“Quando a tua ira passar” | Asa Larsson

“Quando a tua ira passar” | Asa Larsson

Para ler de casaco e cachecol

«Eu tinha dezassete anos. Se ainda fosse viva, teria agora dezoito.» É com este começo, a fazer lembrar o ar sepulcral de “Depois” – da autoria de Rosamund Lupton -, que tem início a primeira página de “Quando a tua ira passar” (Planeta, 2014), o mais recente policial de Asa Larsson a conhecer edição nacional.

Nos agradecimentos finais, depois de confirmar que os mortos aparecem em todos os seus livros, Larsson revela que grande parte da história é verídica, tendo o restante enredo sido um produto da sua imaginação. Um enredo que tem, por base, a colaboração estabelecida com os nazis durante o período da Segunda Guerra Mundial, e que trouxe a muito boa gente a fortuna em troca de bens, do fechar de olhos ou de informações que conduzissem à captura de dissidentes.

Wilma – autora da frase inicial e narradora parcial do livro – e Simon são dois jovens apaixonados que, seguindo uma imensa sede de aventura, decidem mergulhar no gelado lago de Vittangijarvi, no Norte da Suécia, em busca dos destroços de um avião alemão que, reza a história e o mito, desapareceu misteriosamente no ano de 1943.

Quando já preparam os festejos da missão em redor dos destroços, alguém corta a segurança de Wilma, tapando também o orifício de saída para o gelo, restando nada para além de uma morte terrível. Quando o corpo de Wilma aparece mais tarde nas águas do rio Tornealven, a reputada advogada Rebecka Martinsson começa a vê-la em sonhos, o que contribuirá ainda mais para aumentar a sua faceta de lunática, isto depois de ter morto três homens em legítima defesa e de passr por um longo período de readaptação à vida tal como a conhecemos.

Juntamente com a inspectora Anna-Maria Mella, com quem não se daria ao ponto de ir tomar um simples café, irá tentar desvendar o mistério em redor da morte de Wilma, que ameaça ruir um edifício no qual estão depositados segredos com décadas de existência, e que muitos estarão dispostos a arriscar a vida – e a morte de outros – para os manter na penumbra.

Mais do que oferecer uma história onde o leitor procura desvendar quem se esconde por detrás do crime – algo que fica perceptível quando o livro não está ainda em metade -, algo que está intrínseco a uma história policial tradicional, “Quando a tua ira passar” oferece antes um retrato da ascensão e queda de uma família, cuja linha genealógica está atravessada pelo medo, pela sede vingança e uma enorme urgência de redenção. A sensação de frio é tal que o deverão ler na companhia de um casaco e cachecol.



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