SANGUE DO MEU SANGUE em San Sebastian

O novo filme de João Canijo, vai ter a sua estreia mundial em quatro  dos mais importantes festivais de cinema do mundo, no curto espaço de um mês – entre 6 de Setembro e 18 de Outubro -, estreando entretanto em Portugal (a 6 de Outubro) em 15 cinemas de todo o país.Começando por ser apresentado na Competição do Festival de San Sebastian (festival competitivo de classe A), onde Canijo estará ao lado de realizadores como o britânico Terence Davies, o japonês Hirokazu Kore-Eda, o mexicano Arturo Ripstein, o chinês Wang Xiaoshuai, a canadiana Sarah Polley ou a francesa Julie Delpy, o filme irá depois ao Festival de Toronto (o maior e mais importante da América do Norte), e logo de seguida ao Festival do Rio de Janeiro (grande festival urbano do Brasil e ponte para toda a América do Sul), e ainda o Festival de Busan, na Coreia ( o de maior dimensão e impacto no Extremo Oriente, onde para além deste filme serão exibidos os seus três filmes anteriores, no âmbito de um Programa de cinema português com oito filmes e onde a obra de João Canijo será a grande presença).

Outros grandes festivais se seguirão.Aquele que é um dos mais notáveis cineastas da sua geração, confirmado pelo amplo eco de público e de crítica, nacional e internacional, que a sua obra tem tido na última década, vai assim finalmente apresentar uma produção que resulta de mais de três anos de trabalho, em que se envolveram uma dúzia dos mais talentosos actores portugueses de várias gerações.

Rita Blanco, Anabela Moreira, Cleia Almeida, Rafael Morais, Marcello Urgeghe, Beatriz Batarda, Nuno Lopes, Fernando Luís, Teresa Madruga e Teresa Tavares, dão corpo a uma história de amor incondicional, de sacrifício e redenção, em personagens absolutamente inesquecíveis. Num trabalho de muitos meses com o realizador, eles criaram as personagens, trabalharam as suas histórias, as cenas e os diálogos, num longo processo de escrita e re-escrita, de ensaios sucessivos, até uma longa rodagem que teve lugar no verão do ano passado.

O resultado desse trabalho (retratado no documentário “Trabalho de Actriz, Trabalho de Actor”, que estreou no festival Indie Lisboa em Abril passado e que será editado em DVD no mesmo dia 6 de Outubro), é um filme de um fôlego extraordinário, que terá duas versões que estrearão nos cinemas (a mais longa com 190 minutos), e uma versão de 3 episódios de 50 minutos para televisão. Produzido pela Midas Filmes, com o apoio financeiro do ICA – Instituto do Cinema e Audiovisual, o filme teve também o apoio importantíssimo da Câmara Municipal de Lisboa, mas aguarda há dois anos um investimento por parte do FICA (Fundo de Investimento para o Cinema Audiovisual) e a participação da RTP na aquisição da versão de 3 episódios para televisão, de forma a conseguir finalmente fechar uma montagem financeira que está – apesar de o filme estar terminado a tempo de ser apresentado nestes festivais – ainda gravemente negativa.

O cinema português vive hoje uma situação de catástrofe (e o seu Instituto mal sobrevive, em permanente ruptura financeira), fruto da política desastrosa dos responsáveis da Cultura ao longo dos últimos seis anos, mas continua a ter um notável reconhecimento internacional e nacional, como mostra o acolhimento que alguns dos mais importantes festivais de cinema do mundo estão a dar a este novo filme de João Canijo.



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