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Smashing Pumpkins @ Campo Pequeno

O grande egoísta.

Importa referi-lo antes de mais: toda a gente desiste de Billy Corgan; todos os seus ex-companheiros de banda desistiram de Billy Corgan, mesmo os mais fieis (Jimmy Chamberlin), mas não os fãs, esses que se mantêm ao lado da banda (do músico?) mesmo quando esta pouco ou nada de relevante tem para dar, esses que enchem o Campo Pequeno no dia 8 de Dezembro para receber uma banda que, no fundo, é o líder de sempre mais três músicos contratados. Corgan não está sozinho, continua a ter os fãs ao seu lado, são eles que lhe permitem continuar, aos 44 anos, a viver disto, da música.

Quando, em 2007, os Smashing Pumpkins regressaram com novo disco e digressão, pensou-se que viria aí uma gloriosa segunda vida da banda de “Mellon Collie and the Infinite Sadness”. O disco, “Zeitgeist”, foi recebido com indiferença, a digressão chegou para matar algumas saudades, mas a coisa parecia não ter pernas para andar a curto/médio-prazo. Por fim, o golpe de misericórdia: Chamberlin, o único resistente, deixa a banda, enquanto Corgan se queixa do público, esse, o mesmo que lhe continua a dar de comer, porque esse mesmo público não tem paciência para jams de 20 e tal minutos.

Esta longa introdução para referir que Billy Corgan é egoísta. Billy Corgan faz o que quer e assim continuará até ao dia em que o pão deixar de lhe chegar à mesa. O concerto no Campo Pequeno não foi um mau concerto. Não, o concerto no Campo Pequeno foi um grande concerto para fãs mais hardcore e uma grande seca para os fãs de um ou outro disco dos Pumpkins. Ao longo de cerca de duas horas, a banda ofereceu canções dos dois primeiros discos, os dos primórdios dos anos 90, “Gish” e “Siamese Dream” e coisas novas, as do projecto meio megalómano, “Teargarden by Kaleidyscope”, e de “Oceania”, o disco que chega no ano que vem. No fim, nos últimos 15 minutos, os êxitos: «Cherub Rock», «Tonight Tonight», «Today» – uma surpresa, canção que não tem sido tocada durante esta digressão, mas que, devido à ausência da guitarrista que se sentiu mal no início do encore, foi contemplada -, «Zero» e «Bullet with Butterfly Wings».

O som, esse, esteve potentíssimo, o palco apetrechado – com hélices, muita iluminação e um círculo cheio de elementos psicadélicos, uma referência ao tal projecto que é “Teargaden by Kaleidyscope”, um disco que é um work in progress.

Já ninguém se lembra dos Zwan, já ninguém se lembra da discografia a solo de Billy Corgan. Não temos dúvidas que nos vamos sempre lembrar dos Smashing Pumpkins, resta saber como. Afinal de contas, Corgan esconde a sua veia criativa atrás de um nome, com o objectivo de se manter relevante. Além do mais, sabe que, se acabar mais uma vez com a banda, já não a poderá voltar a ressuscitar, correndo o risco de se tornar numa anedota. Duas notas de valor: 1. Os Pumpkins deram quatro concertos de duas horas e tal em outros tantos dias; 2. Não há baladuchas só porque sim, Billy Corgan faz o que quer e lhe apetece e isso, só por si, é de valor, embora egoísta.

Uma última nota, de menor valor, para o facto de Billy Corgan ter “empurrado” os fotógrafos para a plateia, obrigando-os a uma ginástica incrível para que pudessem fazer o seu trabalho. Ainda assim, vejam a reportagem fotográfica possível por Mário Tavares aqui, que não parou o concerto todo para vos dar umas belas fotos.



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