“Freak Street” | Knife e Packer

“Freak Street” | Knife e Packer

Os freaks têm uma rua só para si

Habituados a serem olhados de lado ou com o nariz ligeiramente torcido, os freaks acabam de ganhar a respeitabilidade e uma rua só para si. A rua parece não esconder nada de especial mas, um olhar mais atento, irá descobrir um índice de estranheza que deve ser tomado em conta por quem andar à procura de moradia.

Até à data, quatro famílias assentaram arraiais nesta rua – os Zombieson, os Wizardson, os Humanson e os Alienson -, tendo a “imobiliária” lá do bairro anunciado que mais tarde ou mais cedo duas novas se vão juntar à vizinhança – os Supersons e os Vampiresons. Com edição Contraponto, estão já no mercado nacional os primeiros dois livros dedicados a esta imensa freaklândia – “A Família Zombieson” e “A Família Wizardson” -, da autoria de Knife e Packer ou, usando os nomes que constam dos cartões de cidadão, Duncan McCoshan e Jem Packer.

Os Zombieson vivem numa casa assombrada, têm um cão com três cabeças e usam os cérebros à mostra. Neste livro há um pouco de tudo: celebramos o 500º aniversário da avozinha do clã, que chega triunfantemente de skate e faz umas pizzas famosas com nomes tão apetitosos quanto “chourição arrepiante” ou “havaiana assombrada” – sempre acompanhadas com pãezinhos de alho morto-vivo; Zigi, um dos irmãos, foi expulso da equipa de futebol por ter acertado com um dos pés – isto porque os Zombieson facilmente removem partes do corpo como peças de Lego -, num árbitro na marcação (bem-sucedida) de uma grande penalidade, esperando ser readmitido quando DeMarcus Fulminante, o jogador-maravilha e autor do famoso pontapé “tiro da banana dupla”, visitar a escola em busca de novos talentos; na ida ao Parque de Diversões do Mundo Perigoso, que apresenta diversões fantásticas como “a espiral do terror” ou “adrenalina de risco”, a Avozinha perde o cérebro a bordo do comboio fantasma; há também uma estranha vidente de nome Mozarela, um vendedor de pizzas chamado Thelonius Crosta-Fina Terceiro e um pequeno e muito snob jogador chamado Dirk Chutney.

Os Wizardson têm um caldeirão mágico para cozinhar feitiços, um dragão anão como animal de estimação e, antecipando-se a muito boa ciência, uma turbovassoura como meio de transporte. Neste seu primeiro livro organizam o churrasco anual que, a manter a tradição, irá correr bastante mal. Os dois filhos mais velhos são de um grande dinamismo: Wyman é um verdadeiro aprendiz de feiticeiro, mas todos os feitiços que experimenta resultam no aparecimento de sapos; Wendy também gosta de feitiçaria mas a sua grande paixão é a escrita, dedicando-se ao “Musical da Rua dos Freaks”. Há também uma estrela de cinema chamada Lavelle Linda, o misterioso desaparecimento de um guião que vai convidar ao aparecimento de feitiços virados do avesso e uma ida à Fada do Lar – a grande superfície dedicada à arte da feitiçaria lá do sítio – para comprar um dragão que consiga tomar conta de uma assada.

Com uma elevada dose de absurdo e estranheza, “Freak Street” convida os mais novos a conhecerem o lado absurdo da existência humana e, também, a “essa coisa do viver em comunidade”. É que lá bem no fundo, e apesar do cenário forrado a fantástico, a Rua dos Freaks não deixa de ser uma rua como a nossa.

Uma edição Arte Plural Edições



Também poderás gostar


There are no comments

Add yours

Pin It on Pinterest

Share This