotiva e romântica. Nela encontram-se acabamentos texturizados, metálicos, desbotados e oxidados. Referência moderna à fantasia emocional, que alia o teatral, ao barroco e ao vintage.

FLY LONDON apresenta uma colecção nada convencional onde no feminino plataformas em madeira, saltos rasos com berloques e cunhas fazem a festa. Para os homens as indicações são botins e sapatos de cordão em pele vintage, pormenorizando assimetricamente cores e formas.

De composição geométrica, Alexandra Moura + GOLMUD apresenta uma proposta com inspiração no quadrado, que busca conforto e simplicidade. O uso do unissexo torna-a versátil e contemporânea, o salto alto exalta feminismo. O uso dos detalhes dourados pretende evocar o mundo extraterrestre, numa estética repleta de simbologia.

J. Reinaldo reinventa os clássicos, numa conjunção de cores joviais e frescas. A nova colecção alia dinamismo e intemporalidade, numa mistura entre passado e futuro com interpretação contemporânea.

NOBRAND apresenta Crossroads, uma linguagem neo-western e aventureira inspirada nas road trips pela Route 66 onde se experienciam desertos, saloons, drive-ins e bares típicos no interior dos Estados Unidos da América. Dá corpo a uma visão homogénea, futurista, onde todos os caminhos se cruzam num design cósmico e vanguardista.

Com Silvia Rebatto viaja-se pelo tempo, com forte influência nostálgica no passado mas ambicionando viver o futuro. Os brilhantes dourados, ocre e tonalidades mate, aliam-se a cores mais graciosas e leves como lilás e turquesa, numa colecção funcional que não esquece a modernidade nem a tradição.

Carlos Gil e a sua selva desenfreada rasgam a passerelle com o feminismo forte e cheio de atitude, inspirado na mulher citadina que se divide numa linguagem que relembra os anos 60 e 70. Destaca-se a silhueta onde a cintura é protagonista, entre tons neutros como o preto, o branco e o camel, que se misturam com os verde selva e os rosa azália em comunhão com um vasto conjunto de materiais, com destaque para os pelos e os impermeáveis, traduzindo um estilo animal.

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VICRI
evoca o homem maravilha, aperaltado com as já notáveis cores garridas onde se destacam azuis, verdes, laranjas e grenás, sarapintados com aplicações inspiradas nas patentes militares. Remontando às épocas mais abastadas encontram-se toques de ouro envelhecido.

De influência Rockabilly, ostenta feltros, flanelas algodões e sedas recuperando o clássico fato completo, estilo italiano, a calça e blazer, inovando com detalhes em pele e introduzindo casacos curtos, trespassados e as capas. Nas camisas estampam-se motivos abstractos, onde as gravatas e os laços são convidados a ficar.

Como é hábito, as peças ousadas e discretamente excêntricas contribuem para a construção de uma marca forte e exclusiva que se prepara reforçar a sua internacionalização.

 

Portugal Fashion VIBE 2013 - Carlos Gil(ver galeria)

Lion Of Porches introduz pela primeira vez uma colecção KIDS com propostas para menino e menina para Outono/Inverno. Conjuga peças simbólicas da marca, de inspiração britânica, com requinte nos materiais, acabamentos e detalhes.

LION, a sua linha mais própria, de inspiração preppy, dá destaque a tecidos como fazendas, lãs, tartan, caxemiras, xadrez aprimorados com emblemas que fazem referência ao estilo colegial, revezando cores como o marinho, verde, vermelho e amarelo.

Na linha CITY, sem quebrar a identidade da marca, sugere-se elegância e versatilidade, com inspiração britânica, sensual e feminina onde se usam as sedas como requinte. A mulher prima pela sedução contrapondo ao charme desprendido do homem.

Portugal Fashion VIBE 2013 - Lion of Porches(ver galeria)

Seguiu-se a feminilidade, sempre presente nas propostas de Felipe Oliveira Baptista. “Inquietude” concentra-se nas imagens performance de Helena Almeida, evocando força e condensando a tridimensionalidade numa peça de vestuário sóbria onde os volumes revelam a geometria em estado puro. A forma desdobrada do corpo e abstracção evocam Pina Bausch. Uma estética ainda por definir mas explorando a forte influência portuguesa após uma nova interpretação do “Livro do Desassossego”, de Pessoa, e do filme “TABU” (2012), de Miguel Gomes, que pretende misturar a repressiva austeridade e a sensualidade cintilante revelando uma linha condutora com clareza, um “ultra-classicismo” sem aspirar à intemporalidade mas antes à afirmação de uma modernidade sem época. Passeiam-se peças volumosas e assimétricas, saias e vestidos de comprimento fora do vulgar, casacos oversized de corte masculino, com grande destaque para os ombros descaídos abraçando o corpo com prints, evocando a fauna em materiais como híbridos, lãs, cetins, nylons, couros e camurças rígidos e flexíveis, monocromáticos contrastados com preto, salpicados de azul, cinza e rosa.

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DIELMAR provoca com a robustez sexy do homem que leva a vida ao estilo boémio e criativo. Desvenda um playboy citadino, que readquire elementos clássicos ao estilo sensual de “Boardwalk Empire”, “Mad Man” ou “Downton Abbey”, enfatizando os pormenores ásperos, gastos e envelhecidos em lãs, jerseys, tweeds, veludos e nattés, estampados e tingidos com destaque para os efeitos semi-brilhantes, em versões super 130’s e 150’s e os cotelê em 8, 12 e 14 canas de aspecto usado e lavado, entre bases escovadas e desgastadas que contribuem para a visão confortável, retro e vintage, que parecem transpirar a história de uma vida, entre acessórios, tons neutros, frios e quentes criando o ambiente outonal.

Luís Onofre fecha a passerelle de mais uma edição de Portugal Fashion com a irreverência dos seus acessórios. Tendo por tema “Black is Back”, a colecção decompõe-se em tonalidades, materiais e apliques metálicos. Botas, botins, galochas, sandálias e stilettos pintados de cores em suplemento ao preto, como verdes, castanhos, mel, pérola e fúchsia evocam o ambiente equestre em primazia com materiais como o couro que contrasta casualidade e sofisticação presente nos motivos metálicos aplicados nos canos, biqueiras e saltos, rasos ou de 16cm, com destaque para a estrutura metálica no interior do salto em plexiglass transparente.

As malas são apresentadas em dimensão maior e sempre a concordar com o calçado. Robustas, conjugam também aplicações metálicas, diversos tons e materiais.

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No Espaço Bloom, que destaca e apresenta novos talentos, João Melo e Costa, Mafalda Fonseca e Diana Matias foram alguns dos nomes da noite com propostas arejadas, jovens e irreverentes.

E assim terminou mais uma edição do Portugal Fashion na Alfândega do Porto onde se assinalou a necessidade de exportação da moda nacional, que, como de resto a todos os níveis, atravessa também um duro período menos rentável e onde todas as vozes afirmam a necessidade de determinação, entrega, persistência e muito trabalho.

Fotografia de Pedro Castro



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